Dinheiro
23/09/2008 - 14h07

Sem pacote, economia dos EUA pode cair em recessão, diz Bernanke

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da Folha Online

O presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, disse nesta terça-feira que a economia americana corre o risco de entrar em recessão, com o aumento do desemprego e do número de despejos, se o Congresso não aprovar o pacote de US$ 700 bilhões proposto pelo Departamento do Tesouro para ajudar o setor financeiro.

Não agir agora, segundo o testemunho de Bernanke ao Congresso hoje --do qual participou o secretário do Tesouro, Henry Paulson-- tornaria impossível para as empresas investir em produção e em novas contratações, e, para os consumidores, comprar itens de maior valor, como carros e casas.

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Shawn Thew /Efe
Henry Paulson (esq.), do Tesouro, e Ben Bernanke (centro), do Federal Reserve
Henry Paulson (esq.), do Tesouro, e Ben Bernanke (centro), do Federal Reserve

"Os mercados financeiros estão em condição frágil e acredito que, na ausência de um plano, eles fiquem em situação pior", disse Bernanke. "Acredito que se os mercados de crédito não estiverem funcionando, empregos serão perdidos, nossa taxa de crédito vai aumentar, mais despejos vão ocorrer, o PIB [Produto Interno Bruto] vai contrair e a economia não vai conseguir se recuperar de um modo normal, saudável."

Uma economia com dois trimestres consecutivos de PIB negativo está em recessão, segundo analistas. A economia dos EUA cresceu 3,3% no segundo trimestre, depois de uma revisão do dado inicial, que mostrava uma expansão de 1,9%. parta os próximos trimestres, no entanto, as expectativas são de uma atividade econômica ainda mais lenta.

Paulson, por sua vez, disse ao Congresso que os bancos estrangeiros com operações em seu país poderão se beneficiar do plano de resgate financeiro do governo. "Qualquer operação bancária nos Estados Unidos que fizer negócios com o público americano é importante", disse.

O objetivo do governo com o pacote é evitar que, de posse de títulos podres, outras instituições no mercado tenham o destino que teve o banco de investimentos Lehman Brothers, que pediu concordata no último dia 15. O detalhamento das medidas e a aprovação do pacote pelos congressistas norte-americanos ainda está sendo aguardado.

O Lehman Brothers pediu concordata depois de semanas procurando um comprador. O britânico Barclays chegou perto de adquirir o Lehman e o Bank of America foi cogitado como eventual candidato a ficar com a instituição. O KDB (Banco de Desenvolvimento da Coréia do Sul, na sigla em inglês) também chegou a conversar com o Lehman. Todos se afastaram diante das perdas sofridas pelo banco com a crise das hipotecas de risco.

Na seqüência, apresentaram problemas o Merrill Lynch, que foi vendido ao Bank of America, e a seguradora AIG, que recebeu ajuda de US$ 85 bilhões do Fed.

Congressistas

A rapidez esperada por Paulson por parte do Congresso na aprovação do pacote pode não se realizar. A reação dos congressistas hoje foi de críticas e ceticismo quanto à eficácia do plano.

O presidente do Comitê de Bancos do Senado, o democrata Christopher Dodd, disse que a proposta do Tesouro "é surpreendente e sem precedentes em seu tamanho e falta de detalhes". Dodd disse que a proposta, tal como foi enviada ao Congresso, permitiria ao secretário agir com "absoluta impunidade". "Após ler essa proposta, só posso concluir que não é apenas nossa economia que está em crise, mas a Constituição também", afirmou o senador.

O senador republicano Jim Bunning disse que o pacote elaborado pelo governo irá "tomar as dores de Wall Street e distribuí-las aos contribuintes". "Isso é socialismo financeiro, e é antiamericano", disse Bunning, segundo o diário americano "The New York Times".

Dodd disse que essa crise era "completamente previsível e evitável, não foi um ato de Deus" e que fica nervoso ao pensar que "os autores dessa calamidade" saem livres à custa dos contribuintes. Ele reconheceu ser importante a agilidade na aprovação, mas que é mais importante fazer "a coisa certa".

O senador democrata Charles Schumer disse que, em um encontro recente com Bernanke, comentou que a situação dos mercados de crédito, abalados pelas hipotecas de risco, mostra que "as artérias estão obstruídas" e que, sem uma ação por parte do governo, "o paciente certamente sofrerá um ataque cardíaco". Por isso, o Congresso irá agir com rapidez, mas não sem uma séria análise. "Mesmo em Wall Street, US$ 700 bilhões é muito dinheiro."

O senador republicano Richard Shelby disse: "Há tempos me oponho a salvamentos para indivíduos e empresas (...) Não recebemos nenhuma garantia digna de crédito de que esse plano vá funcionar. Podemos bem mandar US$ 700 bilhões, ou US$ 1 trilhão, e não ver a crise resolvida."

Comentários dos leitores
Chris Maria (236) 22/11/2009 11h08
Chris Maria (236) 22/11/2009 11h08
É certo que em vários aspectos Obama não tem conseguido furar o bloqueio e seguir em frente com seus nobres ideais. Isto, devido as fortes pressões que vem sofrendo de certas "fontes de poder" que movidas pela ganância, só enxergam o próprio umbigo. No entanto, no que se refere aos aspectos econômicos, cabe lembrar que não foi ele o responsável pela derrocada econômico-financeira. Aliás, para quem assumiu os EUA num colapso financeiro total, o seu governo está indo além das expectativas. Sabe-se bem que o governo americano se viu obrigado a intervir com altas cifras no mercado, socorrendo empresas e criando projetos públicos na tentativa de manter parte dos postos de trabalho, sem o que o cenário estaria ainda bem pior. Isso acarretou aumento do déficit público. Com a zona do euro com uma taxa de desemprego devendo chegar a 10,9% até o final de 2010. O Japão com uma estimativa de 5,7% no quarto trimestre deste ano, passando a declinar apenas a partir daí, mas, em ritmo lento, e assim por diante... Aos norte-americanos, só lhes resta ter paciência. Eles queriam o quê? Por terem consumido mais do que deviam e podiam, arrastaram a economia mundial pro buraco com seus títulos podres. Quanto ao fato dos "críticos comentarem" que "Obama não conseguiu obter concessões significativas em comércio e moedas de parceiros como a China". Neste último caso, por exemplo, também é bom lembrar que quando Bush deixou o governo, a China já era a maior detentora de títulos da dívida norte-americana e aos EUA lhes resta "dançar conforme a música". sem opinião
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Eduardo Giorgini (415) 21/11/2009 21h43
Eduardo Giorgini (415) 21/11/2009 21h43
"Obama pede paciência aos americanos na questão econômica"
Eleitorado Norte-Americano é exigente. Quase 1 ano de Obama e a popularidade esta caindo e nem precisou se envolver em escandalos de corrupção.
Parabéns aos Norte-Americanos.
[]s
Eduardo.
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Domingos Aparecido (135) 21/11/2009 09h56
Domingos Aparecido (135) 21/11/2009 09h56
RESPOSTA AO SR. CARLOS JOSÉ DOS SANTOS.
Prezado Companheiro virtual, vou fazer uma confissão: Sou Corinthiano há 60 anos, fico alegre quando o Ronaldo faz um gol, mais senti uma alegria maior ainda ao ler o seu comentário sobre esse famigerado FMI. Só acho que faltou você acrescentar em seu comentário que, hoje o Brasil tem mais de 20 milhões de pessoas (segundo o Reporter Record) morando em "CORTIÇOS" e nunca se viu na história deste país, a quantidade tão grande de vendas de carros de luxo, mansões, iates, etc. como estamos tendo agora.
Está escrito: 1Jo 2:15 - Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
Maranata.
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