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Dinheiro
26/09/2008 - 13h05

Agnelli diz que ameaça chinesa de parar de comprar da Vale é "oba-oba"

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O presidente da Vale, Roger Agnelli, disse nesta sexta-feira que a ameaça de que as siderúrgicas chinesas interrompam as importações de minério de ferro da empresa não passa de "oba-oba". O executivo ressaltou que a Vale é o principal fornecedor da matéria-prima para a China, e caso os embarques sejam suspensos, o setor siderúrgico local pára.

"Vamos ser sinceros. Isso tudo é muito oba-oba. Baixa a bola, as coisas andam com naturalidade, com tranqüilidade, não é por aí não", afirmou, durante o lançamento do relatório de sustentabilidade da companhia, referente a 2007.

Agnelli acrescentou que a Vale não deixou de fazer qualquer embarque para o mercado asiático nos últimos dias e que não há qualquer estoque nos portos em que a mineradora opera.

Segundo informação veiculada pelo jornal "Shanghai Daily", a China deixará de importar ferro da Vale em represália à intenção da mineradora em promover novo aumento no preço do minério de ferro. Apesar de já ter feito reajustes que variam de 65% a 71% no início do ano, a Vale decidiu reabrir conversas para nova atualização dos preços, depois que os concorrentes BHP Billiton e Rio Tinto fecharam aumentos maiores.

"O que coloquei claramente a todos os clientes, é que dependendo das negociações com a australiana [BHP Billiton], tínhamos que ter uma equalização de preço europeu. Isso foi colocado de forma clara, e estamos negociando".

Segundo Agnelli, os chineses não irão perder nada com um novo ajuste, já que o preço do frete vem caindo no mercado internacional. Ele afirmou ainda que a siderurgia chinesa deve parte de seu crescimento à Vale, que de acordo com ele, foi a primeira empresa a acreditar na expansão daquela indústria, quando incrementou a produção no início da década para atender à demanda que poucos vislumbravam.

"No começo do ano, quando fechamos acordo com a Nippon Steel, falamos que estávamos aceitando um reajuste de preço menor do que a gente poderia conseguir na época, em função de uma visão de longo prazo da companhia", observou, lembrando que a opção da BHP Billiton em vender no mercado spot, de curto prazo, não atende os interesses da siderurgia chinesa.

 

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