Dinheiro
22/09/2008 - 09h21

Efeito que crise terá nas Bolsas é incerto

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MARIA CRISTINA FRIAS
da Folha de S.Paulo

No crash de 1987, o índice Dow Jones, que reúne as ações norte-americanas de maior liquidez na Bolsa de Nova York, levou um ano e três meses para se recuperar. Em 1998, foram apenas quatro meses para voltar ao pico do ano. Mas foram quase cinco anos para o Dow Jones voltar à melhor pontuação do ano de 2001.

Difícil dizer com qual dessas recuperações da Bolsa se parecerá a retomada da atual crise. Mas, com relação à volatilidade do mercado, o crash da semana passada ainda foi inferior aos piores momentos de 2001/2002, de 1998 e, principalmente de 1987, ano que registrou a maior instabilidade dentre as crises mais recentes.

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Na quinta-feira passada, o VIX (Índice de Volatilidade norte-americano) da Bolsa de Chicago indicava que o Dow Jones rompera 42% em seu ponto mais alto do dia. O VIX é uma medida das expectativas de volatilidade de curto prazo por preços do mercado futuro.

Para alguns analistas estrangeiros, isso pode indicar a proximidade do rompimento de 60%, o que aconteceu nas crises de 97/98, e 2001/2002.

1997 foi o ano da crise da Ásia; a moratória da Rússia viria em agosto de 1998, quando também se deu a quebra do fundo LTCM, em outubro. Em 2000, houve a queda da Nasdaq, de ações de tecnologia. Em 2001, houve a crise da Argentina e os atentados às Torres Gêmeas. No crash de 1987, o VIX foi a quase 115%.

Em 19 de outubro de 1987, caiu 22,6% em um só dia. Na quebra de 1929, a queda havia sido de 11,7%.
A crise de 1987 foi marcada pelo "program trading". "Todo mundo montou programinhas de computadores, que começavam a ser usados no mercado financeiro, que vendiam na baixa e compravam na alta", diz William Eid Junior, coordenador do Centro de Finanças da FGV.

Considerando o pico mais alto de 1987, o Dow Jones levou quase dois anos para se recuperar. Seis meses depois, porém, o índice que caíra a 1.738,74 já alcançava os 2.013 pontos.

A Bovespa esteve quase sempre muito ligada à Bolsa de Nova York. Algumas das maiores quedas registradas pelo Índice Bovespa deveram-se a movimentos de investidores nos Estados Unidos.

O ano de 1987, porém, foi difícil no Brasil desde o começo. A crise do "program trading" apenas acentua a queda do Índice Bovespa.

Em janeiro, houve a moratória e, em junho, o Plano Bresser, além do crash de Nova York, em outubro. A queda no Ibovespa até dezembro desse ano atingiu 90% do valor do índice corrigido pelo IGP- DI, segundo Eid Júnior.

Em dezembro daquele ano, há o início de um novo ciclo de altas, que, com um intervalo entre abril de 98 e janeiro de 99, vai perdurar até abril de 99, com alta de quase 500%.

Em março de 2000, a Bolsa brasileira acompanha a queda da Nasdaq até setembro de 2002, pouco antes da primeira eleição do presidente Lula, quando a Bolsa inicia um período de bonança até a atual crise.

 

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