Crédito desacelera em agosto, mas bate novo recorde em relação ao PIB
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
Atualizada às 13h09
A alta dos juros bancários para pessoa física e pessoa jurídica ajudou a reduzir o ritmo de crescimento do crédito em agosto pelo segundo mês consecutivo.
Segundo a pesquisa mensal de juros do Banco Central, divulgada nesta sexta-feira, o crédito avançou 31,8% nos últimos 12 meses. O percentual está abaixo das taxas registradas em junho (33,4%) e julho (32,7%).
Em termos absolutos, no entanto, o crédito bateu novo recorde: chegou a R$ 1,11 trilhão. Também foi recorde na comparação com o PIB (Produto Interno Bruto): passou de 37,2% (dado revisado) em julho para 38% do PIB em agosto.
Como o crédito cresce mais que a economia, ele ganha mais espaço ao ser comparado com a soma das riquezas produzidas no país no mesmo período. A expectativa do BC é que o percentual de crédito termine o ano em 40% em relação ao PIB.
Segundo o BC, o volume de financiamentos cresceu 2,3% no mês passado (acima dos 1,7% registrados em julho) e acumula alta de 18,6% no ano.
O governo já manifestou o desejo de que o crédito desacelerasse e crescesse a taxas abaixo de 30% em 12 meses, para ajudar no controle da inflação. Várias medidas já foram tomadas para que isso ocorra, como aumento de impostos e juros.
Consignado
A desaceleração no crédito está sendo verificada nos empréstimos para pessoas físicas, que chegaram a crescer mais de 34% nos 12 meses encerrados em março e agora apresentam um avanço menor, de 29,2%.
No crédito para empresas, não foi verificada desaceleração significativa, segundo o BC, já que as taxas de crescimento em 12 meses se mantiveram próximas de 41% nos últimos três meses.
O crédito para pessoa física foi influenciado pela redução no consignado. "Estamos observando alguma desaceleração no crédito para pessoa física, em especial em relação ao consignado", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. "Essa acomodação no consignado tem a ver com o esgotamento. Há um limite em relação aos tomadores, que são mais funcionários públicos e aposentados."
Na contramão do aumento do crédito em geral, as concessões de novos empréstimos consignados (com desconto em folha de pagamento) tiveram queda de 18,3% em 12 meses. Somente no mês passado, a redução foi de 7%.
Além disso, segundo o BC, os bancos estão tendo menos interesse em emprestar dinheiro nesse tipo de modalidade, que possui taxas de juros menores. Os 13 maiores bancos que operam com crédito pessoal, por exemplo, cobram uma taxa de 28,5% ao ano no consignado e de 70,6% a.a. nas outras modalidades para pessoa física.
Leasing para veículos
A modalidade de crédito que mais cresce para pessoa física é o leasing para veículos. Mesmo assim houve uma desaceleração nos 12 meses encerrados em agosto em comparação com julho, com a taxa de crescimento caindo de 141% para 135% no leasing para pessoa física.
As operações de leasing para pessoa física cresceram 7,8% entre junho e julho, mas avançaram 4,5% de julho para agosto. O resultado ainda é positivo, no entanto, em relação ao crédito para aquisição de veículos, que caiu 0,3% no mês passado, depois de ficar estável em julho.
Dados do setor mostram que a maior parte dessas operações (quase 90%) se refere a financiamentos de veículos.
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