Dinheiro
24/09/2008 - 11h30

Crise pode afetar ainda mais negócios e desacelerar a economia, diz Fed

Publicidade

da Folha Online

O presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, disse nesta quarta-feira que um agravamento da crise financeira pode ser um forte obstáculo ao crescimento dos negócios nos EUA, o que pode acabar pesando sobre a economia.

Em testemunho apresentado hoje diante do Comitê Econômico Conjunto do Congresso, Bernanke reforçou o alerta feito ontem, ao Comitê de Bancos do Senado, que as conseqüências de não se aprovar o pacote de US$ 700 bilhões de ajuda ao setor financeiro, a economia pode desacelerar ainda mais.

Nem consumidores nem empresas conseguiram financiamentos, o que provocaria uma paralisia na economia americana, disse. "A intensificação da pressão financeira nas últimas semanas, que tornarão as instituições de crédito mais cautelosas em liberar financiamentos a domicílios e empresas, pode se provar um peso significativo para o crescimento", afirmou.

"O risco de baixa para o cenário do crescimento continua, assim, a ser uma preocupação expressiva", acrescentou.

Bernanke disse ainda que a economia americana no segundo semestre deve se manter em ritmo fraco; o consumo deve desacelerar com um aumento do desemprego, um encolhimento dos salários e o fim do programa de estímulo aprovado pelo governo em fevereiro deste ano. A desaceleração das economias dos outros países também não está ajudando, disse.

Ontem, ao lado do secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, Bernanke disse ao comitê bancário que a economia americana corre o risco de entrar em recessão, com o aumento do desemprego e do número de despejos, se o Congresso não aprovar o pacote.

Não agir agora, segundo o testemunho de Bernanke ao Congresso ontem, tornaria impossível para as empresas investir em produção e em novas contratações, e, para os consumidores, comprar itens de maior valor, como carros e casas.

"Os mercados financeiros estão em condição frágil e acredito que, na ausência de um plano, eles fiquem em situação pior", disse Bernanke. "Acredito que se os mercados de crédito não estiverem funcionando, empregos serão perdidos, nossa taxa de crédito vai aumentar, mais despejos vão ocorrer, o PIB [Produto Interno Bruto] vai contrair e a economia não vai conseguir se recuperar de um modo normal, saudável."

Uma economia com dois trimestres consecutivos de PIB negativo está em recessão, segundo analistas. A economia dos EUA cresceu 3,3% no segundo trimestre, depois de uma revisão do dado inicial, que mostrava uma expansão de 1,9%. parta os próximos trimestres, no entanto, as expectativas são de uma atividade econômica ainda mais lenta.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca