Dinheiro
29/09/2008 - 17h47

Após rejeição a pacote nos EUA, índice Dow Jones tem maior queda da história

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da Folha Online

As Bolsas americanas despencaram nesta segunda-feira, com o Dow Jones, principal índice do mercado acionário dos Estados Unidos, registrando a maior queda em pontos já registrada: exatamente 777,68 durante o dia. O caos foi levado pela rejeição, hoje, na Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) do pacote de US$ 700 bilhões para salvar o setor financeiro. A decisão eleva o temor de uma paralisação dos mercados de crédito e de uma desaceleração profunda nas economias americana e mundial.

O índice Dow Jones Industrial Average, da Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês), caiu 6,98%, fechando com 10.365,45 pontos. O recorde anterior de perda em pontos no Dow Jones era de 684,81, atingido no primeiro dia de negociações após os ataques de 11 de Setembro. Já o índice S&P 500, que reúne as 500 mais negociadas, recuou 8,79%, indo para 1.106,42 pontos. A Bolsa Nasdaq teve perda de 9,14%, fechando com 1.983,73 pontos.

As ações do banco Wachovia, que foi vendido ao Citigroup, caíram 82%. As ações de outros bancos menores, como o Sovereign Bancorp, que caíram 72%, e as do National City, que caíram 63%. As ações do Goldman Sachs e do Morgan Stanley caíram mais de 12% cada.

Fora do setor financeiro, as ações da fabricante de automóveis General Motors, as da petrolífera Chevron e as da fabricante de microchips Intel caíram mais de 10% cada. Também do setor petrolífero, as ações da Exxon Mobil caíram 8,2%; as da ConocoPhillips caíram 9,1%. No setor de tecnologia, as ações da Apple caíram 18%, maior recuo em oito anos.

Richard Drew/AP
Bolsas em NY despencaram após a rejeição por deputados de pacote de ajuda
Bolsas em NY despencaram após a rejeição por deputados de pacote de ajuda

No Brasil, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou com sua pior queda dos últimos nove anos, em baixa de 9,36%, aos 46.028 pontos. O dólar comercial avançou 6,21% e bateu R$ 1,966 (venda), a cotação mais alta desde setembro de 2007.

"Algo claramente precisa ser feito, e uma queda de 400 pontos em 10 minutos atesta isso", disse à agência de notícias Associated Press o presidente do Johnson Research Group, Chris Johnson.

O pacote de US$ 700 bilhões proposto pelo governo no último dia 20 foi rejeitado hoje depois de uma semana de intensas negociações. O futuro do plano do governo de salvamento das empresas financeiras agora é incerto. A Casa Branca informou estar "muito desapontada" com a rejeição e comunicou que George W. Bush vai se reunir com membros do Congresso e da equipe econômica ainda hoje para "determinar os próximos passos".

O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, por sua vez, disse estar desapontado pela rejeição e afirmou que irá trabalhar com o Congresso para chegar a um plano abrangente. "Precisamos de um plano que funcione, o mais rápido possível", afirmou.

No Congresso, líderes republicanos e democratas dizem que vão considerar uma revisão do projeto. O texto rejeitado hoje não pode ser reencaminhado à Câmara. Além da polêmica natural do assunto, as agendas de campanha dos congressistas podem dificultar a obtenção de quórum para uma nova votação.

Hoje, no plenário, os defensores do pacote usaram como argumento na Câmara a necessidade de tirar o país de uma recessão e de uma crise sem precedentes. Quem votou contra, por sua vez, argumentou que a aprovação do plano ocorreria por medo, o mesmo sentimento que levou o país à guerra contra o Iraque, disseram.

Após o placar que indicava a derrota, os líderes da Câmara ainda tentaram estender a votação por mais tempo, para convencer colegas do 'não' a optar pelo "sim", mas não tiveram sucesso. Segundo o "WSJ" ("Wall Street Journal"), o secretário do Tesouro, Henry Paulson, fez contato com os parlamentares via celular no esforço da aprovação.

Apelos

Charles Dharapak/AP
O presidente dos EUA, George W. Bush, voltou a pedir aprovação do pacote para segurar a crise financeira que atinge o país
O presidente dos EUA, George W. Bush, voltou a pedir aprovação do pacote para segurar a crise financeira que atinge o país

O presidente dos EUA, George W. Bush, havia dito na manhã de hoje estar otimista, apesar de reconhecer a dificuldade da aprovação da medida. "Votar essa lei é votar na prevenção de danos econômicos a vocês e às suas comunidades", disse Bush hoje, no terceiro pronunciamento na TV em menos de uma semana.

Bush ainda havia afirmado que, apesar do pacote de ajuda, a economia americana ainda deverá sentir o impacto da crise "por algum tempo". "No longo prazo, os EUA vão superar os desafios e continuar a ser a maior economia do mundo", afirmou Bush.

Não menos veemente foi o apelo feito na semana passada pelo presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke. Ele disse que a economia americana corre o risco de entrar em recessão, com o aumento do desemprego e do número de despejos, se o Congresso não aprovasse o pacote.

Acordo

No fim de semana, líderes do Congresso americano e membros do governo haviam chegado a um acordo sobre os principais elementos do plano.

Em linhas gerais, o projeto apresentado pelo Congresso limita os poderes do Executivo para gerir o pacote, estreita a vigilância sobre a aplicação dos recursos, reduz os pagamentos milionários aos grandes executivos por trás das instituições financeiras que quebraram, além de ampliar benefícios para os contribuintes.

O texto foi redigido durante a noite e a manhã de hoje, depois que os líderes do Legislativo alcançaram um acordo, sobre suas linhas gerais, pouco depois da meia-noite. Em comparação, a proposta inicial apresentada ao Congresso pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, tinha três páginas.

Em lugar de pôr à disposição do Tesouro dos EUA, de uma vez só, os US$ 700 bilhões, o montante será liberado de forma fracionada. O governo poderá usar US$ 250 bilhões imediatamente, e US$ 100 bilhões somente se o presidente Bush considerar necessário. O Congresso pode reter os outros US$ 350 bilhões se não estiver satisfeito com o desempenho do programa.

Os democratas também conseguiram introduzir cláusulas para a proteção do contribuinte. O projeto estabelece um conselho de supervisão do programa, que incluirá o presidente do Federal Reserve (banco central americano), Ben Bernanke, entre outras altas autoridades americanas.

Comentários dos leitores
Guilherme Lemmi (225) 23/11/2009 14h48
Guilherme Lemmi (225) 23/11/2009 14h48
Sobre a reportagem "Livre mercado é melhor modelo econômico apesar da crise, dizem bilionários", interessante, a Folha deveria perguntar para o 1 bilhao de pessoas que passam fome no mundo, se eles concordam com essa opinião.
Ah, esqueci, essas pessoas só passam fome porque nao tiveram a 'tenacidade' para vencer na vida....
sem opinião
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JOSE MOTTA (48) 23/11/2009 13h53
JOSE MOTTA (48) 23/11/2009 13h53
ISSO É PRIMEIRO MUNDO. POVO POLITIZADO,MAS PERIMERISSIMO MUINDO SÃO ALGUS PAISES EUROPEUS E CANADÁ. ESTAMOS LONGE DE CHEGAR LÁ. sem opinião
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Eduardo Giorgini (419) 23/11/2009 10h16
Eduardo Giorgini (419) 23/11/2009 10h16
Bom dia!
Bem, essa forma de analise discordo. O que Obama fez em relação à crise foi a única opção e não devido a possíveis competências.
Isso acontece no Brasil tambem. Dizem que foi Lula que salvou o Brasil da crise, mas o que ele fez foi nada além de manter a inércia da política brasileira e com um pouco de sorte, deu certo de a crise não pegar tão forte.
Só que ao contrário do Brasil, o eleitorado Norte Americano exige mais, ainda mais depois do desastre de Bush.
Um presidente so quebra um país de for um ditador, caso contrário, setores da sociedade ajudam na tomada de decisões e o setor privado segura as pontas (que é o que acontece nos Estados Unidos e tambem no Brasil)
Inclusive hoje, um presidente não "pesa" tanto na condução de uma boa política de governo.
[]s
Eduardo.
13 opiniões
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