Pesquisa mostra que setor de rádio faturou R$ 1,6 bi em 2007
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
As emissoras de rádio de todo o Brasil faturaram R$ 1,67 bilhão em 2007. Segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a venda de espaço publicitário foi responsável por R$ 1,49 bilhão.
"O resultado surpreendeu pelo volume e pelo crescimento comparativo a dados tradicionais. No nosso entendimento é que o dado de faturamento reflete o mercado publicitário.Esses dados vão subsidiar o trabalho da Abert no Executivo e Legislativo com vistas aos inúmeros projetos de lei que vedam publicidade e que nos obrigam a vincular espaços obrigatórios para outras questões", afirmou o presidente da Abert, Daniel Slaviero.
É a primeira vez que a Abert promove a pesquisa. Os dados mostraram que o comércio varejista é o principal anunciante e corresponde a 45% do total de receitas do setor. Já a propaganda governamental (federal, estadual e municipal) responde por 17,8% da receita, seguida pelo setor de telecomunicações (8,2%), perfumaria e farmácia (7%) e financeiro (6,6%).
Apesar de o comércio varejista ser o grande anunciante em todas as regiões do país, a pesquisa mostrou diferenças na comercialização do espaço publicitário nas diversas regiões do país. No Nordeste e Norte, por exemplo, o governo estadual é o segundo maior anunciante, sendo responsável por 18,2% e 14,7% da receita respectivamente. Já no Centro-Oeste, os governos municipais têm papéis de destaque, respondendo por 18,7% da receita.
No Sudeste, há uma participação menor do setor público e uma atuação importante das áreas de perfumaria e farmácia (9,2%) e financeira (8,3%). No Sul, o destaque é o setor de telecomunicações, com 10,9% da receita.
Do total de receitas do setor, 58,2% é de publicidade via agência, enquanto 31% é de publicidade contratada diretamente na emissora. No Sudeste, o total via agência chega a 64,8% no Sudeste e 67, 8% no Centro-Oeste. Por outro lado, no Sul, o total contratado diretamente das emissoras é de 40,2% e, no Nordeste, 32,8%.
Programação
Outro dado da pesquisa que surpreendeu a associação foi em relação à veiculação de música nacional no rádio. Nas rádio FM, a música nacional corresponde a 37,5% da programação, seguida por programas de variedade, com 20,3%, música estrangeira, com 17,8%, e jornalismo, com 9,3%.
No caso das emissoras AM, os programas de variedade são o carro-chefe da grade de programação, com 24,4%, seguido por música nacional, com 21,1%, jornalismo, com 17,5%, e religioso, com 14,4%.
'No nosso entender, esse percentual de musica é altamente positivo. Há uma lenda de que o rádio não toca musica brasileira. A pesquisa mostra que a presença é alta, sólida e consistente, não precisa haver demanda para aumentar, toca-se o que o povo quer ouvir e musica brasileira é o que vende', afirmou o diretor-executivo da Abert, Flávio Cavalcanti Júnior.
Nas emissoras FM, o Norte é a região que dedica maior parte da sua programação à música nacional, com 44% da grade. Em seguida está o Sudeste (37,7%) e Sul (37,6%).
Rádio digital
Até o dia 15 do próximo mês, a Abert entregará ao governo um relatório com os resultados dos testes feitos para a implementação do rádio digital no Brasil. Ele adiantou que os testes mostram que apenas o chamado padrão norte-americano (Iboc) poderia ser adotado para que as emissoras AM e FM operem na mesma banda. A expectativa da Abert é de que até o fim do ano o governo possa ter feito a opção do padrão que será adotado no rádio digital, para que as emissoras comecem a fazer a transição.
'Nos primeiros 24 meses, entendemos que não haverá incremento de publicidade com a adoção do radio digital. O incremento da receita virá na medida em que o rádio possa fazer novos serviços, como transmissão de dados e multiprogramação. Não é um movimento de curto prazo', completou.
O custo para a digitalização das emissoras é de US$ 80 a US$ 120 mil e, segundo Slaviero, as rádios, principalmente as menores, precisarão de um programa de financiamento.


