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Dinheiro
23/09/2008 - 11h15

Na ONU, Lula pede ação contra crise e diz que ricos praticam "nacionalismo populista"

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TAHIANE STOCHERO
do Agora, em Nova York

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje, durante discurso na 63ª Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, "uma ação coordenada dos governantes, em especial naqueles países que estão no centro da crise" para "combater a desordem que se instalou nas finanças internacionais".

Segundo Lula, "medidas paliativas" não irão superar "uma crise de tais proporções", que será contida somente com "mecanismos de prevenção e controle e total transparência das atividades financeiras". "Somos muito maiores do que as crises que nos ameaçam", acrescentou.

Durante o discurso, Lula criticou também um "suposto 'nacionalismo populista', que alguns pretendem identificar e criticar no sul do mundo", afirmando que ele também "é praticado sem constrangimento em países ricos".

Como de costume, o presidente do Brasil é o primeiro a discursar durante o encontro anual da Assembléia Geral. Ele será seguido pelos seus colegas dos Estados Unidos, George W. Bush, e da França, Nicolas Sarkozy. Segundo a ONU, pelo menos 79 chefes de Estado e 38 chefes de governo estão presentes no evento.

Na noite de quarta-feira, uma reunião de alto nível entre chefes de Estado, convocada pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, discutirá a crise financeira internacional.

Hoje, Lula disse que "a ausência de regras favorece os aventureiros e oportunistas, em prejuízo das verdadeiras empresas e dos trabalhadores" e que "as indispensáveis intervenções do Estado mostram que é chegada a hora da política".

Bolívia e "novos muros"

Durante o discurso, Lula lembrou que "o Muro de Berlim caiu", "mas é triste constatar que outros muros foram se construindo". O presidente defendeu a retomada das negociações da Rodada Doha, afirmando que "muitos que pregam a livre de circulação de homens e mulheres, com argumentos nacionalistas --e até racistas-- que nos fazem evocar --temerosos- tempos que pensávamos superados".

O presidente fez também referência à crise na Bolívia, afirmando que a Unasul, grupo que congrega todos os países sul-americanos, deu "uma resposta rápida e eficaz frente a situações complexas" e que respalda "o governo legitimamente eleito, suas instituições democráticas e sua integridade territorial", mas apela "ao diálogo como caminho para a paz".

Diante da comunidade internacional, o presidente "enfatizou nosso compromisso com o Haiti", fazendo um "chamado internacional à solidariedade dos países desenvolvidos com o Haiti muito prometida e pouco cumprida".

Segurança e Energia

Lula criticou também a demora na reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que está sendo discutida há 15 anos. Segundo o presidente, "a estrutura vigente, congelada há seis décadas, responde cada vez menos aos desafios do mundo contemporâneo" e que é "muito auspiciosa a decisão da Assembléia Geral de iniciar prontamente as negociações".

As crises alimentar mundial e energética também foram citadas pelo presidente no discurso. Lula tentou desvincular a relação entre a inflação no preço dos alimentos no mundo e os biocombustíveis, afirmando que "a tentativa de associar" as duas coisas "não resiste à análise objetiva da realidade".

Para finalizar o discurso, o presidente afirmou na ONU que "o Brasil de hoje é muito distante daquele de 2003", ano em que assumiu a presidência, citando números que já repetiu inúmeras vezes no Brasil. "Criamos 10 milhões de empregos formais. Distribuímos renda e riqueza. Tenho orgulho de dizer que o Brasil está vencendo a fome e a pobreza."

 

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