União Européia propõe somar forças com EUA para conter crise
da Efe, em Washington e em Bruxelas
A União Européia (UE) e os Estados Unidos "devem unir forças agora para um novo multilateralismo", que permita às duas áreas econômicas enfrentar juntas a crise, afirmou hoje o presidente da Comissão Européia (CE), José Manuel Barroso.
Em discurso na Universidade de Harvard, Barroso divulgou o que descreveu como "uma carta de Bruxelas ao próximo presidente dos EUA", na qual defende uma "nova agenda atlântica para a globalização".
"Como posso escrever uma carta quando ainda não sabemos quem será o próximo presidente dos EUA?", questionou Barroso.
"A resposta é simples: porque seja qual for o presidente (...) os valores compartilhados entre EUA e UE seguem sendo os mesmos", afirmou.
Segundo Barroso, "nestes tempos de incerteza", os EUA "necessitam da UE mais do que nunca", acrescentou.
"Em ambos os lados do Atlântico devemos manter mercados financeiros abertos e dinâmicos", assinalou Barroso.
"Para alcançar isso precisamos de regras claras e eficazes, talvez regras estabelecidas de comum acordo, quando for apropriado, que assegurem a transparência e a confiança no mercado".
Na carta, Barroso não fez referência à América Latina em sua proposta de política comum.
Salvamento
Na Europa, o comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da União Européia, Joaquín Almunia, disse hoje que o plano de resgate para as entidades financeiras do Departamento do Tesouro americano é uma "boa iniciativa", mas não é a solução no caso do bloco, cuja prioridade deve ser melhorar a regulação do setor.
Almunia, que participou de um debate no Parlamento Europeu sobre a situação nos mercados, reconheceu que a crise atual é "de tal magnitude que excede o conhecido até agora".
O comissário europeu disse confiar em que as medidas de urgência adotadas pelas autoridades dos Estados Unidos, onde o efeito das turbulências é mais severo, contribua para a normalização do mercado, mas insistiu em que "todos devem reagir".
Regulação
Explicou que os Estados-membros não acham necessário um plano como o adotado por Washington, e coincidiu que a UE requer uma estratégia mais ampla, centrada na revisão do modelo de regulação.
Lembrou que a UE já havia decidido há mais de um ano trabalhar para introduzir mais transparência nos mercados financeiros, melhorar a coordenação entre as autoridades de supervisão e estabelecer pautas de resposta em caso de quebra de uma entidade com presença em vários países-membros.
Nesse contexto, disse, a Comissão Européia apresentará nas próximas semanas várias propostas sobre as exigências de capital às entidades financeiras e sobre a regulação das agências de avaliação de riscos, cujo papel ficou em xeque após o começo das turbulências nos mercados.
Leia mais
- Crise faz Tesouro manter cautela e reduzir emissão de dívida
- Estimativa de perdas com crise financeira sobe para US$ 1,3 tri, diz FMI
- Bush promete pacote "robusto" e pode fazer discurso hoje na TV
- Bancos na Europa devem se "preparar para o pior", diz FMI
- Governo não deve pagar muito caro por papéis com problemas, diz Bernanke
Especial
- Leia o que já foi publicado sobre a crise dos EUA
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria


