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Dinheiro
25/09/2008 - 14h16

Negociação sobre pacote nos EUA fez "progresso significativo", diz Casa Branca

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da Folha Online

As negociações para fechar um acordo sobre o pacote de US$ 700 bilhões destinado a ajudar o setor financeiro alcançaram "progresso significativo", informou nesta quinta-feira a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

"Acredito que fizemos progresso significativo, temos um esboço sobre o qual poderemos concordar", disse Perino. "E esperamos fazer isso rapidamente."

Ela não ofereceu detalhes sobre o andamento das negociações, ou eventuais concessões feitas para fechar o acordo, no entanto.

Entenda a crise financeira que atinge os EUA

"Demos alguns passos adiante, e eles [no Congresso] deram alguns passos em nossa direção", afirmou a porta-voz. "Assim, estamos nos aproximando de um consenso e vamos tentar levar isso em direção a uma conclusão hoje."

O presidente dos EUA, George W. Bush, pretende se encontrar hoje às 17h (em Brasília) com líderes democratas e republicanos na Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) e no Senado, além dos candidatos à Presidência dos EUA, Barack Obama (democrata), e John McCain (republicano).

Perino enfatizou a urgência em se aprovar o pacote, destacando a forte pressão sobre os mercados de crédito que a crise pode exercer.

A presidente da Casa, a democrata Nancy Pelosi, disse hoje que a Casa Branca aceitou os quatro princípios básicos que os democratas do Congresso querem acrescentar ao plano de resgate. "Desde quinta-feira passada, está claro para a administração [Bush] que (...) os quatro princípios dos quais falamos são: a indulgência [com os proprietários de imóveis insolventes], a transparência, a igualdade e a remuneração dos dirigentes de empresas financeiras", enumerou Pelosi.

"O presidente as aceitou ontem à noite, e é portanto um progresso", disse. O presidente do Comitê de Bancos do Senado, o democrata Christopher Dodd, afirmou por sua vez que foi alcançado um acordo sobre os fundamentos do pacote.

TV

Ontem, em discurso na TV, Bush disse que os Estados Unidos estão "imersos em uma grave crise financeira" e pediu a aprovação urgente do pacote. O presidente afirmou que foi obrigado a intervir para evitar o pânico financeiro e a recessão. WSe a ajuda não for aprovada, poupanças serão perdidas, os despejos aumentarão, empregos serão perdidos, empresas vão fechar e o país irá mergulhar em "uma longa e dolorosa recessão", disse.

"Eu tenho profunda crença nas trocas comerciais livres, por isso me oponho à qualquer intervenção do governo", disse. Mas essas "não são circunstâncias normais. Os mercados não estão funcionando corretamente. Há uma disseminação da perda da confiança".

Nesta terça-feira (23), Bush disse, em discurso na 63ª Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), que o governo dos EUA tem tomado "atitudes ousadas para evitar efeitos devastadores" na economia do país.

"Na semana passada eu anunciei um plano decisivo para manter as raízes da estabilidade (...) Posso garantir que meu governo está trabalhando para aprovar esta estratégia. Precisamos agir com a urgência que a crise precisa", disse. "Precisamos trabalhar em termos de metas e nos mantermos firmes em relação às nossas propostas."

Tesouro e Fed

O secretário do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, compareceram ao Congresso nos dois últimos dias para enfatizar a necessidade de ter a aprovação rápida do plano.

Bernanke disse nesta quarta que um agravamento da crise financeira pode ser um forte obstáculo ao crescimento dos negócios nos EUA, o que pode acabar pesando sobre a economia.

Nem consumidores nem empresas conseguiram financiamentos, o que provocaria uma paralisia na economia americana, disse. "A intensificação da pressão financeira nas últimas semanas, que tornarão as instituições de crédito mais cautelosas em liberar financiamentos a domicílios e empresas, pode se provar um peso significativo para o crescimento", afirmou. "O risco de baixa para o cenário do crescimento continua, assim, a ser uma preocupação expressiva."

Bernanke disse ainda que a economia americana no segundo semestre deve se manter em ritmo fraco; o consumo deve desacelerar com um aumento do desemprego, um encolhimento dos salários e o fim do programa de estímulo aprovado pelo governo em fevereiro deste ano. A desaceleração das economias dos outros países também não está ajudando, disse.

Na terça, Bernanke disse ao comitê bancário que a economia americana corre o risco de entrar em recessão, com o aumento do desemprego e do número de despejos, se o Congresso não aprovar o pacote.

"Os mercados financeiros estão em condição frágil e acredito que, na ausência de um plano, eles fiquem em situação pior", disse Bernanke. "Acredito que se os mercados de crédito não estiverem funcionando, empregos serão perdidos, nossa taxa de crédito vai aumentar, mais despejos vão ocorrer, o PIB [Produto Interno Bruto] vai contrair e a economia não vai conseguir se recuperar de um modo normal."

Uma economia com dois trimestres consecutivos de PIB negativo está em recessão, segundo analistas. A economia dos EUA cresceu 3,3% no segundo trimestre, depois de uma revisão do dado inicial, que mostrava uma expansão de 1,9%. para os próximos trimestres, no entanto, as expectativas são de uma atividade econômica ainda mais lenta.

Origem

O atual momento da crise financeira americana tem em sua raiz a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, a venda do Merrill Lynch ao Bank of America e os problemas da seguradora AIG, que precisou de um empréstimo de US$ 85 bilhões do Fed --todos eventos ocorridos na semana passada.

No início do mês já havia sinais de agravamento da situação: as duas gigantes hipotecárias americanas Fannie Mae e Freddie Mac, também sem caixa, levaram o Tesouro a preparar uma ajuda de US$ 200 bilhões, para manterem as portas abertas. As duas, no entanto, passaram a ser controladas pelo governo, através da FHFA (Federal Housing Finance Agency), a agência financeira federal para o setor imobiliário residencial.

Comentários dos leitores
Eduardo Giorgini (444) 04/12/2009 11h31
Eduardo Giorgini (444) 04/12/2009 11h31
Concordo!
Os especialistas se baseam em economias de primeiro mundo, onde as pessoas são mais "mimadas" e dependentes das parafernálias de consumo ficando mais vulneráveis à crises.
Nós, brasileiros, estamos acostumados com a crise. Temos uma cultura de recessão ao longo de nossa história, ou seja, não sofremos muito com eventuais problemas economicos.
Para viver no Brasil, tem que ser forte e lutador
[]s
Eduardo.
2 opiniões
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mauro guanandi (50) 04/12/2009 10h32
mauro guanandi (50) 04/12/2009 10h32
sENHOR cELSO. eSTAS CERTO QUANTO AO PETRÓLEO.
O que me preocupa é q nesta aventura serao gastos 2/3 do Pib; talvez em algo inútil - em minha opiniao a dependencia do petroleo tende a diminuir com o avança cientifico de outras formas. Mas encherá os bolsos da tchurma como NUNCA ANTEZ NA HIZTÓRIA.
goebbels se revira no tumulo. a turma da propaganda do governo é mais eficiente. Bom, o povo sendo mais inculto facilita.
Diga-ma qual o erro deportugues mais forte que vistes...eu vi um tal de eduardo Souza num forum escrever falço. Voce viu algo pior?
sem opinião
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celso assis (79) 03/12/2009 10h03
celso assis (79) 03/12/2009 10h03
Falando ironicamente :
Estou indignado com este Sr Krugman, premio Nobel de Economia, com o que ele falou sobre o Brasil. Ele positivamente não sabe nada, e deveria fazer estágio com:
- certos comentaristas de tele jornais que foram outrora famosos, e boa parte de midia - influenciadores que foram influenciados por algum fator motivacional,
- nossos banqueiros e empresários em que só os otários acreditam,
- pessao ligado a Bovespa, Creci, Secovi que só falam o que lhes interessam.
Afinal de contas Sr. Krugman, nós temos a Copa de 2014, e Olimpiadas de 16, tb com apagões energéticos, aéreos, transito caótico, saneamento básico ruim, dengue, meningite, politicos, etc
Olha tb temos o pré-sal, que produzirá no final da década que ainda vais iniciar-se, o óleo mais "salgado" do mundo. Para extrai-lo vão ser necessário muitos dolares por barril, muitas vezes mais que nos outros Paises. Lógico que qto mais se gasta, menso se ganha.
Bem feito sr. Krugman, o Jornal da Band, e o Nacional boicotaram vc, e nada noticiaram sobre seus palpites furados.
E VIVA NÓIS
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