Dinheiro
29/09/2008 - 18h00

Rejeição do pacote foi decepcionante e é preciso um novo plano, diz Paulson

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da Folha Online

O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse nesta segunda-feira estar desapontado pela rejeição pela Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) do pacote de US$ 700 bilhões para salvamento do setor financeiro. Ele disse que irá trabalhar com o Congresso para chegar a um plano abrangente.

Paulson ressaltou que é preciso "chegar a um texto que todos possam aprovar". "Precisamos de um plano que funcione, o mais rápido possível", afirmou o secretário. "Tínhamos um pacote, trabalhamos muito duro, fizemos nosso trabalho e demos todas as nossas ferramentas para que o mercado financeiro ficasse protegido e o povo americano também."

O secretário afirmou que o sistema financeiro americano "está se portando bem, considerando toda a pressão". "Muito trabalho já foi feito. Tomamos nas últimas semanas ações essenciais para proteger o sistema bancário e a economia."

Shawn Thew/Efe
Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA
Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA

Apesar da afirmação de otimismo do secretário, as Bolsas em Nova york tiveram hoje um de seus piores dias. O índice Dow Jones Industrial Average teve a maior perda em pontos já registrada: o indicador caiu 780 pontos durante o dia. No fim do pregão o Dow Jones ficou com 10.365,45 pontos (perda de 6,98%).

O recorde anterior de perda em pontos no Dow Jones era de 684,81, atingido no primeiro dia de negociações após os ataques de 11 de Setembro.

Paulson afirmou que o governo tem "ferramentas significativas para combater a crise, mas ainda não é suficiente. Precisamos que o Congresso aprove o pacote."

A Casa Branca informou também ter ficado "muito desapontada" com a rejeição ao pacote. "Não há dúvidas de que o país está enfrentando uma crise difícil", afirmou o porta-voz da Casa Branca Tony Fratto.

A Câmara rejeitou o pacote por 228 votos contra; a favor foram 205 votos. Os votos contrários ao pacote de resgate dos bancos vieram tanto dos democratas como dos republicanos. Segundo o jornal "The New York Times" ("NYT"), mais de dois terços dos republicanos e 40% dos democratas se opuseram.

Já de acordo com o diário americano "The Wall Street Journal" ("WSJ"), líderes republicanos e democratas dizem que vão considerar uma revisão do projeto. O texto rejeitado hoje não pode ser reencaminhado à Câmara.

No plenário, os defensores do pacote usaram como argumento a necessidade de tirar o país de uma recessão e de uma crise sem precedentes. Quem votou contra, argumentou que a aprovação do plano ocorreria por medo, o mesmo sentimento que levou o país à guerra contra o Iraque, disseram.

Além da discussão sobre um novo texto, as lideranças no Congresso ainda precisam lidar com outro problema prático: os congressistas têm tentado deixar Washington, para fazer campanha --em novembro, além da eleição presidencial, também haverá votação para renovação das casas legislativas americanas.

O presidente dos EUA, George W. Bush, voltou a pedir aprovação do pacote para segurar a crise financeira que atinge o país. Em novo discurso na TV, Bush disse na manhã de hoje que a aprovação do pacote seria difícil, mas que estava otimista. "Votar essa lei é votar na prevenção de danos econômicos a vocês e às suas comunidades", disse Bush hoje, no terceiro pronunciamento na TV em menos de uma semana.

Bush ainda havia afirmado que, apesar do pacote de ajuda, a economia americana ainda deverá sentir o impacto da crise "por algum tempo". "No longo prazo, os EUA vão superar os desafios e continuar a ser a maior economia do mundo", afirmou Bush.

Acordo

No fim de semana, líderes do Congresso americano e membros do governo haviam chegado a um acordo sobre os principais elementos do plano.

Em linhas gerais, o projeto apresentado pelo Congresso limita os poderes do Executivo para gerir o pacote, estreita a vigilância sobre a aplicação dos recursos, reduz os pagamentos milionários aos grandes executivos por trás das instituições financeiras que quebraram, além de ampliar benefícios para os contribuintes.

O texto foi redigido durante a noite e a manhã de hoje, depois que os líderes do Legislativo alcançaram um acordo, sobre suas linhas gerais, pouco depois da meia-noite. Em comparação, a proposta inicial apresentada ao Congresso pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, tinha três páginas.

Em lugar de pôr à disposição do Tesouro dos EUA, de uma vez só, os US$ 700 bilhões, o montante será liberado de forma fracionada. O governo poderá usar US$ 250 bilhões imediatamente, e US$ 100 bilhões somente se o presidente Bush considerar necessário. O Congresso pode reter os outros US$ 350 bilhões se não estiver satisfeito com o desempenho do programa.

Os democratas também conseguiram introduzir cláusulas para a proteção do contribuinte. O projeto estabelece um conselho de supervisão do programa, que incluirá o presidente do Federal Reserve (banco central americano), Ben Bernanke, entre outras altas autoridades americanas.

Comentários dos leitores
Isaías Santana (32) 10/11/2009 17h00
Isaías Santana (32) 10/11/2009 17h00
É impressionante a maneira tosca com a qual algumas pessoas se reportam ao presidente. Queria muito saber em qual faculdade existe o curso de PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA? O Lula ñ foi o responsável por todos os êxitos, e c/ toda certeza as pessoas de bom senso tb percebem q algumas escolhas dele poderiam ser mais acertadas. Mas a verdade é q há muito ñ víamos alguém cair nessa balança e sair em saldo. O FHC até o primeiro mandato estava caminhando p/ isso, mas conseguiu fazer o país estagnar no segundo mandato. Há muito tempo não víamos o mundo (qdo digo o mundo, digo desde pessoas comuns de outros países até seus meios de comunicação nacional) olhar para o Brasil e acharem q sua administração coleciona acertos. Interessante lembrar q não faz muito tempo, alguns desses nem sabiam onde ficava o Brasil. Ao eloquente pessimista: permita-se conversar com alguém q está fora e pergunte a ele o q tem ouvido sobre o país, já q você ñ consegue abrir os olhos pra enxergar alguma diferença q seja. O pessimista atribui ao crescimento mundial o sucesso brasileiro desta década, se fosse assim teríamos uma África em crescimento e até vizinhos nossos esbanjando a mesma robustez brasileira. Queira acreditar no país e no rumo q ele está tomando! Ñ há como retroceder agora. Fazer vc perceber isso ñ tem nada a ver com o Lula, apenas com a sua própria postura diante do mundo. sem opinião
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Cassio Tavares (555) 10/11/2009 10h43
Cassio Tavares (555) 10/11/2009 10h43
Antonio Rodrigues, as escolas públicas do ensino básico são estaduais ou municipais e cabe ao governo federal apenas repassar as verbas da educação conforme manda a lei. A aplicação desses recursos transferidos pelo governo federal, são utilizados pelos governadores e prefeitos de nossas cidades conforme a vontade deles. O pior é que muitos governadores e prefeitos desviam recursos que lhes são repassados para a educação para outras finalidades, e com isso violam as leis. Há poucos dias a Folha publicou o montante dos recursos destinados a cada estado e o maior desvio dessa aplicação se deu no Rio Grande do Sul, ou seja, o que mais desviou esses recursos e em penúltimo lugar estava o Estado de Minas Gerais. Acontece também é que os alunos das escolas públicas de todo o Brasil participaram de um teste e os alunos das esolas públicas de São Paulo, de responsabilidade do estado e da prefeitura ficaram nos últimos lugares. A segurança pública também é de responsabilidade dos estados através de suas policias militar e civil. Acontece que também a Folha publicou dias atrás um comunicado da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo dizendo que a criminalidade apresentou um crescimento nos últimos 3 trimestres. Pesquise e analise se achar conveniente. 3 opiniões
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Cassio Tavares (555) 10/11/2009 10h25
Cassio Tavares (555) 10/11/2009 10h25
Isidório Silva, o governo não pode dar aumento em dólares. Nós aposentados recebemos em reais e esse governo, embora com pequenos aumentos reais acima da inflação, tem dado esses aumentos.
Muito pior foi o governo do Sr. Fernando Henrique que, além de não dar nenhum aumento ainda disse assim : ESSES APOSENTADOS SÃO TODOS UNS VAGABUNDOS. Pelo visto o senhor não sabia dessa frase do Sr. Fernando Henrique em Paris. Mas porque em Paris ? Porque talvez ele pensou que por estar longe do Brasil ninguém nem perceberia o que estava dizendo. Acontece que alguns repórteres estavam por ali e ouviram o que ele disse e publicaram em toda a imprensa brasileira. Espero ter esclarecido a dúvida do Sr. Isidório.
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