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Dinheiro
27/09/2008 - 10h01

Negociações sobre pacote de resgate dos EUA são retomadas

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da Folha Online

Os congressistas norte-americanos retomaram na madrugada deste sábado as negociações do pacote de resgate para a crise financeira, apresentado pelo governo do país, que pode representar uma ajuda de US$ 700 bilhões no sistema financeiro.

A presidente democrata da Câmara, Nancy Pelosi, disse que os congressistas avançam em direção a aprovação do pacote do presidente George W. Bush, após se recuperarem do revés da reunião da última quinta-feira (25).

Entenda a crise financeira que atinge a economia dos EUA

A medida de resgate foi criticada por um grupo de republicanos, pertencente a ala mais conservadora do partido. Os políticos acreditam que o pacote se distancia das características da economia norte-americana, que segue os princípios do livre mercado, e propuseram um plano alternativo ao enviado pelo presidente Bush.

Na última quinta-feira, um grupo de congressistas de ambos os partidos--democratas e republicanos--, chegaram a um acordo sobre o plano, após reunião com Bush, John McCain e Barack Obama.

Os democratas estavam otimistas e abertos em relação as idéias dos republicanos e se mostraram dispostos a contribuir com o pacote de Bush. Pelosi afirmou que seu partido pretende dedicar fundos para seguros que garantam títulos vinculados à hipotecas, uma iniciativa dos republicanos.

Sem acordo

Na última quinta-feira, uma reunião na Casa Branca convocada por Bush (e que contou com os candidatos à Presidência dos EUA) terminou sem um acordo, depois que os republicanos rejeitaram a proposta do Tesouro. Horas antes, democratas e republicanos haviam sinalizado com um acordo para aprovação rápida do pacote no Congresso.

A semana encerrou ainda com mais um capítulo que demonstra a gravidade da crise financeira. O banco de poupança e investimentos ("savings & loans") Washington Mutual (WaMu) foi fechado pelo governo dos EUA na maior falência de um banco na história do país, e seus ativos bancários foram vendidos por US$ 1,9 bilhão ao JPMorgan Chase.

Antes disso, aprofundaram a crise a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers; a venda do Merrill Lynch ao Bank of America; os problemas da seguradora AIG, que precisou de um empréstimo de US$ 85 bilhões do Fed (o banco central americano) e a ajuda de US$ 200 bilhões às duas gigantes hipotecárias americanas, Fannie Mae e Freddie Mac.

Soma-se a isso a notícia, após o encerramento do mercado acionário, que o banco Wachovia --quarto maior banco dos EUA-- iniciou negociações preliminares com o Citigroup sobre uma possível fusão, segundo publicou o site do jornal norte-americano "The New York Times" ("NYT").

Com a tensão acerca do pacote e as más notícias, os mercados acionários operam sob forte estresse. A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) retrocedeu 2,02% no fechamento e recuou para os 50.782 pontos --no mês,a queda é de 8,8%. As Bolsas européias e asiáticas também caíram. Nos EUA, as Bolsas operaram a maior parte do dia em queda, mas se recuperaram no final -- o Dow Jones Industrial Average (DJIA) subiu 1,10%, e o S& 500 subiu 0,34%.

O pacote

O pacote de US$ 700 bilhões proposto pelo Departamento do Tesouro para controlar a crise financeira nos Estados Unidos seria liberado em prestações. De acordo com o divulgado até agora, uma primeira parcela de US$ 250 bilhões será disponibilizada imediatamente, com possibilidade de desembolso adicional de US$ 100 bilhões se necessário.

O Congresso também será capaz de bloquear a última prestação por meio de votação, caso não esteja satisfeito com a aplicação do programa.

O plano permitirá ao Departamento do Tesouro comprar no mercado financeiro papéis de risco, como os lastreados por hipotecas 'subprime' (que reúne clientes com histórico de crédito duvidoso).

O acordo a que os congressistas chegaram deve incluir medidas que não estavam na proposta original do secretário do Tesouro, Henry Paulson, como limites às remunerações dos executivos dos bancos beneficiados pelo pacote, além de algum instrumento para que o governo recupere parte dos US$ 700 bilhões que pretende empregar para enxugar do mercado os títulos de risco.

 

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