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Dinheiro
23/09/2008 - 12h40

Lula cobra papel mais ativo dos países ricos frente à crise e critica especuladores

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TAHIANE STOCHERO
do Agora, em Nova York
da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou fortemente nesta terça-feira a "desordem que se instalou nas finanças internacionais", ao mencionar a pesada crise financeira que atinge a economia dos Estados Unidos e afeta mercados ao redor do mundo. A declaração foi feita durante discurso de abertura da 63ª Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York.

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Segundo Lula, a intervenção do governo americano na economia do país --empresas à beira da falência foram resgatadas-- sinaliza que a atual crise só será resolvida com política.

"As indispensáveis intervenções do Estado, contrariando os fundamentalistas do mercado, mostram que é chegada a hora da política. Somente ação dos governantes, em especial naqueles países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem que se instalou nas finanças mundiais com efeitos perversos na vida cotidiana de milhões de pessoas."

Frank Franklin II/AP
Discurso do presidente Lula abriu a 63ª Assembléia Geral da ONU, em Nova York
Discurso do presidente Lula abriu a 63ª Assembléia Geral da ONU, em Nova York

Lula afirmou que "medidas paliativas" não irão superar "uma crise de tais proporções", que será contida somente com "mecanismos de prevenção e controle e total transparência das atividades financeiras". "Somos muito maiores do que as crises que nos ameaçam."

O presidente brasileiro mencionou a "euforia dos especuladores", que segundo ele "transformou-se em angústia dos povos após a sucessão de naufrágios financeiros que ameaçam a economia mundial".

Durante todo seu discurso, Lula usou palavras duras para se referir à crise, como aventureiros, oportunistas, falta de transparência e anarquia especulativa.

"A ausência de regras favorece os aventureiros e oportunistas, em prejuízo das verdadeiras empresas e dos trabalhadores. (...) O ônus da cobiça desenfreada de alguns não pode recair impunemente sobre os ombros de todos. A economia é séria demais."

Na opinião de Lula, faltam aos organismos econômicos supranacionais "autoridade e instrumentos práticos para coibir a anarquia especulativa". "Devemos reconstruí-los em bases completamente novas. Dado o caráter global da crise, as soluções que venham a ser adotadas deverão ser também globais, tomadas em espaços multilaterais legítimos e confiáveis, sem imposições."

Nacionalismo, Doha e crises

Lula criticou também um "suposto 'nacionalismo populista', que alguns pretendem identificar e criticar no sul do mundo", afirmando que ele também "é praticado sem constrangimento em países ricos".

"As crises financeira, alimentar, energética, ambiental e migratória, para não falar das ameaças à paz em tantas regiões, demonstram que o sistema multilateral deve se adequar aos desafios do século 21."

O presidente defendeu a retomada das negociações da Rodada Doha, afirmando que "muitos que pregam a livre de circulação de homens e mulheres, com argumentos nacionalistas --e até racistas-- que nos fazem evocar, temerosos, tempos que pensávamos superados".

O presidente fez também referência à crise na Bolívia, afirmando que a Unasul, grupo que congrega todos os países sul-americanos, deu "uma resposta rápida e eficaz frente a situações complexas" e que respalda "o governo legitimamente eleito, suas instituições democráticas e sua integridade territorial".

Lula criticou também a demora na reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que está sendo discutida há 15 anos, e mencionou as crises alimentar e energética. "As crises alimentar e energética estão profundamente entrelaçadas. Na inflação dos alimentos estão presentes --ao lado de fatores climáticos e da especulação com as commodities agrícolas-- os aumentos consideráveis do petróleo, que incidem pesadamente sobre o custo de fertilizantes e transporte."

Ele voltou a insistir na desvinculação da relação entre a inflação dos alimentos no mundo e os biocombustíveis, afirmando que "a tentativa de associar as duas coisas não resiste à análise objetiva da realidade".

Para finalizar o discurso, o presidente afirmou na ONU que "o Brasil de hoje é muito distante daquele de 2003", ano em que assumiu a presidência, citando números que já repetiu inúmeras vezes no Brasil. "Criamos 10 milhões de empregos formais. Distribuímos renda e riqueza. Tenho orgulho de dizer que o Brasil está vencendo a fome e a pobreza."

Comentários dos leitores
Nivaldo Lacerda (112) 01/02/2010 17h30
Nivaldo Lacerda (112) 01/02/2010 17h30
Nao se deixem enganar pela propaganda, os EUA quebraram pois o governo nao teve controle dos especuladores, eles ficaram milionarios correndo riscos com dinheiro do imposto.
O Brasil nao teve problemas porque os bancos nao precisaram correr risco nenhum tiveram lucro usando dinheiro do governo com alto juros aprovado pelo governo, mas como os custos em geral estao crescendo muito impulsionado por propagandas suspeitas, quem pode quebrar no Brasil e a classe media pois nao terao $$ para pagar o alto custo dos servicos de crecdito brasileiro.
Portanto olho vivo nao se deixem individar por propagandas enganosas...a coisa pode quebrar, temos que ter o pe no cha.
sem opinião
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JOSE MOTTA (110) 01/02/2010 15h32
JOSE MOTTA (110) 01/02/2010 15h32
OS GRANDES SETORES, NACIONAIS OU ESTRANGEIROS), BANCOS, ESTATAIS (PETROBRAS, BANCO DO BRASIL, CAIXA ECONOMICVA FEDERSAL), AMBEV, AUTOMOTIVA, ALIMENTCIA, E MUITAS OUTROS, NESSE PÁIS MANDAM E DESMADAM, GANHAM QUANTO QUEREM. QUESTIONA-SE, SERÁ QUE UM PAIS DO PRIMEIRO MUNDO TERIAM TANTO LUCRO ASSIM SEM DAR NADA EM TROCA PARA A POPUÇÃO? E A PETROBRAS,O SOGAN "O PETROLEO É NOSSO", NOSSO DE QUEM? TEMOS UM DAS GASOLINAS MAIS CARA DO MUNDO. E O CAIXA PRETO DA PETROBRAS? VIVA O LULA. sem opinião
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Olmir Antonio de Oliveira (124) 29/01/2010 22h40
Olmir Antonio de Oliveira (124) 29/01/2010 22h40
A respeito da volta da cobrança do ipi. É por demais conhecida a alta carga trkibutária brasileira, assim como esta redução de preços, aos trabalhadores de salários baixos e buscando melhorias que possam lhes dar mais capacidade de consumo, a não repassar a volta da taxação do ipi seria uma retribuição aos beneficios recebidos, um empenho em prol de ganhos de escala. Consumidor brasileiro que paga preços altos quando comparado aos praticados em diversos países, históricamete tem sido assim. No pós estouro de manada, crise no país da maior econômia do mundo e diversos outros paises, muitas industrias tiveram boas vendas e lucros aqui, graça ao interese do consumidor brasileiro, esta hora, a da volta do ipi, seria oportuno que os industriais continuassem praticando os preços atuais, beneficiando o consumidor, e permitido que esles possam ter bons lucros em ganho de escala, dada as pespectivas, e nivel de poder econômico do consumidor. Certo é que mesmo sem majoração dos preços, mesmo assim os preços ainda estarão maiores ao praticado em muitos outros países, inclisive aos de origem de algumas industrias, lá estão tendo quedas de vendas e até enfretam falta de rentabilidade...... 2 opiniões
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