Dinheiro
23/09/2008 - 14h21

Megaoperação lacra shopping e apreende mercadorias na avenida Paulista

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FERNANDO ANTUNES
colaboração para a Folha Online

Uma operação com cerca de 500 agentes de quatro instituições públicas lacrou nesta terça-feira o shopping Paulista Center, na avenida Paulista, e apreendeu todas as mercadorias de 147 lojas instaladas no local. De acordo com autoridades que chefiam a ação, a maioria dos produtos eletroeletrônicos, de vestuário, tênis, perfumes, bijuterias, entre outros, são irregulares.

O Paulista Center é o terceiro ponto comercial fechado na avenida Paulista por vender mercadorias ilegais. Em dezembro do ano passado foi fechado o Stand Center e em março deste ano agentes lacraram o Promocenter.

"Há indícios veementes de irregularidades na imensa maioria. Nós estamos fazendo a retenção da mercadoria para verificação da irregularidade ou regularidade posterior", afirmou o coordenador da operação Anúbis e delegado da Receita Federal em Araraquara, Fábio Eduardo Boschi. Segundo a Receita, apenas 41 das 147 lojas do shopping possuíam inscrição estadual.

Agentes públicos chegaram ao local por volta das 9h de hoje, com mandado da Justiça Federal, cercando todas as saídas e impedindo que funcionários saíssem do shopping sem serem revistados. "Todas as saídas do depósito estavam com servidores para que fosse evitada [a fuga de funcionários com mercadorias]", disse o delegado.

Após ser lacrado, carregadores entraram às 12h na galeria com caixas de papelão para empacotar as mercadorias e enviar para depósitos da Receita Federal no Estado. Estimativas apontam que sejam necessários até 12 caminhões para transportar o material apreendido.

Segundo Boschi, os proprietários dos produtos deverão apresentar notas fiscais que comprovem a regularidade --como o pagamento de impostos--, caso contrário, será aplicada a pena de perdimento da mercadoria.

Lojistas

Cercados de advogados, proprietários de lojas no Paulista Center procuravam a imprensa, no lado de fora do shopping, indignados com a ação dos agentes da força tarefa. Com notas fiscais, que supostamente comprovariam a legalidade dos produtos, vários proprietários reclamaram da truculência como foram abordados.

"São empresas com CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), legalizadas. Nós apresentamos as notas fiscais e mesmo assim eles quiseram levar a nossa mercadoria", afirmou a proprietária de uma loja de informática, Alessandra Weishaubt.

A operação conta com apoio logístico de viaturas, ônibus e um helicóptero, equipados para ações de combate ao contrabando, descaminho e pirataria.

A ação faz parte da Operação Anúbis --Deus egípcio que fazia julgamento das boas e más ações--, que iniciou as atividades no último dia 15 e em sete dias --sem contar com a ação de hoje-- já apreendeu R$ 17,9 milhões em mercadorias ilegais. Foram apreendidos 27 veículos usados no transporte de mercadorias, 3 quilos de cocaína, 9 quilos de maconha e foram presas 19 pessoas, sendo dois estrangeiros em situação irregular no país.

Mastrangelo Reino /Folha Imagem
Agentes encontraram galpão com mais de 300 toneladas de mercadorias ilegais
Agentes encontraram galpão com mais de 300 toneladas de mercadorias ilegais

Na operação de hoje estão envolvidos agentes da Receita Federal, Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e das Polícias Federal e Militar, mas no conjunto da Anúbis, que deve durar mais uma semana, atuam também servidores do Ministério Público Estadual e Federal e Polícia Rodoviária Federal.

Galpão

Na semana passada, a Operação Anúbis encontrou um galpão de 5.500 m2 com mais de 300 toneladas de mercadorias ilegais em Guarulhos (15 km da capital). Segundo a Polícia Federal, o local funcionava com depósito para caixas com brinquedos, enfeites de Natal e material de papelaria contrabandeado da China, através do porto de Santos.

Segundo a Polícia Federal, os produtos entravam no país por meio de notas fiscais falsas, além de sobrepeso de 60% do discriminado na documentação, e seriam vendidos na capital paulista, principalmente na região da rua 25 de Março, e no interior do Estado.

No momento da invasão do galpão, os policiais prenderam em flagrante um homem identificado apenas com J.N., que a polícia afirmou ser um dos maiores contrabandistas do Brasil.

 

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