Dinheiro
24/09/2008 - 01h21

FBI investiga suposta fraude de gigantes financeiras dos EUA

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da Folha Online

Atualizado às 01h47.

O FBI (a polícia federal americana) abriu uma investigação sobre as denúncias de fraude contra gigantes financeiras americanas depois que as companhias foram afetadas pela turbulência na economia do país. O banco de investimentos Lehman Brothers, as empresas de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac, e a seguradora AIG são os principais alvos.

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A TV CNN informou que as empresas são acusadas de fraude, e a investigação inclui 26 companhias cotadas em Wall Street.

"A polícia federal americana desenvolve 26 investigações de fraude corporativa envolvendo os créditos subprime", disse o porta-voz do FBI Richard Kolko à rede de televisão ABC.

O FBI busca determinar se executivos dessas empresas tiveram responsabilidade no atual desastre que atinge o sistema financeiro americano por meio de "desinformação", disse a CNN. "O total de empresas investigadas pode flutuar com o tempo; de qualquer modo, não discutimos que companhias podem ou não ser objeto de uma varredura", afirmou.

A investigação ocorre no momento em que o Congresso americano analisa o plano de socorro de US$ 700 bilhões montado pelo governo Bush para salvar a economia americana.

A indefinição sobre o plano e sobre a verdadeira situação do mercado financeiro americano têm derrubado as Bolsas de todo o planeta.

Pacote

O secretário do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, foram nesta terça-feira (23) ao Congresso para esclarecer os congressistas sobre o pacote que o governo espera ver aprovado logo, para evitar novos casos como o do banco de investimentos Lehman Brothers --que pediu concordata na semana passada.

Bernanke foi incisivo ao dizer que a economia americana corre o risco de entrar em recessão, com o aumento do desemprego e do número de despejos, se o Congresso não aprovar o pacote. Segundo ele, a não-aprovação tornaria impossível para as empresas investir em produção e em novas contratações, e, para os consumidores, comprar itens de maior valor, como carros e casas.

"Acredito que se os mercados de crédito não estiverem funcionando, empregos serão perdidos, nossa taxa de crédito vai aumentar, mais despejos vão ocorrer, o PIB [Produto Interno Bruto] vai contrair e a economia não vai conseguir se recuperar de um modo normal, saudável", disse.

Paulson, por sua vez, disse que o governo americano intervirá rapidamente nos mercados com a compra de ativos garantidos por hipotecas, assim que o Congresso aprovar o pacote.

O Congresso se mostrou cético diante da proposta. O presidente do Comitê de Bancos do Senado, o democrata Christopher Dodd, disse que a proposta, tal como foi enviada ao Congresso, permitiria ao secretário agir com "absoluta impunidade" e que essa crise era "completamente previsível e evitável, não foi um ato de Deus".

O senador democrata Charles Schumer, por sua vez, disse que o Congresso irá agir com rapidez, mas não sem uma séria análise. "Mesmo em Wall Street, US$ 700 bilhões é muito dinheiro."

Com a incerteza, o movimento nas Bolsas fica menor, com a espera por uma definição sobre os detalhes do pacote. "Há ceticismo sobre se US$ 700 bilhões é o número certo", disse o gerente e diretor de negócios da Baird & Co., Jim Herrick.

"Vamos ver volatilidade por um tempo, mesmo depois de aprovado o pacote, porque acho que ainda estamos diante de uma desaceleração na economia mundial que vai ter um impacto sobre os lucros", disse o executivo-chefe da Ashfield Capital Partners em San Francisco, J. Stephen Lauck.

Previsão

A Casa Branca declarou nesta terça-feira (23) que já tinha um plano de socorro financeiro há dois meses. "Não é um plano concebido ou desenhado às pressas. Houve uma enorme soma de análises, debates e discussões antes de apresentá-lo", afirmou o porta-voz da Casa Branca Tony Fratto.

"Certos membros da equipe política tiveram meses para refletir sobre este plano, como poderia funcionar. Outros tiveram ao menos semanas para analisar isto", disse.

Vários parlamentares influentes, insatisfeitos com as explicações dadas na terça-feira pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, já solicitaram ao governo que modifique o plano de socorro financeiro.

Segundo Fratto, "é realmente necessário que isto saia rápido" e "vamos nos opor aos esforços para retardá-lo" no Congresso. "Tenho confiança de que será aprovado ainda esta semana".

Comentários dos leitores
Polycarpo Quaresma (26) 27/11/2009 21h01
Polycarpo Quaresma (26) 27/11/2009 21h01
Quem vende commodities não deve construir prédios com mais de 20 andares. Patético sem opinião
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Langstein Almeida (5) 27/11/2009 20h08
Langstein Almeida (5) 27/11/2009 20h08
O governo Obama passou ao poder dos bancos mais de dois trilhões de dólares, arrecadados com venda dos títulos da dívida pública americana, que já descambou de 14 trilhões de dólares. Só a China é credora de mais de um trihão de dólares. O Brasil deve ser credor de mais de 200 bilhões de dólares. O maior devedor do mundo são os Estados Unidos.
Um credor só está realmente seguro quando seu devedor dispõe de renda anual suficiente para quitar a dívida. Se os EU tivessem superávit primário, isto é, maior arrecadação do que despesa, no valor de um trilhão por ano, passariam 14 anos para pagar a seus credores. Isto, sem falar nos juros! Em vez de superávit, o Império terá este ano um déficit fiscal de mais de um trilhão e meio.
Em respeito à ciência financeira, esses credores nunca mais receberiam seus créditos. Em respeito ao arcenal bélico do devedor, todos os credores estão tranquilos... Seria o chefão do morro devendo a todo morador, mas todos tranquilos e muito confiantes no poder de fogo do valentão!
O perigo é o chefão dizer que não pode pagar agora e que todos esperem mais uns 50 anos. Mesmo com muito dinheiro para receber, quem iria enchocalhar a onça pintada?!
O Lula deveria criar o banco Unasul e nele todos os países latinos depositariam suas reservas em moeda forte.
Os credores dos EU não devem esquecer que esse grande devedor está sustentando várias guerras: no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão e mais de 900 bases militares, e de quebra 7 só na Colômbia.
sem opinião
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Eduardo Giorgini (431) 27/11/2009 20h04
Eduardo Giorgini (431) 27/11/2009 20h04
Caros leitores, digam nomes de empresas de Dubai sem ser ligado ao petróleo.
Obviamente é fácil concluir a podridão de tudo isso.
País sem empresas de tecnologia e educação de qualidade, é país "oco".Sobe e desse rápido.
[]s
Eduardo.
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