Dinheiro
29/09/2008 - 11h53

Quebra do Wachovia seria um risco para sistema bancário dos EUA, diz Paulson

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da Folha Online

A venda do Wachovia, o quarto maior banco dos EUA, a outro gigante financeiro americano, o Citigroup, evitou que o sistema bancário americano ficasse exposto a riscos, disse o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, em um comunicado divulgado nesta segunda-feira.

"Concordo com a FDIC [Corporação Federal de Seguro de Depósito, na sigla em inglês, órgão do governo que garante operações do setor bancário americano] e com o Federal Reserve [Fed, o BC americano] que a quebra do Wachovia teria representado um risco sistêmico", diz a nota divulgada hoje pelo Departamento do Tesouro. "A ação da FDIC ajuda a atenuar o risco em potencial ao nosso sistema financeiro."

J. Scott Applewhite/AP
O secretário do Tesouro, Henry Paulson
O secretário do Tesouro, Henry Paulson

"Felicito a ação tomada pela FDIC para facilitar a venda do banco Wachovia ao Citigroup de modo ordenado, a fim de diminuir a possibilidade de abalos no mercado", diz o comunicado.

"Como disse antes, nesse período de pressão sobre o mercado, estamos comprometidos com a tomada de ações necessárias para proteger nosso sistema financeiro e nossa economia", diz o secretário na nota.

A FDIC informou que irá absorver as perdas do Wachovia acima de US$ 42 bilhões e que receberá US$ 12 bilhões em ações e garantias do Citigroup. Segundo o órgão governamental, o Wachovia não quebrou, todos os depósitos estão protegidos e não haverá custos para a DIF (Fundo de Garantia de Depósitos, na sigla em inglês).

O Wachovia está entre as instituições bancárias mais atingidas pela crise financeira em curso, surgida a partir dos problemas no mercado imobiliário --em particular no segmento de hipotecas "subprime" (que reúne clientes com histórico de problemas com crédito).

Os problemas do Wachovia têm boa parte de sua origem na aquisição da companhia hipotecária Golden West Financial em 2006, por cerca de US$ 25 bilhões, quando o mercado imobiliário ainda estava em um momento de euforia. Com a compra, o Wachovia assumiu US$ 122 bilhões em hipotecas do tipo 'Pick-A-Payment', na qual a Golden West era especialista. Nessa modalidade, os mutuários tinham permissão para deixar de fazer alguns pagamentos.

O presidente do Fed, Ben Bernanke, também elogiou a ação "oportuna" da FDIC, "que demostra o compromisso inabalável de nosso governo com a estabilidade financeira e econômica".

Matthew Cavanaugh/Efe
O banco Wachovia, quarto maior dos EUA
O banco Wachovia, quarto maior dos EUA

A venda do Wachovia ocorre dias depois de o Washington Mutual (WaMu), no que os analistas definiram como a maior falência de um banco nos Estados Unidos. O Washington Mutual, que já estava em dificuldades, foi fechado pelas autoridades americanas, que decidiram fazer o JP Morgan Chase recomprar, por US$ 1,9 bilhão, uma parte de suas atividades. Com sede em Seattle (Oeste), era o sexto banco americano em ativos.

Antes do WaMu, já havia quebrado o banco de investimentos Lehman Brothers, no último dia 15. O banco vinha procurando um comprador, como forma de reforçar seu caixa, após as perdas com as hipotecas "subprime" (de maior risco); sem sucesso em encontrar um comprador, o banco também falhou em encontrar fontes de crédito junto a outras instituições privadas. O governo negou ajuda e a saída foi pedir concordata.

O Merrill Lynch escapou do mesmo fim ao ser vendido ao Bank of America; e a seguradora AIG obteve do Fed um empréstimo de US$ 85 bilhões, para não fechar as portas. O Fed, no entanto, já havia negado em uma ocasião anterior a ajuda à AIG, mas o temor de ver quebrar uma das principais instituições financeiras do mundo levou o banco a mudar de posição.

Comentários dos leitores
Richard Adams (21) 26/11/2009 17h56
Richard Adams (21) 26/11/2009 17h56
Marcelo, concordo também com vc. Mas qdo pensamos em paises ricos, nos vem à mente normalmente USA e Zona do Euro.
Veja o que aconteceu hj com Dubai. Há outros vários.
Também acho que a palavra "quebrar"é muito forte, e de fato não deve acontecer. Aliás quem alertou sobre isso hj foi a OMC.
Tudo isso reforça o que venho escrevendo por aqui há algum tempo...tem muita gente eufórica, achando que tá tudo índo bem, que 2010 vai ser uma beleza e ao meu ver não vai ser não. Esse estória de o Brasil se achar uma ilha de prosperidade enquanto o mundo ainda estremeçe é muita arrogancia e merece cuidados extremos.
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Luiz Antonio (43) 26/11/2009 16h00
Luiz Antonio (43) 26/11/2009 16h00
Quem lê a FSP, em especial, sempre acredita que o Brasil está a véspera de quebrar, como na época do FHC (PSDB). Mas o país continua crescendo cada vêz mais e distribuindo riqueza.
Quando ao fundo de Dubai, só deslumbrado gosta daquele pedaço de deserto com uma torre espetada.
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É aí que mora o perigo! Esses ricos do petróleo, fonte que começa a "secar", não só pelo seu esgotamento em sí, mas pela urgente necessidade de mudança da matriz energética, hoje e sempre, a maior vilã contra a natureza. Esses povos, acostumaram-se a nadar nababescamente no óleo negro, que se transformou em ouro, mais pelos seus marajás das mil e uma noites, pensando que certamente isso duraria eternamente, como os seus reinados. Mas, nada é para sempre e quando começar a ruir, "sai de perto", como diz o refrão popular e esteja a mil e uma noites de distância, porque nem Alá, Maomé ou aiatolá, desatolará.
Abençoado é aquí, onde fura-se um poço e encontra-se água. Nem ouro,nem diamante, nem urânio, nem nada, nada vale. Água e oxigênio, ainda temos as maiores riquezas. De quê reclamar!
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