Megaoperação lacra shopping e apreende mercadorias na avenida Paulista
FERNANDO ANTUNES
colaboração para a Folha Online
Uma operação com cerca de 500 agentes de quatro instituições públicas lacrou nesta terça-feira o shopping Paulista Center, na avenida Paulista, e apreendeu todas as mercadorias de 147 lojas instaladas no local. De acordo com autoridades que chefiam a ação, a maioria dos produtos eletroeletrônicos, de vestuário, tênis, perfumes, bijuterias, entre outros, são irregulares.
O Paulista Center é o terceiro ponto comercial fechado na avenida Paulista por vender mercadorias ilegais. Em dezembro do ano passado foi fechado o Stand Center e em março deste ano agentes lacraram o Promocenter.
"Há indícios veementes de irregularidades na imensa maioria. Nós estamos fazendo a retenção da mercadoria para verificação da irregularidade ou regularidade posterior", afirmou o coordenador da operação Anúbis e delegado da Receita Federal em Araraquara, Fábio Eduardo Boschi. Segundo a Receita, apenas 41 das 147 lojas do shopping possuíam inscrição estadual.
Agentes públicos chegaram ao local por volta das 9h de hoje, com mandado da Justiça Federal, cercando todas as saídas e impedindo que funcionários saíssem do shopping sem serem revistados. "Todas as saídas do depósito estavam com servidores para que fosse evitada [a fuga de funcionários com mercadorias]", disse o delegado.
Após ser lacrado, carregadores entraram às 12h na galeria com caixas de papelão para empacotar as mercadorias e enviar para depósitos da Receita Federal no Estado. Estimativas apontam que sejam necessários até 12 caminhões para transportar o material apreendido.
Segundo Boschi, os proprietários dos produtos deverão apresentar notas fiscais que comprovem a regularidade --como o pagamento de impostos--, caso contrário, será aplicada a pena de perdimento da mercadoria.
Lojistas
Cercados de advogados, proprietários de lojas no Paulista Center procuravam a imprensa, no lado de fora do shopping, indignados com a ação dos agentes da força tarefa. Com notas fiscais, que supostamente comprovariam a legalidade dos produtos, vários proprietários reclamaram da truculência como foram abordados.
"São empresas com CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), legalizadas. Nós apresentamos as notas fiscais e mesmo assim eles quiseram levar a nossa mercadoria", afirmou a proprietária de uma loja de informática, Alessandra Weishaubt.
A operação conta com apoio logístico de viaturas, ônibus e um helicóptero, equipados para ações de combate ao contrabando, descaminho e pirataria.
A ação faz parte da Operação Anúbis --Deus egípcio que fazia julgamento das boas e más ações--, que iniciou as atividades no último dia 15 e em sete dias --sem contar com a ação de hoje-- já apreendeu R$ 17,9 milhões em mercadorias ilegais. Foram apreendidos 27 veículos usados no transporte de mercadorias, 3 quilos de cocaína, 9 quilos de maconha e foram presas 19 pessoas, sendo dois estrangeiros em situação irregular no país.
| Mastrangelo Reino /Folha Imagem |
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| Agentes encontraram galpão com mais de 300 toneladas de mercadorias ilegais |
Na operação de hoje estão envolvidos agentes da Receita Federal, Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e das Polícias Federal e Militar, mas no conjunto da Anúbis, que deve durar mais uma semana, atuam também servidores do Ministério Público Estadual e Federal e Polícia Rodoviária Federal.
Galpão
Na semana passada, a Operação Anúbis encontrou um galpão de 5.500 m2 com mais de 300 toneladas de mercadorias ilegais em Guarulhos (15 km da capital). Segundo a Polícia Federal, o local funcionava com depósito para caixas com brinquedos, enfeites de Natal e material de papelaria contrabandeado da China, através do porto de Santos.
Segundo a Polícia Federal, os produtos entravam no país por meio de notas fiscais falsas, além de sobrepeso de 60% do discriminado na documentação, e seriam vendidos na capital paulista, principalmente na região da rua 25 de Março, e no interior do Estado.
No momento da invasão do galpão, os policiais prenderam em flagrante um homem identificado apenas com J.N., que a polícia afirmou ser um dos maiores contrabandistas do Brasil.
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