Lula cobra papel mais ativo dos países ricos frente à crise e critica especuladores
TAHIANE STOCHERO
do Agora, em Nova York
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou fortemente nesta terça-feira a "desordem que se instalou nas finanças internacionais", ao mencionar a pesada crise financeira que atinge a economia dos Estados Unidos e afeta mercados ao redor do mundo. A declaração foi feita durante discurso de abertura da 63ª Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York.
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Segundo Lula, a intervenção do governo americano na economia do país --empresas à beira da falência foram resgatadas-- sinaliza que a atual crise só será resolvida com política.
"As indispensáveis intervenções do Estado, contrariando os fundamentalistas do mercado, mostram que é chegada a hora da política. Somente ação dos governantes, em especial naqueles países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem que se instalou nas finanças mundiais com efeitos perversos na vida cotidiana de milhões de pessoas."
| Frank Franklin II/AP |
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| Discurso do presidente Lula abriu a 63ª Assembléia Geral da ONU, em Nova York |
Lula afirmou que "medidas paliativas" não irão superar "uma crise de tais proporções", que será contida somente com "mecanismos de prevenção e controle e total transparência das atividades financeiras". "Somos muito maiores do que as crises que nos ameaçam."
O presidente brasileiro mencionou a "euforia dos especuladores", que segundo ele "transformou-se em angústia dos povos após a sucessão de naufrágios financeiros que ameaçam a economia mundial".
Durante todo seu discurso, Lula usou palavras duras para se referir à crise, como aventureiros, oportunistas, falta de transparência e anarquia especulativa.
"A ausência de regras favorece os aventureiros e oportunistas, em prejuízo das verdadeiras empresas e dos trabalhadores. (...) O ônus da cobiça desenfreada de alguns não pode recair impunemente sobre os ombros de todos. A economia é séria demais."
Na opinião de Lula, faltam aos organismos econômicos supranacionais "autoridade e instrumentos práticos para coibir a anarquia especulativa". "Devemos reconstruí-los em bases completamente novas. Dado o caráter global da crise, as soluções que venham a ser adotadas deverão ser também globais, tomadas em espaços multilaterais legítimos e confiáveis, sem imposições."
Nacionalismo, Doha e crises
Lula criticou também um "suposto 'nacionalismo populista', que alguns pretendem identificar e criticar no sul do mundo", afirmando que ele também "é praticado sem constrangimento em países ricos".
"As crises financeira, alimentar, energética, ambiental e migratória, para não falar das ameaças à paz em tantas regiões, demonstram que o sistema multilateral deve se adequar aos desafios do século 21."
O presidente defendeu a retomada das negociações da Rodada Doha, afirmando que "muitos que pregam a livre de circulação de homens e mulheres, com argumentos nacionalistas --e até racistas-- que nos fazem evocar, temerosos, tempos que pensávamos superados".
O presidente fez também referência à crise na Bolívia, afirmando que a Unasul, grupo que congrega todos os países sul-americanos, deu "uma resposta rápida e eficaz frente a situações complexas" e que respalda "o governo legitimamente eleito, suas instituições democráticas e sua integridade territorial".
Lula criticou também a demora na reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que está sendo discutida há 15 anos, e mencionou as crises alimentar e energética. "As crises alimentar e energética estão profundamente entrelaçadas. Na inflação dos alimentos estão presentes --ao lado de fatores climáticos e da especulação com as commodities agrícolas-- os aumentos consideráveis do petróleo, que incidem pesadamente sobre o custo de fertilizantes e transporte."
Ele voltou a insistir na desvinculação da relação entre a inflação dos alimentos no mundo e os biocombustíveis, afirmando que "a tentativa de associar as duas coisas não resiste à análise objetiva da realidade".
Para finalizar o discurso, o presidente afirmou na ONU que "o Brasil de hoje é muito distante daquele de 2003", ano em que assumiu a presidência, citando números que já repetiu inúmeras vezes no Brasil. "Criamos 10 milhões de empregos formais. Distribuímos renda e riqueza. Tenho orgulho de dizer que o Brasil está vencendo a fome e a pobreza."
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O Brasil nao teve problemas porque os bancos nao precisaram correr risco nenhum tiveram lucro usando dinheiro do governo com alto juros aprovado pelo governo, mas como os custos em geral estao crescendo muito impulsionado por propagandas suspeitas, quem pode quebrar no Brasil e a classe media pois nao terao $$ para pagar o alto custo dos servicos de crecdito brasileiro.
Portanto olho vivo nao se deixem individar por propagandas enganosas...a coisa pode quebrar, temos que ter o pe no cha.
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