Pacote dos EUA não passa na Câmara e mercados entram em colapso
da Folha Online
A expectativa de aprovação do pacote de salvamento dos bancos dos Estados Unidos, após o anúncio de um acordo ontem entre democratas e republicanos, não se confirmou e os mercados financeiros entraram em colapso nesta segunda-feira. E o impasse deve se prolongar, pelo menos, até quinta-feira, quando a Câmara dos Representantes deve voltar a se reunir.
Os deputados norte-americanos rejeitaram o pacote de resgate dos bancos de US$ 700 bilhões por 228 votos contra; a favor foram 205 votos. As negociações em torno do projeto devem permanecer paradas, especialmente nesta terça-feira, por conta do feriado do Ano Novo judaico.
Veja a cronologia da crise nos mercados financeiros
Entenda a crise que atinge a economia dos EUA
Com a derrota do plano de resgate financeiro na votação na Câmara de Deputados americana, a Bolsa de Nova York registrou uma queda histórica nesta segunda-feira. O índice Dow Jones perdeu 6,98%, um recuo inédito de mais de 700 pontos, fechando aos 10.365,45 pontos. Em termos de pontuação, o recorde de queda anterior do índice (684,81 pontos) era de 17 de setembro de 2001, dia da retomada das operações depois dos ataques de 11 de setembro.
No Brasil, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) também mergulhou no vermelho e registrou a maior queda dos últimos nove anos. O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, despencou 9,36% no fechamento e desceu para os 46.028 pontos. A queda de hoje chega a superar o pregão registrado no dia 11 de setembro de 2001 --data dos atentados terroristas nos EUA.
Outros mercados da região também caíram: Buenos Aires recuou 8,68%, a 1.545,45 pontos, e a Bolsa do México, 6,40%, a 1.638,10 pontos.
| Arte Folha/Arte Folha | ||
![]() |
||
| Bolsas 29 de setembro |
O líder da maioria na Câmara de Representantes, o democrata Steny H. Hoyer, informou hoje que, apesar de a Casa Branca querer que um novo pacote de medidas seja discutido com urgência, os deputados só vão se reunir na quinta-feira, ao meio-dia (13h de Brasília).
Ainda segundo Hoyer, embora uma sessão tenha sido convocada para quinta-feira, "ainda não foi decidido" se a Câmara de Representantes vai estudar "a legislação relacionada à crise econômica".
No entanto, o democrata esclareceu: "Continuaremos trabalhando contra o tempo na busca por uma solução bipartidária para as sérias ameaças à segurança econômica (...)".
O secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, disse nesta segunda-feira que os Estados Unidos precisam "o mais rápido possível" de um plano de resgate do sistema financeiro. Segundo ele, o que está em jogo é importante demais para que o projeto fracasse.
"Temos que trabalhar o mais rápido possível. Alguma coisa deve ser feita. Vou seguir adiante com as consultas com os dirigentes do Congresso para encontrar uma forma de progredir", disse Paulson à imprensa depois de uma reunião com o presidente americano, George W. Bush, na Casa Branca.
Legisladores dos dois lados afirmaram que as negociações sobre o acordo não param. A presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, disse em entrevista à imprensa que as "linhas de comunicação" continuam abertas com o governo, e que o Congresso precisa avançar para ajudar a salvar o mercado.
"É difícil imaginar que nós deixaremos o mercado com seus próprios medos e regras até sexta-feira", disse por sua vez o republicano Adam Putnam. "Nós estamos encorajando nossos membros a entender as conseqüências de não fazermos nada", afirmou.
Futuro incerto
O futuro do plano do governo de salvamento das empresas financeiras, no entanto, é incerto. A Casa Branca informou estar "muito desapontada" com a rejeição.
Às vésperas da votação fracassada de hoje, líderes republicanos e democratas fecharam no fim de semana um acordo para aprovar a votação --por isso a surpresa do resultado no mercado e no governo americano.
No Congresso, líderes republicanos e democratas dizem que vão considerar uma revisão do projeto. O texto rejeitado hoje não pode ser reencaminhado à Câmara. Além da polêmica natural do assunto, as agendas de campanha dos congressistas podem dificultar a obtenção de quórum para uma nova votação.
Hoje, no plenário, os defensores do pacote usaram como argumento na Câmara a necessidade de tirar o país de uma recessão e de uma crise sem precedentes. Quem votou contra, por sua vez, argumentou que a aprovação do plano ocorreria por medo, o mesmo sentimento que levou o país à guerra contra o Iraque, disseram.
Projeto
Em linhas gerais, o projeto apresentado pelo Congresso limita os poderes do Executivo para gerir o pacote, estreita a vigilância sobre a aplicação dos recursos, reduz os pagamentos milionários aos grandes executivos por trás das instituições financeiras que quebraram, além de ampliar benefícios para os contribuintes.
O texto foi redigido durante a noite e a manhã de hoje, depois que os líderes do Legislativo alcançaram um acordo, sobre suas linhas gerais, pouco depois da meia-noite. Em comparação, a proposta inicial apresentada ao Congresso pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, tinha três páginas.
Em lugar de pôr à disposição do Tesouro dos EUA, de uma vez só, os US$ 700 bilhões, o montante será liberado de forma fracionada. O governo poderá usar US$ 250 bilhões imediatamente, e US$ 100 bilhões somente se o presidente Bush considerar necessário. O Congresso pode reter os outros US$ 350 bilhões se não estiver satisfeito com o desempenho do programa.
Os democratas também conseguiram introduzir cláusulas para a proteção do contribuinte. O projeto estabelece um conselho de supervisão do programa, que incluirá o presidente do Federal Reserve (banco central americano), Ben Bernanke, entre outras altas autoridades americanas.
Leia mais
- O que está em jogo é importante demais para que fracassemos, diz Paulson
- Ideologia e eleições levam a colapso de pacote nos EUA
- "Não é hora de apontar culpados, mas de resolver o problema", diz McCain
- Rejeição do pacote foi decepcionante e é preciso um novo plano, diz Paulson
- Após rejeição a pacote nos EUA, índice Dow Jones tem maior queda da história
Livraria
- Jornalista explica a ESPECULAÇÃO e como mercados determinam fluxo de capitais; leia capítulo
- Entenda os ESTADOS UNIDOS, o dólar, a Alca, a CIA, a história e política externa do país
Especial



Os especialistas se baseam em economias de primeiro mundo, onde as pessoas são mais "mimadas" e dependentes das parafernálias de consumo ficando mais vulneráveis à crises.
Nós, brasileiros, estamos acostumados com a crise. Temos uma cultura de recessão ao longo de nossa história, ou seja, não sofremos muito com eventuais problemas economicos.
Para viver no Brasil, tem que ser forte e lutador
[]s
Eduardo.
avalie fechar
Estou indignado com este Sr Krugman, premio Nobel de Economia, com o que ele falou sobre o Brasil. Ele positivamente não sabe nada, e deveria fazer estágio com:
- certos comentaristas de tele jornais que foram outrora famosos, e boa parte de midia - influenciadores que foram influenciados por algum fator motivacional,
- nossos banqueiros e empresários em que só os otários acreditam,
- pessao ligado a Bovespa, Creci, Secovi que só falam o que lhes interessam.
Afinal de contas Sr. Krugman, nós temos a Copa de 2014, e Olimpiadas de 16, tb com apagões energéticos, aéreos, transito caótico, saneamento básico ruim, dengue, meningite, politicos, etc
Olha tb temos o pré-sal, que produzirá no final da década que ainda vais iniciar-se, o óleo mais "salgado" do mundo. Para extrai-lo vão ser necessário muitos dolares por barril, muitas vezes mais que nos outros Paises. Lógico que qto mais se gasta, menso se ganha.
Bem feito sr. Krugman, o Jornal da Band, e o Nacional boicotaram vc, e nada noticiaram sobre seus palpites furados.
E VIVA NÓIS
avalie fechar
avalie fechar