Dinheiro
24/09/2008 - 13h37

Ânimo com Warren Buffet dura pouco e Bolsas européias caem

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da Folha Online

As principais Bolsas européias fecharam em queda nesta quarta-feira, em meio às incertezas em relação ao plano de salvamento do governo dos Estados Unidos para o sistema financeiro do país.

Os mercados chegaram a operar com resultados mistos com a iniciativa do megainvestidor Warren Buffet de investir pelo menos US$ 5 bilhões no Goldman Sachs --ante a perspectiva de duplicar o investimento nos próximos cinco anos. Ele disse que fez o aporte confiante na aprovação do pacote de US$ 700 bilhões de ajuda ao setor financeiro dos EUA.

Em Paris, o CAC 40 recuou 0,61%, para 4.114,54 pontos. Em Londres, o Footsie 100 perdeu 0,79%, a 5.095,57. Em Frankfurt, o DAX caiu 0,26%, a 6.052,87 unidades. Em Madri, o principal indicador do mercado espanhol, o Ibex-35 recuou 0,57%, para 11.112,90 pontos. Na Itália, o índice Mibtel da Bolsa de Milão retrocedeu 0,54% em relação ao fechamento anterior, situando-se aos 20.512 pontos.

A decisão de Buffet, presidente da holding Berkshire Hathaway, foi interpretada pelos investidores e analistas como um voto de confiança no setor financeiro e no fim da turbulência em Wall Street. Na Ásia, as Bolsas fecharam em alta, impulsionadas pela notícia.

Mas a sessão desta quarta-feira na Europa ainda foi marcada pela ansiedade dos investidores a respeito da aprovação do Congresso norte-americano ao pacote de US$ 700 bilhões apresentado no último sábado para a compra de títulos podres no sistema financeiro dos EUA.

"O anúncio de Buffet melhorou a percepção dos investidores no momento", disse o analista Castor Pang, da Sun Hung Kai Financial. "Mas há ainda muitas preocupações a respeito do setor bancário".

A reação crítica dos congressistas ao pacote de ajuda americano vista ontem aumentou as preocupações do mercado. O secretário do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, ressaltaram a necessidade da ajuda, a fim de evitar mais quebras de instituições, como o Lehman Brothers --que pediu concordata no último dia 15.

Bernanke foi ainda mais incisivo : segundo ele, sem o pacote, a escassez de crédito vai impedir novos financiamentos imobiliários e empréstimos para a compra da casa própria, além de aumentar o desemprego. Isso paralisaria a economia e jogaria o país em uma recessão.

Ele voltou a defender hoje o pacote, mais uma vez ressaltando o efeito que a falta de crédito teria sobre os negócios no país, lembrando também que a desaceleração econômica em outros países --que pode se intensificar com a crise americana-- também prejudica os EUA.

Hoje, por exemplo, o instituto alemão de pesquisas econômicas Ifo informou que a confiança empresarial na Alemanha caiu em setembro a seu nível mais baixo em mais de três anos, após a grave crise financeira internacional.

O FBI (Federal Bureau of Investigation, a polícia federal dos EUA) abriu uma investigação sobre denúncias de fraude contra quatro das principais empresas financeiras americanas, que estão na raiz da atual crise: o banco de investimentos Lehman Brothers --que pediu concordata no último dia 15--, as empresas de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac --às quais o Departamento do Tesouro propôs ajudar com US$ 200 bilhões--, e a seguradora AIG --que recebeu do Federal Reserve (Fed, o BC americano) um empréstimo de 85 bilhões.

Em mais uma ação entre bancos centrais, o Fed chegou a um acordo com outros quatro --da Austrália, Dinamarca, Noruega e Suécia-- para injetar US$ 30 bilhões a fim de enfrentar as "elevadas pressões" que existem nos mercados do dólar.

A medida se soma à que o Fed já tomou na semana passada com outros BCs --o BCE (Banco Central Europeu), o Banco da Inglaterra, o Banco do Canadá, o Banco do Japão e o Banco Nacional da Suíça-- para, em conjunto, injetarem nos mercados US$ 247 bilhões.

O BCE também injetou no mercado, hoje, 40 bilhões de euros (US$ 58,7 bilhões) a juros de 4,25% e com um vencimento a um dia. Segundo a autoridade monetária, participaram do leilão 36 bancos comerciais da zona do euro, que pediram 50,335 bilhões de euros (US$ 73,992 bilhões).

 

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