Dinheiro
24/09/2008 - 23h02

Bush admite que EUA estão imersos em uma "grave crise financeira"

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da Folha Online

Atualizado às 23h36.

O presidente americano, George W. Bush, assumiu que os Estados Unidos estão "imersos em uma grave crise financeira". Em discurso televisionado da Casa Branca, o presidente pediu a aprovação urgente do pacote de US$ 700 bilhões para solucionar a crise financeira no país.

Bush afirmou que foi obrigado a intervir para evitar o pânico financeiro e a recessão. Ele disse que, se a ajuda não for aprovada, poupanças serão perdidas, os despejos aumentarão, empregos serão perdidos, empresas vão fechar e o país irá mergulhar em "uma longa e dolorosa recessão."

Entenda a crise financeira que atinge os EUA

"Eu tenho profunda crença nas trocas comerciais livres, por isso me oponho à qualquer intervenção do governo", disse. Mas essas "não são circunstâncias normais. Os mercados não estão funcionando corretamente. Há uma disseminação da perda da confiança."

Reuters
Na TV, Bush admite que os EUA estão imersos em crise financeira: "Sem ação do Congresso, os EUA podem afundar em pânico".
Na TV, Bush admite que os EUA estão imersos em crise financeira: "Sem ação do Congresso, os EUA podem afundar em pânico".

"Sem ação imediata do Congresso, os EUA podem afundar em um pânico profundo", declarou o presidente na noite desta quarta-feira. "Esse esforço de resgate não se destina a preservar alguma empresa ou setor em particular. Ele pretende preservar a economia como um todo", afirmou o presidente.

Tentando explicar onde começou toda a crise, o presidente afirmou que o colapso das gigantes financeiras teve origem a partir problema no crédito "subprime" (empréstimos imobiliários de segunda linha) no setor hipotecário, que teve enorme desenvolvimento na última década.

Pacote

Pouco antes do pronunciamento de Bush, a Casa Branca informou que convidou os candidatos à Presidência dos EUA, Barack Obama e John McCain --que são senadores--, além de líderes do Congresso, para um encontro nesta quinta-feira (25), a fim de tentar chegar a um acordo sobre o pacote.

McCain e Obama divulgaram um comunicado conjunto, no qual pediram que democratas e republicanos no Congresso trabalhem em conjunto. "Esse é o tempo de superarmos a política pelo bem do país (...) Não podemos nos arriscar a uma catástrofe econômica", diz o documento.

Mais cedo, nesta quarta-feira, Bush afirmou saber que o plano --que ainda circula no Congresso à espera da aprovação-- provocaria debates acalorados no Congresso americano.

"Nosso processo legislativo está cheio de toma lá da cá", disse Bush em uma reunião para promoção de acordos de livre comércio. "Mas quando tudo tiver sido dito e feito, teremos um plano robusto", acrescentou.

Ontem, Bush disse, em discurso na 63ª Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), que o governo dos EUA tem tomado "atitudes ousadas para evitar efeitos devastadores" na economia do país.

"Na semana passada eu anunciei um plano decisivo para manter as raízes da estabilidade (...) Posso garantir que meu governo está trabalhando para aprovar esta estratégia. Precisamos agir com a urgência que a crise precisa", disse. "Precisamos trabalhar em termos de metas e nos mantermos firmes em relação às nossas propostas."

O plano de resgate prevê a liberação de até US$ 700 bilhões de dinheiro público para recomprar os ativos podres acumulados pelos bancos com a crise de créditos "subprime" (empréstimos imobiliários de segunda linha).

Crise

Nesta quarta-feira o FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgou um panorama bastante desanimador sobre os prejuízos causados pela crise na economia americana.

O diretor-geral do fundo, Dominique Strauss-Kahn, disse que o custo da crise financeira global pode chegar a US$ 1,3 trilhão, contra uma estimativa anterior de US$ 1 trilhão a US$ 1,1 trilhão, segundo a porta-voz do Fundo, Conny Lotze.

Mitch Dumke/Reuters
Paulson (à esq.) e Bernanke defendem a aprovação rápida do plano de resgate
Paulson (à esq.) e Bernanke defendem a aprovação rápida do plano de resgate

O secretário do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, compareceram ao Congresso nos dois últimos dias para enfatizar a necessidade de ter a aprovação rápida do plano.

Bernanke disse nesta quarta que um agravamento da crise financeira pode ser um forte obstáculo ao crescimento dos negócios nos EUA, o que pode acabar pesando sobre a economia.

Nem consumidores nem empresas conseguiram financiamentos, o que provocaria uma paralisia na economia americana, disse. "A intensificação da pressão financeira nas últimas semanas, que tornarão as instituições de crédito mais cautelosas em liberar financiamentos a domicílios e empresas, pode se provar um peso significativo para o crescimento", afirmou.

"O risco de baixa para o cenário do crescimento continua, assim, a ser uma preocupação expressiva", acrescentou.

Bernanke disse ainda que a economia americana no segundo semestre deve se manter em ritmo fraco; o consumo deve desacelerar com um aumento do desemprego, um encolhimento dos salários e o fim do programa de estímulo aprovado pelo governo em fevereiro deste ano. A desaceleração das economias dos outros países também não está ajudando, disse.

Recessão

Na terça-feira (23), ao lado de Paulson, Bernanke disse ao comitê bancário que a economia americana corre o risco de entrar em recessão, com o aumento do desemprego e do número de despejos, se o Congresso não aprovar o pacote.

"Os mercados financeiros estão em condição frágil e acredito que, na ausência de um plano, eles fiquem em situação pior", disse Bernanke. "Acredito que se os mercados de crédito não estiverem funcionando, empregos serão perdidos, nossa taxa de crédito vai aumentar, mais despejos vão ocorrer, o PIB [Produto Interno Bruto] vai contrair e a economia não vai conseguir se recuperar de um modo normal."

Uma economia com dois trimestres consecutivos de PIB negativo está em recessão, segundo analistas. A economia dos EUA cresceu 3,3% no segundo trimestre, depois de uma revisão do dado inicial, que mostrava uma expansão de 1,9%. para os próximos trimestres, no entanto, as expectativas são de uma atividade econômica ainda mais lenta.

David Karp/AP
Atual momento da crise começou na semana passada, com a quebra do Lehman Brothers
Atual momento da crise começou na semana passada, com a quebra do Lehman Brothers

Origem

O atual momento da crise financeira americana começou na semana passada, quando o banco de investimentos Lehman Brothers pediu concordata, depois de semanas tentando encontrar um modo de captar recursos para honrar seus compromissos.

Outras instituições privadas se recusaram a conceder crédito ao Lehman, e o governo também não cedeu. Com isso, o banco quebrou.

Além disso, o banco de investimentos Merrill Lynch foi vendido ao Bank of America e a seguradora AIG, perto de um fim como o Lehman, conseguiu do Fed um empréstimo de US$ 85 bilhões.

No início do mês já havia sinais de agravamento da situação: as duas gigantes hipotecárias americanas Fannie Mae e Freddie Mac, também sem caixa, levaram o Tesouro a preparar uma ajuda de US$ 200 bilhões, para manterem as portas abertas. As duas, no entanto, passaram a ser controladas pelo governo, através da FHFA (Federal Housing Finance Agency), a agência financeira federal para o setor imobiliário residencial.

Com Efe

Comentários dos leitores
Olmir Antonio de Oliveira (66) 29/11/2009 13h10
Olmir Antonio de Oliveira (66) 29/11/2009 13h10
A respeito de direitos condominal. Mesmo pensando se r uma coisa absurda o condomino depender da intervenção ou intermediação "externa" para solucionar questões, que sequer deveriam existir. Espero que no ato, na lei do deputado, seja instituido de maneira profissional, em em prol da imparcialidade, em rol dos direitos da cidadania e de pessoas de boa fé. Se de prioridade para profissionais qualificados, auditores de contas e contratatos, especialistas em direitos humanos, tecnicos auditores em processos construtivos e ou de reformas, tecnicos especialistas em segurança e assuntos correlatos, especialistas em criminalistica, em esquemas contra patrimônios, bens e direitos, creio que uma meia duzia de especialistas. Pode parecer serem coisas sem importancia, mas na atualidade isto já é tido como um nascedouro de criminalidade que estão se ramificando para a politica em todos os niveis e todos os graus da ciminalidade e subversão da ordem pública. Certamente não vai precisar de uma grande extrutura, mas sim de bom profissionais, idoneos, e habeis negociadores e ou interventores, pessoas capazes de restabelecer a boa ordem geral, independente do nivel e ou graduação das pessoas e ou "condominios" emvolvidos.... Direitos e deveres a todos, nada de imposições, por qualquer razão e ou causa, de força fisica e ou até ade uso ou abuso de poder econômico.... sem opinião
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Olmir Antonio de Oliveira (66) 29/11/2009 12h05
Olmir Antonio de Oliveira (66) 29/11/2009 12h05
A Respeito de questões condominial. Existem bons administradores, bons condominos, mas o inverso para para os dois lados também é verdadeiro. Mas dado o grande poder atribuido a certas pessoas, existindo casos extremos, aberrações, questões de direitos humanos, de coisas basicas, a esquemas elaboradissimos, coisa própias a mentalidade de bandidos e ou quadrilheiros, e quase sempre fazem atos de maneira aparentemente legal, e ou concentidas, mesmo que de maneira e ou favor de falsa legitimidade e ou legalidade, coisas que vão de contra o bem comum, do condomínio e dos condominos a contra os direitos pessoais, moral, ético e do patrimônio e ou de direitos de toda ordem e sorte. Este tipo de "Deuses" "coronéis" "ditadores" "carrascos","marginais", subversivos" sequer suportão a ação de instituição legal que seja em prol dos direitos e da lei, sequer resistem a uma boa auditoria. Atificio e apelação que sempre fazem empuram ao condomino as custas de possiveis auditorias, ações, laudos. Fazem os absurdos de toda ordem e sorte, picaretagem, isto quando não ameaçam a integridade fisica, moral, e ética do prejudicado reclamante por direitos minimos.......... sem opinião
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Olmir Antonio de Oliveira (66) 29/11/2009 11h38
Olmir Antonio de Oliveira (66) 29/11/2009 11h38
A respeito de questões condominial. Boa iniciativa do deputado. Apesar de ser contra a exist~encia da nescessidade de ter se precisar de intermediante, julgar. Mas com se diz falta simancol. Geralmente se elege um síndico, inicialmente geralmente nomeado pelo "construtor". Com o passar do tempo e geralmente usando de artificios viram monstros, verdadeiros ditadores, em alguns casos pessoas totalmente despreparadas e ou má intensionadas que chegam a fazer de tudo anti ético, ou democrático, manipuladores da vida de até milhares de vidas de pessoas, em casos sequer dão os direito de ser humanos, chegam a se intitular "deuses" os donos do poder, e da vida alheia. Existindo casos que vão alem da beira do absurdo, roubos, desfalques, e coisas relacionadas a estelionato. Conselheiros, e fiscais nem sempre são o suficiente, e em muitos casos são coniventes e passam também agir de má fé e ou são os propios patrocinadores de absurdos. Grande falta e ou falsa moralidade é ou de ética. Casos de ocorrencias que quando comparados a pequenos municípios são coisas até muito mais escandolosas e ou absurdas. O ideal seria sequer ter e ou se prcisar de tal tipo de instituição, falta conciência a grande número de pessoas, existe certo tipo de brasileiro que na menor oportunidade vai fazer de tudo para se apropiar dos direitos e até de "bens" do proximo, superfaturamento de obras e na aquisições de insumos, não só obra dos políticos"institulunizados', exemplos de ocorrencias não faltam, todo... sem opinião
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