Dinheiro
24/09/2008 - 13h46

Em meio a crise internacional, BC muda compulsório e libera mais dinheiro na economia

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EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

Para reduzir os efeitos da crise internacional sobre a economia brasileira e ajudar as empresas em dificuldade para obter recursos, o BC (Banco Central) anunciou hoje duas mudanças nos depósitos compulsórios das instituições financeiras. A restrição de crédito no sistema mundial é uma das principais características da atual crise que atinge os EUA.

O depósito compulsório obriga que as instituições financeiras recolham junto ao BC parte do dinheiro depositado pelos seus clientes. Com isso, os bancos ficam com menos dinheiro para emprestar e fazer outras operações.

Hoje, as empresas brasileiras estão com dificuldade para conseguir recursos fora do país para investimentos, o que aumenta a dependência delas em relação aos bancos brasileiros. Com mais dinheiro no caixa, os bancos poderão evitar possível falta de liquidez.

Após o anúncio do BC, o presidente do Banco do Brasil, Antônio Francisco de Lima Neto, afirmou que a crise bancária internacional está reduzindo as linhas para financiamento de comércio exterior, mas ainda não considera que haja uma situação crítica.

"Existe de fato nas linhas externas para financiamento de comércio exterior um estreitamento de prazo, mas sob controle. Não temos luz vermelha ou luz amarela", disse Lima Neto. "Está em um momento em que a situação está bastante difícil. Mas continuo atendendo. Somos líderes de financiamento de comércio exterior e, a princípio, dá pra atender."

Ele afirmou ainda que o impacto para o Banco do Brasil e instituições grandes é residual. As medidas atingem principalmente as empresas de leasing e os bancos médios. (clique e entenda)

"Com o objetivo de preservar o sistema financeiro nacional dos efeitos da restrição de liquidez que vem sendo observada no sistema financeiro internacional, o Banco Central do Brasil decidiu fazer as seguintes alterações, de caráter pontual", diz o BC em nota.

Trata-se da segunda ação do BC em menos de uma semana para amenizar os efeitos da crise. Na última sexta-feira, a instituição vendeu US$ 500 milhões aos bancos para ajudar a segurar a alta do dólar.

Medidas

A primeira medida do BC foi adiar o cronograma de implantação do recolhimento compulsório sobre leasing. Em janeiro, o governo decidiu que os bancos deveriam recolher compulsoriamente até 25% dos depósitos captados das empresas de leasing. À época, foi anunciado um cronograma para o aumento gradual dessa alíquota, hoje em 15%.

Com o anúncio de hoje, o recolhimento com base na alíquota de 20%, que seria feito a partir de 14 de novembro de 2008, passa a vigorar em 16 de janeiro de 2009. Já a adoção da alíquota de 25% foi adiada de 16 de janeiro de 2009 para 13 de março de 2009.

A previsão do BC é que o adiamento do recolhimento compulsório sobre leasing deixe na economia R$ 8 bilhões.

O leasing é uma modalidade de crédito que funciona como um aluguel (equipamentos e veículos, principalmente), em que o tomador tem a opção de compra do produto no final do contrato. Segundo dados do BC, as operações de leasing para pessoa física cresceram 7,8% entre junho e julho deste ano --em 12 meses, a modalidade registra crescimento de 141,7% para o consumidor e 78,4% para empresas.

A segunda medida foi ampliar de R$ 100 milhões para R$ 300 milhões o valor a ser deduzido pelas instituições financeiras do cálculo da "exigibilidade adicional" sobre depósitos a prazo, depósitos de poupança e recursos à vista. Segundo cálculos do BC, só esta medida injetará imediatamente R$ 5,2 bilhões na economia do país.

A mudança vai ajudar os bancos médios e pequenos a ter mais crédito. As alíquotas usadas para o cálculo permanecem inalteradas em 8% para os depósitos a prazo, 10% para os depósitos de poupança e 8% sobre os recursos à vista.

 

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