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Dinheiro
26/09/2008 - 05h34

Bolsas asiáticas caem com impasse em acordo financeiro nos EUA

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da Folha Online

As Bolsas asiáticas reagiram com cautela ao impasse nas negociações do plano de socorro ao setor financeiro americano e ao anúncio da compra do banco Washington Mutual pelo JP Morgan. A semana das asiáticas fechou com perdas leves, quando analistas achavam que os mercados poderiam registrar quedas comparáveis às da semana passada --quando as Bolsas registraram suas piores perdas desde o 11 de Setembro.

O Nikkei, índice que mede os negócios da Bolsa de Tóquio (Japão), fechou seu oitavo dia consecutivo de queda com recuo de 0,94%, em meio ao temor de que os Estados Unidos rejeitem o projeto de US$ 700 bilhões para salvar sua economia. No Japão, o Banco Central já injetou mais de US$ 110 bilhões para aumentar a liqüidez do mercado.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou 1,13%, aos 18.720,60 pontos. Na Austrália, o recuo foi de 0,53%; em Seul (Coréia do Sul), a Bolsa caiu 1,68%; em Xangai, a desaceleração foi de 0,16%.

"Nesta manhã, parecia que o plano estaria sendo fechado, mas agora tudo parece muito distante", afirmou Fujio Ando, do Chibagin Asset Management. O economista faz uma previsão amarga para o mercado americano nesta sexta: "Por tudo o que sabemos, Wall Street pode cair de 300 a 400 pontos."

Na Ásia, o dia foi de espera. "Não é momento nem de vender tampouco de comprar. Tudo é especulação, e não podemos nos mover desse jeito", disse Yutaka Miura, do Shinko Securities. O mercado todo agora espera a abertura de Wall Street para saber que tipos de estrago o impasse nos EUA vai causar.

Resgate econômico

Os congressistas americanos suspenderam na noite desta quinta-feira (25) sua última tentativa de negociação do plano de socorro financeiro proposto pelo Tesouro dos EUA, em meio ao caos gerado pelo impasse entre democratas e republicanos sobre a proposta.

Pablo Martinez Monsivais/AP
Presidente Bush se reúne com líderes do Congresso para discutir a crise financeira e tentar fechar um acordo para colocar em prático um socorro bilionário
Bush se reúne com líderes do Congresso para discutir a crise e tentar um acordo sobre o socorro proposto pelo Tesouro

Os legisladores prometeram retomar o diálogo nesta sexta-feira, mas não deram sinais de qualquer acordo.

O presidente americano, George W. Bush, que realizou uma reunião inédita para discutir a crise financeira, na Casa Branca, esperava chegar "muito rapidamente" a um acordo, o que não ocorreu. Estiveram presentes os candidatos democrata e republicano à Casa Branca, Barack Obama e John McCain, respectivamente, e as lideranças dos dois partidos no Senado e na Câmara dos Representantes (Deputados).

O líder da maioria do Senado, o democrata Harry Reid, lamentou os poucos progressos alcançados. "Sinceramente, não aconteceu nada nas últimas horas que possa nos ajudar no processo", afirmou.

O encontro de ontem acabou com críticas mútuas entre republicanos e democratas. Obama afirmou que "é muito frustrante para os democratas ter visto a má administração que ocorreu nos últimos anos e sentir que temos de nos envolver e fazer algo".

Líderes dos dois partidos chegaram a anunciar um acordo quanto às bases do plano, mas John McCain afirmou saber que o progresso no encontro não seria tão grande como parecia.

"Nunca houve um acordo, mas eu acredito que a reunião foi importante para mover o processo adiante", afirmou o candidato republicano. "Ela nos deu um senso renovado de urgência e estou confiante de que teremos progresso, estou confiante de que chegaremos a uma conclusão."

Já o democrata Obama defendeu a despolitização do debate em torno do plano econômico. "Injetar política em negociações delicadas cria mais problemas que soluções", afirmou. Para ele, os trabalhos teriam tido mais resultados se a política não estivesse não presente. "É incrível o que acontece quando as câmeras estão desligadas", disse ainda o presidenciável à CNN.

Paul Sakuma/AP
Washington Mutual foi comprado pelo JP Morgan Chase por US$ 1,9 bilhões, ontem
Washington Mutual foi comprado pelo JP Morgan Chase por US$ 1,9 bilhões, ontem

Novas quebras

Ontem, o banco britânico HSBC anunciou que pretende fechar 1.100 postos de trabalho em todo o mundo para enfrentar a crise financeira. O anúncio surgiu poucas horas depois de outra quebra que pode causar grande turbulência nos mercados.

O Washington Mutual teve seus ativos comprados por US$ 1,9 bilhão pelo JP Morgan Chase, após o governo americano determinar o fechamento da instituição de poupança e investimentos. O WaMu --o segundo maior banco de sua categoria-- foi o maior a quebrar em toda a crise americana.

O JP Morgan adquiriu os depósitos, bens e parte do passivo do WaMu. A aquisição cria a maior instituição americana de depósitos e poupança, com mais de US$ 900 bilhões em depósitos.

Em março deste ano, o JP Morgan já havia adquirido o Bear Stearns, em uma operação auxiliada pelo Federal Reserve (Fed, o BC americano). O Bear teve de ser vendido devido às perdas e problemas causados pela crise das hipotecas "subprime" (de maior risco).

As baixas mais recentes foram as gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, no início deste mês, que precisaram de uma ajuda de R$ 200 bilhões do Tesouro para não quebrarem; o banco de investimentos Lehman Brotehrs, que quebrou no último dia 15; o Merrill Lynch, que foi vendido ao Bank of America; e a seguradora AIG, que precisou de um empréstimo de US$ 85 bilhões do Fed.

Comentários dos leitores
Polycarpo Quaresma (37) 07/12/2009 09h15
Polycarpo Quaresma (37) 07/12/2009 09h15
O que o Brasil tem de herócico é o povo que trabalha incluindo trabalhador braçal, especializado, técnco, cientista, artistas. Nós carregamos esta País nas costas, e sustentamos toda compra de votos, assistencialista, super faturamentos, roubos e tudo mais qye está acontecendo sem opinião
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Eduardo Giorgini (444) 04/12/2009 11h31
Eduardo Giorgini (444) 04/12/2009 11h31
Concordo!
Os especialistas se baseam em economias de primeiro mundo, onde as pessoas são mais "mimadas" e dependentes das parafernálias de consumo ficando mais vulneráveis à crises.
Nós, brasileiros, estamos acostumados com a crise. Temos uma cultura de recessão ao longo de nossa história, ou seja, não sofremos muito com eventuais problemas economicos.
Para viver no Brasil, tem que ser forte e lutador
[]s
Eduardo.
5 opiniões
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mauro guanandi (54) 04/12/2009 10h32
mauro guanandi (54) 04/12/2009 10h32
sENHOR cELSO. eSTAS CERTO QUANTO AO PETRÓLEO.
O que me preocupa é q nesta aventura serao gastos 2/3 do Pib; talvez em algo inútil - em minha opiniao a dependencia do petroleo tende a diminuir com o avança cientifico de outras formas. Mas encherá os bolsos da tchurma como NUNCA ANTEZ NA HIZTÓRIA.
goebbels se revira no tumulo. a turma da propaganda do governo é mais eficiente. Bom, o povo sendo mais inculto facilita.
Diga-ma qual o erro deportugues mais forte que vistes...eu vi um tal de eduardo Souza num forum escrever falço. Voce viu algo pior?
sem opinião
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