Dinheiro
30/09/2008 - 17h32

Bovespa fecha em alta de 7,6%, mas acumula quarto mês de perdas

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

Os investidores voltaram às compras nesta terça-feira, em busca de ações que ficaram baratas demais após o "pânico" de ontem. Esse movimento de "busca de barganhas" permitiu que a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) encerrasse o pregão de hoje com forte alta. No entanto, o ganho não foi suficiente para recuperar nem as perdas de ontem, nem a desvalorização acumulada no mês.

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O mercado permanece à espera de um novo acordo entre os congressistas americanos para aprovar a proposta de resgate financeiro, orçada em US$ 700 bilhões e rejeita ontem pela Câmara dos Representantes (deputados).

O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, valorizou 7,63% no fechamento e atingiu os 49.541 pontos. Trata-se da segunda maior alta da Bolsa em quase dez anos. O giro financeiro foi de R$ 4,87 bilhões, abaixo da média do mês (R$ 5,5 bilhões/dia) e do ano (R$ 5,9 bilhões/dia). No mês, a Bolsa acumula perda de 11%.

"Algum plano eles terão que aprovar. Não pode ficar do jeito como está. O problema é que o momento é de eleição nos EUA e a briga entre democratas e republicanos está forte", comenta Clodoir Viera, economista da corretora Souza Barros.

As ações líderes da Bolsa puxaram a recuperação de hoje. A ação preferencial da Petrobras, que sozinha movimentou R$ 737 milhões, teve avanço de 7,17%; a ação da Vale do Rio Doce, que girou outros R$ 457 milhões, teve alta de 7,95%.

O dólar comercial foi negociado a R$ 1,904 na venda, em forte decréscimo de 3,15%. No acumulado deste mês, o dólar registra valorização de 16,45%.

A taxa de risco-país marca 305 pontos, número 8,13% abaixo da pontuação final de ontem.

"O mercado teve um movimento de repique, já esperado, porque ontem tudo ficou muito ruim. Na verdade, o dólar até que está muito 'comportado' [entre os ativos financeiros]. Se o Brasil não fosse credor em dólar, essa taxa já estaria em R$ 3 tranqüilamente", comenta Mário Paiva, profissional da corretora Liquidez.

Na Europa, as principais Bolsas de Valores concluíram os negócios em terreno positivo, a exemplo de Londres (alta de 1,73%), Paris (ganho de 1,98%) e Frankfurt (avanço de 0,41%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York valoriza 3,30%. Em Nova York, a Bolsa local ganhou 4,68%.

Charles Dharapak/AP
Bush afirmou que o momento da economia é "crítico" e pediu urgência para o Congresso
Bush afirmou que o momento da economia é "crítico" e pediu urgência para o Congresso

Hoje, o presidente dos EUA, George W. Bush, voltou a falar em cadeia nacional e afirmou que deve se reunir com líderes congressistas. Ele disse que a situação "pode piorar a cada dia" e pediu urgência para o Congresso americano acerca de um novo acordo.

Depois de duras críticas e intensas negociações, o pacote, apresentado no último dia 20 pelo Departamento do Tesouro como um texto de três páginas, tornou-se um documento de mais de 100 páginas, com os acréscimos e detalhamentos a que foi submetido pelos congressistas. Mesmo assim, a proposta parou na Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados), derrubada por uma estreita margem --228 votos contra e 205 a favor.

A derrubada da proposta causou colapso nos mercados americano e brasileiro: o índice Dow Jones teve queda durante o dia de 777,68 pontos, maior recuo em pontuação na história do indicador. Na Bovespa, o dia encerrou em baixa de quase 10%.

Uma corrente de analistas ainda está relativamente "otimista" e conta com a definição de novos acordo e projeto, com reais condições de ser aprovado nesta semana pelos congressistas americanos. Ao mesmo tempo, lembram que os bancos centrais das maiores economias do planeta continuam agindo para debelar a crise.

Ontem, o Federal Reserve (banco central dos EUA) anunciou uma injeção extra de recursos nos bancos da ordem de US$ 150 bilhões. Hoje, o Banco do Japão liberou US$ 19 bilhões, em sua décima injeção de capital para acalmar os mercados.

Comentários dos leitores
Henrique Silva (187) 28/11/2009 00h46
Henrique Silva (187) 28/11/2009 00h46
FHC: foi um diplomata pacífico, mas fazia viagens internacionais para fazer visitas oficiais sem aumento de laços econômicos nem melhorou a imagem do país
LULA: é um diplomata pacífico, mas fez inúmeros acordos econômicos internacionais que permitiu ao Brasil aumentar as exportações e projetou o país como uma voz importante para discutir questões relevantes. Hoje o Brasil é um país respeitado internacionalmente e visto realmente como um país de grande potencial e liderança.
FHC: reservas internacionais: 18 Bilhões de dólares
LULA: reservas internacionais :235 bilhões de dólares
FHC: baseado arrocho salarial, estado mínimo, aumento de desigualdade social, aumento da dívida externa e desemprego quebrou o país 3 vezes em 8 anos e manteve a atividade econômica baixa e teve média de crescimento de 2,2% do PIB.
LULA: baseado na recuperação salarial, estado forte, diminuição da desigualdade social e aumento do emprego mantêm a atividade econômica nacional aquecida e mantêm crescimento econômico médio de 4,2%.
AINDA TEM GENTE QUE DIZ QUE A POLÍTICA ECONÔMICA É A MESMA... É PRA RIR?
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Henrique Silva (187) 28/11/2009 00h43
Henrique Silva (187) 28/11/2009 00h43
LULA: estimulou a criação de emprego e reduziu o desemprego deixado por FHC de 13% para 7,5% (em outubro de 2009). Os salários tiveram recuperação da perda deixada por FHC e o salário mínimo mais que dobrou (o resultado foi a movimentação econômica e a queda do desemprego)
FHC: privatizou as mais importantes estatais a preços questionáveis e viu o lucro destas empresas sair dos cofres da união para sustentar o crescimento econômico de companhias internacionais. Não privatizou a PETROBRÁS por sofrer forte pressão e protestos da sociedade, mas vendeu 2/3 das ações da empresa.
LULA: encerrou a farra das privatizações, valorizou em mais de 1000% a grande maioria das estatais e estas hoje são importantíssimas como promotoras do crescimento, suprimento de crédito nacional e geração de emprego (com mão de obra especializada).
FHC:Manteve durante todo seu governo juros altos (chegando a 48%) e entregou o governo com 25% da SELIC e fez com que o Brasil assumisse a liderança isolada dos juros NO MUNDO.
LULA: reduziu gradualmente os juros (que hoje é de 8,75%), o país deixou a liderança dos juros e hoje ocupa o quinta posição (com tendência de queda em médio e longo prazo).
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Henrique Silva (187) 28/11/2009 00h42
Henrique Silva (187) 28/11/2009 00h42
Só pra esclarecer algumas diferenças na política econômica do governo LULA e a (des)política do governo tucano:
FHC: Atrelou o real com o dólar durante metade de seu governo, o que fez com que o país se endividasse irresponsavelmente. Isto para poder importar produto barato manter a inflação baixa, mas muitas empresas nacionais quebrarem e o desemprego dobrar em apenas 4 anos. Em 1999 (após as eleições) aderiu ao câmbio flutuante e endividou ainda mais a dívida do país (que estava em dólar). Ao ser socorrido pelo FMI perdeu a autoridade de seu governo e a política econômica passou a ser comandada pelo Fundo Monetário Internacional.
LULA: Não tentou pirotecnia, como atrelamento de câmbio, estimulou as exportações (que mais que triplicou em seu governo), protegeu empresas nacionais com crédito, transformou a dívida em dólar em dívida em real, reduziu a dívida deixada por FHC de 67% do PIB para 42% do PIB (e com previsão de queda ainda maior para os próximos anos).
FHC: o país parou de investir em infra-estrutura para poupar dinheiro para pagar a dívida externa que ele mesmo explodiu em seu desgoverno.
LULA: colocou o país novamente como promotor do crescimento e realiza obras para combater os gargalos em infra-estrutura que se acumularam durante 20 anos.
FHC: sua política provocou crescimento do desemprego, que saiu da casa dos 6% para 13%. Sua política de arrocho salarial provocou o esfriamento econômico por falta de consumo e aumento das desigualdades sociais.
CONTINUA
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