EUA perderão status de potência do sistema financeiro, declara Alemanha
da Efe, em Berlim
da Folha Online
O ministro de Finanças alemão, Peer Steinbrück, afirmou nesta quinta-feira que os Estados Unidos "perderão seu status de grande potência do sistema financeiro mundial", como conseqüência da grave crise que atinge os mercados internacionais.
"O mundo não voltará a ser como era antes da crise", disse Steinbrück no começo de um pronunciamento do Governo ao Parlamento federal alemão, para informar sobre a crise financeira, suas conseqüências e as soluções para enfrentá-la.
No começo de seu discurso, o responsável do Tesouro alemão ressaltou que "até agora a gestão internacional da crise funcionou" e não ocorreu "o temido colapso do sistema financeiro". Em seguida, o político afirmou que os cidadãos não devem temer por suas economias.
Ele reconheceu que "a economia real inevitavelmente sofrerá" com a atual crise, e afirmou que o crescimento cairá e que o desemprego aumentará.
Além disso, Steinbrück afirmou que ainda não é possível conhecer o alcance que a crise terá para os orçamentos, apesar de não ter sido registrada ainda uma diminuição das receitas fiscais.
Após exigir "novas regras de trânsito" para os mercados financeiros internacionais, o ministro ressaltou que a crise "é, especialmente, um problema americano", e criticou Washington por atuar de maneira negligente.
Steinbrück reiterou sua rejeição a iniciar em seu país um plano de resgate para os bancos em crise similar ao pacote de US$ 700 bilhões que é preparado por Washington.
"Pior"
Ontem, o jornal alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung" publicou uma entrevista com o diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, sobre a crise. Ele afirmou que os bancos europeus devem "se preparar para o pior" cenário dentro da situação de crise financeira, ainda que estejam em melhor condição que as instituições bancárias nos EUA.
"Os bancos europeus sofreram perdas (...) mas, no geral estão em melhor condição que os americanos. Ao mesmo tempo, é preciso alertar os [bancos] europeus para se prepararem para o pior cenário", disse. "Não devemos nos esquecer que esta é, em primeiro lugar, uma crise americana (...) Portanto, o trabalho de lidar com ela deve ser empreendido primeira e principalmente pelos EUA."
O diretor do Fundo ainda destacou que a crise, "em certa medida, é um resultado dos excessos recentes" no mercado financeiro e que o sistema regulatório do mercado financeiro americano "não é forte o suficiente".
"A regulamentação nos EUA não manteve o ritmo das mudanças ágeis nos mercados financeiros. A supervisão governamental é muito fragmentada. Parece que a necessidade de reforma, para uma nova arquitetura financeira, não foi vista a tempo", afirmou.
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