Dinheiro
25/09/2008 - 14h56

Congressistas chegam a acordo para votar pacote de ajuda financeira nos EUA

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da Folha Online

Atualizado às 15h16

Após uma reunião de mais de duas horas, congressistas republicanos e democratas chegaram a um "acordo fundamental" para votar o pacote de ajuda ao setor financeiro, de US$ 700 bilhões, proposto pelo Departamento do Tesouro no último sábado.

O grupo de nove congressistas não revelou detalhes da negociação que levou a um acordo, mas o senador republicano Robert Bennett disse, segundo o diário americano "The Wall Street Journal", estar otimista; segundo ele, os congressistas chegaram "a um plano que vai passar pela Casa [dos Representantes, a Câmara dos Deputados dos EUA] e pelo Senado".

Entenda a crise financeira que atinge os EUA

"Chegamos a um acordo em uma série de pontos importantes", disse o presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Casa, o democrata Barney Frank. "Acredito que aprovaremos esse pacote antes dos mercados abrirem na segunda-feira [29]", afirmou por sua vez o senador republicano Bob Corker.

Susan Walsh/AP
O senador e presidente do Comitê de Bancos do Senado, Christopher Dodd (centro)
O senador e presidente do Comitê de Bancos do Senado, Christopher Dodd (centro)

O senador democrata e presidente do Comitê de Bancos do Senado, Christopher Dodd, disse que os legisladores americanos irão agir "com presteza" para aprovar o pacote, que permitirá ao Departamento do Tesouro comprar no mercado financeiro papéis de risco, como os lastreados por hipotecas "subprime" (que reúne clientes com histórico de crédito duvidoso).

O acordo a que os congressistas chegaram deve incluir medidas que não estavam na proposta original do secretário do Tesouro, Henry Paulson, como limites às remunerações dos executivos dos bancos beneficiados pelo pacote, além de algum instrumento para que o governo recupere parte dos US$ 700 bilhões que pretende empregar para enxugar do mercado os títulos de risco.

Os parlamentares americanos que estiveram na reunião pretendem conversar com suas bancadas na Casa e no Senado antes do encontro marcado hoje com o presidente Bush, além dos candidatos à Presidência dos EUA, Barack Obama (democrata) e John McCain (republicano), às 17h (em Brasília) na Casa Branca.

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse hoje que as negociações para fechar o acordo sobre o pacote alcançaram "progresso significativo". "Acredito que fizemos progresso significativo, temos um esboço sobre o qual poderemos concordar", disse Perino. "E esperamos fazer isso rapidamente."

Ela não ofereceu detalhes sobre o andamento das negociações, ou eventuais concessões feitas para fechar o acordo, no entanto. "Demos alguns passos adiante, e eles [no Congresso] deram alguns passos em nossa direção', afirmou a porta-voz, antes das declarações dos congressistas. "Assim, estamos nos aproximando de um consenso e vamos tentar levar isso em direção a uma conclusão hoje."

Reuters
Na TV, Bush admite que os EUA estão imersos em crise financeira: "Sem ação do Congresso, os EUA podem afundar em pânico"
Na TV, Bush admite que os EUA estão imersos em crise financeira: "Sem ação do Congresso, os EUA podem afundar em pânico"

Perino enfatizou a urgência em se aprovar o pacote, destacando a forte pressão sobre os mercados de crédito que a crise pode exercer.

Bush

Ontem, em discurso na TV, Bush disse que os Estados Unidos estão "imersos em uma grave crise financeira" e pediu a aprovação urgente do pacote. O presidente afirmou que foi obrigado a intervir para evitar o pânico financeiro e a recessão. "Se a ajuda não for aprovada, poupanças serão perdidas, os despejos aumentarão, empregos serão perdidos, empresas vão fechar e o país irá mergulhar em 'uma longa e dolorosa recessão", disse.

"Eu tenho profunda crença nas trocas comerciais livres, por isso me oponho à qualquer intervenção do governo", disse. Mas essas "não são circunstâncias normais. Os mercados não estão funcionando corretamente. Há uma disseminação da perda da confiança".

Origem

O atual momento da crise financeira americana tem em sua raiz a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, a venda do Merrill Lynch ao Bank of America e os problemas da seguradora AIG, que precisou de um empréstimo de US$ 85 bilhões do Fed --todos eventos ocorridos na semana passada.

No início do mês já havia sinais de agravamento da situação: as duas gigantes hipotecárias americanas Fannie Mae e Freddie Mac, também sem caixa, levaram o Tesouro a preparar uma ajuda de US$ 200 bilhões, para manterem as portas abertas. As duas, no entanto, passaram a ser controladas pelo governo, através da FHFA (Federal Housing Finance Agency), a agência financeira federal para o setor imobiliário residencial.

Comentários dos leitores
joao martins (68) 27/11/2009 18h42
joao martins (68) 27/11/2009 18h42
Espero que o Governo não tenha emprestado dinheiro pros ricos, pois a saude está em frangalhos, por falta de dinheiro.Aqueles predios de 500 e 800 metros, eles poderiam penhorar e pagar todas as dividas. Não venham com a historia de que Dubai vai derrubar o mercado, pois é um desrespeito à inteligencia humana.. sem opinião
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celso assis (70) 27/11/2009 18h04
celso assis (70) 27/11/2009 18h04
Efeito Dubai. Posso estar errado e torço para isto mas em passado recente, a reação inicial das OTORIDADES foi a mesma. Isto demostra que quem engana uma vez perde a confiabilidade. 1 opinião
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carlos quintela (14) 27/11/2009 16h34
carlos quintela (14) 27/11/2009 16h34
Gostaria e ver um artigo da Eliane Cantanhede (especialista e admiradora do Sheik de Dubai) sobre a situação. Onde será que ele está escondida. 5 opiniões
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