Dinheiro
21/09/2008 - 18h23

Congressistas manifestam apoio à aprovação de ajuda financeira nos EUA

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da Folha Online

Deputados e senadores dos Estados Unidos manifestaram apoio neste domingo aos apelos do secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, para que o pacote de US$ 700 bilhões de ajuda ao sistema financeiro seja aprovado logo.

Legisladores democratas disseram hoje partilhar do senso de urgência de Paulson para a aprovação do pacote, mas pediram que haja "reciprocidade", a fim de garantir que não apenas Wall Street, mas também a "Main Street" --ou seja, a economia real, em alusão à rua principal das cidades do interior americano, em contraste ao centro financeiro de Nova York-- recebam algum alívio fiscal, segundo reportagem no site do diário americano "The New York Times" ("NYT").

Eles disseram também que querem avançar com uma iniciativa paralela, com um novo pacote de estímulo à economia --aos moldes do que foi aprovado em fevereiro deste ano, para incentivar o consumo no país e impedir uma recessão.

Entenda a crise financeira que atinge a economia dos EUA

O senador democrata de Nova York, Charles Schumer, que também é membro do Comitê do Setor Bancário do Senado, disse que os legisladores não colocarão em risco a aprovação do pacote, fazendo muitos acréscimos de propostas. "Não vamos transformar a proposta em uma árvore de Natal", disse, segundo o "NYT". "O tempo é de urgência."

Congressistas republicanos também concordaram com a necessidade de aprovar logo a medida. "Não temos escolha a não ser agir", disse o senador democrata de Connecticut Christopher Dodd. "Mas teremos de lidar com a questão dos despejos, ou esse problema persistirá", afirmou Dodd, que também é presidente do Comitê do Setor Bancário.

O deputado democrata de Massachusetts e presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados), Barney Frank, disse hoje que os legisladores foram informados de que "estamos chegando ao ponto em que as pessoas não conseguirão mais financiamentos para carros ou imóveis". Ele disse ainda prever "uma redução bastante expressiva na atividade econômica", segundo o "NYT".

Frank disse ainda que os democratas têm como uma de suas prioridades limitar os pacotes de remunerações de executivos de empresas que se beneficiem com o pacote. "Eles precisam aceitar algumas diretrizes para compensações (...) particularmente para nos livrarmos de incentivos perversos, do tipo 'cara eu ganho, coroa eu empato'."

A líder democrata na Casa dos Representantes, Nancy Pelosi, disse que vai buscar um novo pacote de estímulo --que poderia incluir um aumento nos benefícios para desempregados e gastos em infra-estrutura, para criar empregos.

Alguns legisladores, no entanto, se mostraram mais críticos diante da iniciativa do governo de promover o pacote de ajuda financeira. O senador republicano do Kentucky Jim Bunning disse ontem, antes mesmo do encaminhamento da proposta do Tesouro ao Congresso: "O livre-mercado, para todos os propósitos nos EUA, está morto."

Maratona

Neste domingo, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, participou de vários programas televisivos, nos quais apelou para que o Congresso aprove com urgência o plano para combater a atual crise financeira, o qual prevê a compra de até US$ 700 bilhões em dívidas de má qualidade.

Paulson, a quem o presidente George W. Bush concedeu a tarefa de "vender" este pacote, levou à opinião pública, por meio das emissoras "ABC", "CBS", "Fox" e "NBC", variações de uma mesma mensagem: o Congresso deve atuar imediatamente para evitar o colapso do sistema financeiro.

"Os mercados de crédito ainda permanecem muito frágeis e congelados", disse Paulson em um programa da "NBC", no qual também defendeu uma reforma, a longo prazo, do antiquado sistema regulador. Ciente das críticas ao plano, Paulson admitiu que este pode ser um pouco amargo, mas que se trata de "um mal necessário".

Em entrevista à revista "Newsweek", ele foi contundente: "Para mim, é desagradável, mas é melhor que a outra alternativa" (de piorar a crise). "Podemos discutir muito sobre como e por que tudo isto aconteceu, mas primeiro temos que superar esta crise".

Representantes do Departamento do Tesouro e do Congresso trabalham neste fim de semana para refinar a proposta final, que o Congresso deverá aprovar na próxima semana.

A minuta da proposta enviada ao Congresso no sábado permite que o Departamento do Tesouro compre até US$ 700 bilhões em ativos hipotecários nas mãos dos bancos. O documento, de apenas três páginas, também consentiria ao Congresso elevar o endividamento do país de US$ 10,6 trilhões para US$ 11,3 trilhões.

Bancos estrangeiros

À rede de TV "ABC", Paulson não descartou a possibilidade de bancos estrangeiros recorrerem ao plano, especialmente se tiverem operações e empregados nos EUA, além de ativos financeiros sem liquidez.

O plano da Administração Bush para conter a crise é lançado enquanto as instituições financeiras enfrentam a pior turbulência dos mercados nas últimas décadas, e também põe em risco o sistema bancário internacional.

O estopim da crise financeira ocorreu na segunda-feira (15) com a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers; a instituição pediu concordata, devido à falta de crédito junto a outras instituições bancárias e à recusa do governo em destinar recursos para reforçar seu caixa. Além disso, o Merrill Lynch foi vendido ao Bank of America e a seguradora AIG recebeu ajuda de US$ 85 bilhões do Fed. Tal seqüência de eventos deixou os investidores assustados durante toda a semana.

O banco de poupança e investimentos ("savings & loans") Washington Mutual também foi alvo de atenção dos investidores: o banco estaria sendo objeto de consultas da parte do governo a outras instituições financeiras sobre uma eventual aquisição. O Morgan Stanley também pode ser o próximo a ser absorvido --Wachovia (quarto maior banco dos EUA), Citigroup e HSBC já teria mostrado algum interesse na fusão.

Seis dos principais bancos centrais do mundo anunciaram nesta semana uma ação coordenada para enfrentar a crise; o Banco do Japão, o Fed, o BCE (Banco Central Europeu), o Banco da Inglaterra (BC do Reino Unido), o SNB (Suíça) e o Banco do Canadá injetaram na economia mais de US$ 200 bilhões.

No início deste mês já havia sido anunciado um pacote de US$ 200 bilhões do Tesouro em ajuda à Fannie Mae e à Freddie Mac, que corriam o risco de quebrar.

Com informações da agência de notícias Efe

Comentários dos leitores
Marco Hundsdorfer (32) 24/11/2009 19h06
Marco Hundsdorfer (32) 24/11/2009 19h06
Aos moderadores da folha.
Porque minhas mensagens são bloqueadas?
Não utilizei nenhum termo de baixao escalão e minha ultima mensagem tem grande importância.
Não entendo.
Todo mundo "bate boca" e eu não posso postar um comentário sobde o INSS...
O que esta havendo?
sem opinião
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Marco Hundsdorfer (32) 23/11/2009 19h18
Marco Hundsdorfer (32) 23/11/2009 19h18
Gostaria de mudar um pouco o "foco" desta conversa para uma realidade que nos diz mais respeito.
O Foco é o INSS. O Assunto: Aposentadorias e Auxílio Doença.
Assisti ha alguns dias um debate sobre o fim do "fator previdenciário" que tramita no congresso. Como sempre argumentos politiqueiros contra e a favor, pois "no ponto chave" ninguém põe o dedo (Aposentadoria dos funcionários públicos).
O que me deixa desconsertado é que, onde vivo, (Ponta Grossa - Paraná), o INSS esta negando praticamente a todo mundo o auxílio doença (Até gente com mãos amputadas ou com câncer!). O INSS esta tirando a aposentadoria de pessoas idosas já aposentadas há anos!
Eu meu caso em particular, minha esposa sofre de uma doença reconhecida internacionalmente que se chama FIBROMIALGIA. A doença é reconhecida pela Sociedade Americana de Reumatologia e possui 5 níveis. Infelizmente minha esposa esta no 5º nível. Esta doença é tratável, porem ,no caso de minha esposa, com derivados sintéticos de morfina (Metadona).
O INSS dá a "entender" que a doença não existe, mesmo a mesma possuindo SID.
A pergunta é: É assim que o governo pretende economizar e fazer caixa? Em cima de quem vai receber pouco mais de 1 salário mínio para comprar remédios? Ou retirando aposentadorias de maneira ilegal?
Fica a pergunta para o governo.
Para os moderadores da folha: Por favor este é um assunto importante. As pessoas precisam saber que o que o INSS esta fazendo é ilegal e imoral.
sem opinião
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Guilherme Lemmi (226) 23/11/2009 14h48
Guilherme Lemmi (226) 23/11/2009 14h48
Sobre a reportagem "Livre mercado é melhor modelo econômico apesar da crise, dizem bilionários", interessante, a Folha deveria perguntar para o 1 bilhao de pessoas que passam fome no mundo, se eles concordam com essa opinião.
Ah, esqueci, essas pessoas só passam fome porque nao tiveram a 'tenacidade' para vencer na vida....
28 opiniões
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