Crise financeira exige resposta coordenada, diz Comissão Européia
da Folha Online
O presidente da Comissão Européia, o órgão executivo da União Européia (UE), José Manuel Durão Barroso, afirmou nesta quarta-feira que é essencial que o bloco europeu enfrente a crise financeira de maneira coordenada.
"É uma situação muito delicada que requer um grande esforço por parte de todos", afirmou Barroso. Em primeiro lugar, a UE deve resolver as "questões urgentes", mas ressaltou que, no longo prazo, é preciso adotar mudanças legislativas para garantir a estabilidade e restaurar a confiança na economia.
| Alessandro di Meo/Efe |
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| José Manuel Durão Barroso, da Comissão Européia, pede coordenação contra crise |
"Além de injeções de liquidez, é preciso injetar credibilidade na economia européia", disse Barroso e, para isso, são necessárias ações coordenadas em toda a UE. Para ele, ficou provado que o sistema financeiro europeu "resiste", mas também é evidente que "há dificuldades", por isso "devemos continuar trabalhando".
De maneira coordenada, disse, os governos dos países-membros, as instituições européias, e os reguladores e supervisores financeiros devem acelerar os planos de modernização do sistema financeiro.
Entre as mudanças mais necessárias, destacou o reforço da norma européia de supervisão, a adaptação das regras de contabilidade para refletir nos balanços o peso dos novos instrumentos de investimento e a melhora dos sistemas de garantia de depósitos.
O presidente da Comissão Européia também falou dos salários e indenizações dos executivos e lembrou que já propôs em 2004 abrir uma discussão na UE sobre a questão. Reiterou, em qualquer caso, que a crise atual é global e exige, portanto, uma solução coordenada em nível internacional.
Neste contexto, estimou a iniciativa do presidente da França, Nicolas Sarkozy (que ocupa a Presidência semestral da UE), de convocar um encontro internacional em novembro, com representantes do G8 (grupo que reúne os sete países mais ricos e a Rússia), mas aberta a outros líderes, para definir uma resposta e colocar as bases de um novo sistema financeiro.
A UE terá a oportunidade de preparar sua contribuição a esta cúpula na reunião organizada por Sarkozy esta semana com os quatro países europeus do G8 (Alemanha, França, Itália e Reino Unido) e os presidentes do BCE (Banco Central Europeu), da Comissão Européia e do Ecofin (grupo de ministros de Finanças de da zona do euro), assim como no Conselho Europeu que reunirá os países-membros em 15 e 16 de setembro.
Barroso pediu ainda às autoridades americanas a aprovação do plano de resgate do setor financeiro. "Os EUA devem assumir sua responsabilidade, pois disso depende seu destino e também o nosso", afirmou.
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