Dinheiro
26/09/2008 - 00h57

Reunião fracassa e congressistas vêem plano de socorro nos EUA mais distante

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da Folha Online

Os congressistas americanos suspenderam na noite desta quinta-feira (25) sua última tentativa de negociação do plano de socorro financeiro proposto pelo Tesouro dos Estados Unidos, de US$ 700 bilhões, em meio ao caos gerado pelo impasse entre democratas e republicanos sobre a proposta. O diálogo deve ser retomado nesta sexta-feira, mas sem sinais de um acordo.

Entenda a crise financeira que atinge os EUA

Após a primeira tentativa de decidir sobre o pacote, o líder da maioria do Senado, o democrata Harry Reid, lamentou os poucos progressos alcançados até o momento. "Sinceramente, não aconteceu nada nas últimas horas que possa nos ajudar no processo", afirmou.

O presidente americano, George W. Bush, que realizou uma reunião inédita para discutir a crise financeira, na Casa Branca, esperava chegar "muito rapidamente" a um acordo, o que não ocorreu. Nenhum acordo final foi alcançado.

Os parlamentares estão "resolvendo isso", disse o porta-voz do senador Reid. "Ainda há muitas questões a serem resolvidas. Estamos avançando, mas ainda há muito o que discutir", afirmou. A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, afirmou que governo e os legisladores continuam a trabalhar juntos para aprovar o pacote.

Pablo Martinez Monsivais/AP
Presidente Bush se reúne com líderes do Congresso para discutir a crise financeira e tentar fechar um acordo para colocar em prático um socorro bilionário
Bush se reúne com líderes do Congresso para discutir a crise e tentar um acordo sobre o socorro proposto pelo Tesouro

Bush reuniu os candidatos democrata e republicano à Casa Branca, Barack Obama e John McCain, respectivamente, para o diálogo. Participaram ainda as lideranças dos dois partidos no Senado e na Câmara dos Representantes (Deputados).

Embate

O encontro de ontem acabou com críticas mútuas entre republicanos e democratas. Obama afirmou que "é muito frustrante para os democratas ter visto a má administração que ocorreu nos últimos anos e sentir que temos de nos envolver e fazer algo".

Líderes dos dois partidos chegaram a anunciar um acordo quanto às bases do plano, mas John McCain afirmou saber que o progresso no encontro não seria tão grande como parecia.

"Nunca houve um acordo, mas eu acredito que a reunião foi importante para mover o processo adiante", afirmou o candidato republicano. "Ela nos deu um senso renovado de urgência e estou confiante de que teremos progresso, estou confiante de que chegaremos a uma conclusão."

A porta-voz da Casa Branca ressaltou a opinião do governo sobre o plano: "É clara a necessidade de urgência e entendimento para estabilizarmos mercados financeiros e prevenir uma pesada crise que afetará todos nos Estados Unidos", afirmou Dana Perino.

Já o democrata Obama defendeu a despolitização do debate em torno do plano econômico. "Injetar política em negociações delicadas cria mais problemas que soluções", afirmou. Para ele, os trabalhos teriam tido mais resultados se a política não estivesse não presente. "É incrível o que acontece quando as câmeras estão desligadas", disse ainda o presidenciável à CNN.

Bolsas

As Bolsas norte-americanas fecharam em alta ontem, impulsionadas pela perspectiva da aprovação do plano de resgate aos bancos. O impasse ainda não havia surgido quando os mercados encerraram os pregões.

A Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês) ganhou 1,82% no DJIA (Dow Jones Industrial Average), encerrando a 11.022,06 pontos, enquanto o Nasdaq avançou 1,43%, a 2.186,57 pontos. O índice ampliado Standard & Poor's 500, por sua vez, aumentou 1,97% (23,31 pontos), para 1.209,18 pontos.

Acompanhando a mudança de humor nas Bolsas internacionais, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) teve avanço significativo, enquanto o câmbio desceu para R$ 1,82. O termômetro da Bolsa paulista, o Ibovespa, encerrou o dia 3,98% mais alto, atingindo os 51.828 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,23 bilhões.

Nos mercados asiáticos, a expectativa já não é tão boa, e analistas prevêem outro dia negativo com o temor dos investidores sobre a falta de um acordo para salvar os bancos. As Bolsas começaram a operar nesta sexta-feira no vermelho, com o Nikkei (Bolsa de Tóquio) recuando para -0,98% às 13h19 (local) e outros mercados abrindo em baixa.

Comentários dos leitores
Richard Adams (21) 26/11/2009 17h56
Richard Adams (21) 26/11/2009 17h56
Marcelo, concordo também com vc. Mas qdo pensamos em paises ricos, nos vem à mente normalmente USA e Zona do Euro.
Veja o que aconteceu hj com Dubai. Há outros vários.
Também acho que a palavra "quebrar"é muito forte, e de fato não deve acontecer. Aliás quem alertou sobre isso hj foi a OMC.
Tudo isso reforça o que venho escrevendo por aqui há algum tempo...tem muita gente eufórica, achando que tá tudo índo bem, que 2010 vai ser uma beleza e ao meu ver não vai ser não. Esse estória de o Brasil se achar uma ilha de prosperidade enquanto o mundo ainda estremeçe é muita arrogancia e merece cuidados extremos.
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Luiz Antonio (43) 26/11/2009 16h00
Luiz Antonio (43) 26/11/2009 16h00
Quem lê a FSP, em especial, sempre acredita que o Brasil está a véspera de quebrar, como na época do FHC (PSDB). Mas o país continua crescendo cada vêz mais e distribuindo riqueza.
Quando ao fundo de Dubai, só deslumbrado gosta daquele pedaço de deserto com uma torre espetada.
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É aí que mora o perigo! Esses ricos do petróleo, fonte que começa a "secar", não só pelo seu esgotamento em sí, mas pela urgente necessidade de mudança da matriz energética, hoje e sempre, a maior vilã contra a natureza. Esses povos, acostumaram-se a nadar nababescamente no óleo negro, que se transformou em ouro, mais pelos seus marajás das mil e uma noites, pensando que certamente isso duraria eternamente, como os seus reinados. Mas, nada é para sempre e quando começar a ruir, "sai de perto", como diz o refrão popular e esteja a mil e uma noites de distância, porque nem Alá, Maomé ou aiatolá, desatolará.
Abençoado é aquí, onde fura-se um poço e encontra-se água. Nem ouro,nem diamante, nem urânio, nem nada, nada vale. Água e oxigênio, ainda temos as maiores riquezas. De quê reclamar!
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