Publicidade

Dinheiro
26/09/2008 - 17h43

Bovespa fecha em queda de 2,02%, à espera de plano dos EUA

Publicidade

EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) deve acumular o seu quarto mês consecutivo de perdas. Com dois dias úteis para o final de setembro, a Bolsa acumula queda de 8,8%, numa semana marcada pela espera de novidades sobre o pacote anticrise dos EUA. A Casa Branca, no entanto, já adiantou que mercado terá que aguardar pelo final de semana.

O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, retrocedeu 2,02% no fechamento e recuou para os 50.782 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,09 bilhões.

O mercado foi surpreendido por algumas grandes empresas, que acusaram os primeiros efeitos da crise financeira internacional que assola os EUA. Ontem à noite, Sadia e Aracruz Celulose admitiram que tiveram perdas com aplicações de câmbio. A fabricante de alimentos foi ainda mais longe, revelando a dimensão de seus prejuízos: R$ 760 milhões.

"Embora nós estivéssemos atentos à histórica agressividade de seu departamento financeiro, nós jamais poderíamos prever uma perda tão grande", reconheceu a analista da corretora Unibanco, Juliana Rozenbaum. "O montante supera de longe a nossa previsão de lucro líquido de R$ 508 milhões para este ano, aprofundando nossa percepção de que [a ação da] Perdigão merece um prêmio sobre a Sadia devido a suas melhores práticas e estratégia financeira confiável", acrescentou.

A ação preferencial da Sadia foi duramente castigada pelos investidores e despencou 35,48%. A variação está totalmente fora dos parâmetros do papel: nos últimos 30 dias, a ação chegou, no máximo, a subir 7%, e a cair, em seu pior momento, 5%.

A ação da Aracruz também não escapou incólume e amargou baixa de 16,76%. A ação da outra processadora de celulose, a VCP (Votorantim Celulose e Papel), caiu 10,35%.

As ações líderes da Bolsa, Vale do Rio Doce e Petrobras, refletiram o vaivém das expectativas dos investidores sobre a "novela" do pacote anticrise. Os papéis das duas empresas registram perdas de quase 5% durante a maior parte do dia, mas registraram alguma recuperação perto do fechamento. A ação preferencial da Petrobras cedeu 1,71% enquanto a ação da Vale teve baixa de 3,71%

O dólar comercial foi cotado a R$ 1,851 na venda, o que representa um aumento de 1,59% sobre a cotação de ontem. Neste mês, a moeda americana acumula valorização de 13,2%. A taxa de risco-país marca 286 pontos, número 1,41% sobre a pontuação anterior.

"O mercado em peso esperava que o plano pudesse ser aprovado hoje, mas acho que, no final, foi até positivo. No final de semana, em que as Bolsas nem o câmbio não funcionam, eles podem aprovar o plano e o mercado pode ter uma segunda-feira até um pouco melhor", comenta Glauber Romano, analista da corretora de câmbio Intercam.

Sob impacto direto do atraso na aprovação do pacote, as Bolsas européias concluíram os negócios em baixa, a exemplo de Londres (declínio de 2,08%) e Frankfurt (baixa de 1,77%), Nos EUA, a Bolsa de Nova York, com repercussão global, operou com bastante volatilidade durante a maior parte do dia, e conseguiu fechar em alta de 1,10%.

Investidores e analistas seguiram de perto a articulação política para aprovação do pacote de US$ 700 bilhões proposto pela Casa Branca para enfrentar a crise financeira que atinge os EUA, com efeitos sobre a economia global.

O relativo otimismo de ontem, quando parecia iminente um acordo entre republicanos e democratas, foi substituído pela tensão diante das declarações mais "realistas" de lideranças políticas americanas sobre o estado das discussões. Hoje à tarde, a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, afirmou que as negociações sobre o pacote anticrise vão na direção certa e declarou que um acordo deve estar pronto na segunda-feira.

Comentários dos leitores
Saulo Mundim Lenza (670) 18/12/2009 21h51
Saulo Mundim Lenza (670) 18/12/2009 21h51
O foco aqui é Bolsa de Valores.
A Bolsa é para profissionais, qualquer pessoa que entrar sem um bom conhecimento vai perder dinheiro.
Só ganha que sabe aplicar com visão de longo prazo.
Os demais são muito sensiveis ao chamado efeito manada, e, por isso perdem.
sem opinião
avalie fechar
celso assis (90) 17/12/2009 12h50
celso assis (90) 17/12/2009 12h50
Saiu no Valor Econômico de hoje (17/12), dito pelo economista chefe do grupo Fator:
" NAS ÚLTIMAS SEMANAS PARA A BOVESPA NOTICIAS BOAS ERAM BOAS E AS RUINS TAMBEM ERAM BOAS " justificando assim o recente rally de alta na Bovespa.
Até que enfim alguem do ramo reconhece a especulação desenfrada que tomou conta de nossa Bolsa nos últimos meses.
Só que tudo que sobe sem fundamento, cai qdo os fundamentos voltam, e só acreditavam na alta os OTÁRIOS.
4 opiniões
avalie fechar
Prudência e caldo de galinha não faz mal a ninguém... escolha sua estratégia: investidor ou especulador, faça um curso para entrar nesse universol, não entre só por conta da euforia do mercado. sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (865)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca