Crise nos EUA está longe de uma solução, estima Banco Central
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
A crise econômica mundial está longe de uma solução, de acordo com avaliação feita pelo Banco Central brasileiro no Relatório de Inflação do terceiro trimestre, divulgado hoje.
Entenda a crise financeira que atinge os EUA
"Após mais de um ano desde sua eclosão, a crise do subprime, que atingiu não apenas o mercado imobiliário, mas também o mercado financeiro e o creditício dos EUA, (...) continua longe de uma solução e os indícios são de que terá repercussões severas sobre a economia global", diz o BC.
"Os prejuízos declarados até o momento por instituições financeiras atingem cifras vultosas, e novas perdas significativas são esperadas."
De acordo com o BC, há sinais de que a economia européia estaria sendo mais duramente afetada do que a própria economia americana. Além disso, o Japão, que não parecia ter sido seriamente afetado, apresentou forte retração econômica no segundo trimestre.
Reação
Segundo o BC, os efeitos dessa crise nos países emergentes têm dividido as opiniões dos bancos centrais locais. Enquanto as autoridades monetárias da Zona do Euro, Suécia, México, Chile, Colômbia, Peru, Índia, Brasil e Coréia, entre outros, elevaram os juros básicos em julho e agosto, Austrália, Nova Zelândia e República Tcheca reduziram as taxas de juros.
Para o BC, se forem mantidos os recuos de preços observados recentemente, a redução das taxas de juros pode se configurar em nova tendência nos países emergentes, tanto da Europa quanto da Ásia. O BC diz, no entanto, que esse cenário é menos provável na América Latina.
Em relação ao impacto no Brasil, o BC diz que mesmo com uma desaceleração da economia mundial maior do que se previa, a combinação de lucratividade e confiança elevadas das empresas nacionais, e o aumento do crédito, devem contribuir para a continuidade do desempenho benigno do investimento no país.
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