O que está em jogo é importante demais para que fracassemos, diz Paulson
da Folha Online
da France Presse, em Washington
O secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, disse nesta segunda-feira que os Estados Unidos precisam "o mais rápido possível" de um plano de resgate do sistema financeiro. Segundo ele, o que está em jogo é importante demais para que o projeto fracasse.
"Temos que trabalhar o mais rápido possível. Alguma coisa deve ser feita. Vou seguir adiante com as consultas com os dirigentes do Congresso para encontrar uma forma de progredir", disse Paulson à imprensa depois de uma reunião com o presidente americano, George W. Bush, na Casa Branca.
A Câmara dos Representantes recusou hoje o plano de socorro financeiro proposto pelo governo dos EUA, apesar do aval dado no domingo pelos líderes republicanos e democratas.
"Temos muito trabalho. O que está em jogo é importante demais para que fracassemos", alertou, depois de se referir à "tensão nos mercados financeiros em todo o mundo", à quebra dos bancos americanos Washington Mutual e Wachovia e aos problemas encontrados por vários bancos europeus.
"Estou muito decepcionado com a votação de hoje", afirmou Paulson, que reiterou seu compromisso de trabalhar com o Congresso na busca da aprovação de "um plano global de estabilização do sistema financeiro e de proteção do povo americano, reduzindo as perspectivas de uma deterioração suplementar de nossa economia".
A Casa Branca informou também ter ficado "muito desapontada" com a rejeição ao pacote. "Não há dúvidas de que o país está enfrentando uma crise difícil", afirmou o porta-voz da Casa Branca Tony Fratto.
A Câmara rejeitou o pacote por 228 votos contra; a favor foram 205 votos. Os votos contrários ao pacote de resgate dos bancos vieram tanto dos democratas como dos republicanos. Segundo o jornal "The New York Times" ("NYT"), mais de dois terços dos republicanos e 40% dos democratas se opuseram.
Já de acordo com o diário americano "The Wall Street Journal" ("WSJ"), líderes republicanos e democratas dizem que vão considerar uma revisão do projeto. O texto rejeitado hoje não pode ser reencaminhado à Câmara.
No plenário, os defensores do pacote usaram como argumento a necessidade de tirar o país de uma recessão e de uma crise sem precedentes. Quem votou contra, argumentou que a aprovação do plano ocorreria por medo, o mesmo sentimento que levou o país à guerra contra o Iraque, disseram.
Além da discussão sobre um novo texto, as lideranças no Congresso ainda precisam lidar com outro problema prático: os congressistas têm tentado deixar Washington, para fazer campanha --em novembro, além da eleição presidencial, também haverá votação para renovação das casas legislativas americanas.
O presidente dos EUA, George W. Bush, voltou a pedir aprovação do pacote para segurar a crise financeira que atinge o país. Em novo discurso na TV, Bush disse na manhã de hoje que a aprovação do pacote seria difícil, mas que estava otimista. "Votar essa lei é votar na prevenção de danos econômicos a vocês e às suas comunidades", disse Bush hoje, no terceiro pronunciamento na TV em menos de uma semana.
Impasse
O impasse quanto à aprovação do pacote se arrasta deste a última quinta-feira (25), quando uma reunião na Casa Branca convocada por Bush (e que contou com os candidatos à Presidência dos EUA) terminou sem um acordo, depois que os republicanos rejeitaram a proposta do Tesouro. Horas antes, democratas e republicanos haviam sinalizado com um acordo para aprovação rápida do pacote no Congresso.
A semana encerrou ainda com mais um capítulo que demonstra a gravidade da crise financeira. O banco de poupança e investimentos ("savings & loans") Washington Mutual (WaMu) foi fechado pelo governo dos EUA na maior falência de um banco na história do país, e seus ativos bancários foram vendidos por US$ 1,9 bilhão ao JPMorgan Chase.
Após discussões ao longo de todo o fim de semana, ontem (28), o senador republicano Judd Gregg anunciou que os legisladores americanos já alcançaram um acordo sobre os detalhes do plano anticrise.
Antes disso, aprofundaram a crise a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers; a venda do Merrill Lynch ao Bank of America; os problemas da seguradora AIG, que precisou de um empréstimo de US$ 85 bilhões do Fed (o banco central americano) e a ajuda de US$ 200 bilhões às duas gigantes hipotecárias americanas, Fannie Mae e Freddie Mac.
Bases do pacote
O pacote de US$ 700 bilhões proposto pelo Departamento do Tesouro para controlar a crise financeira nos Estados Unidos seria liberado em prestações. De acordo com o divulgado até agora, uma primeira parcela de US$ 250 bilhões será disponibilizada imediatamente, com possibilidade de desembolso adicional de US$ 100 bilhões se necessário.
O Congresso também seria capaz de bloquear a última prestação por meio de votação, caso não esteja satisfeito com a aplicação do programa.
O plano previa ao Departamento do Tesouro comprar no mercado financeiro papéis de risco, como os lastreados por hipotecas "subprime" (que reúne clientes com histórico de crédito duvidoso).
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