Apesar de ação do BC, Mantega nega que bancos brasileiros enfrentem problemas
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira que a oferta de crédito é o principal problema gerado pelo agravamento da crise financeira dos Estados Unidos. Ele garantiu, no entanto, que o governo tomará todas as medidas necessárias para que a economia brasileira continue crescendo e negou que os bancos brasileiros enfrentem problemas de solvência (dificuldade de pagar contas), mas sim de liquidez (oferta de dinheiro no mercado).
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"Temos procurado aumentar o crédito e temos medidas ainda para serem tomadas. O BC [Banco Central] tem feito leilões em dólares. (...) Vamos tomar todas as medidas para garantir que a economia continue crescendo, estimulando o mercado interno e a oferta de crédito", disse Mantega a um grupo de empresários na sede da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), em São Paulo.
| Ueslei Marcelino /Folha Imagem |
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| Ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que governo vai evitar falta de crédito |
Mantega negou que os bancos brasileiros passem por dificuldades. Ontem, o BC divulgou a flexibilização dos depósitos compulsórios dos bancos, que pode injetar mais R$ 23,5 bilhões no mercado. A medida permite que as instituições financeiras façam o abatimento de até 40% do recolhimento compulsório incidente sobre depósitos a prazo, como CDBs.
"Quero deixar claro que não há problemas de solvência, mas de liquidez nessa fase crítica. Se você recompuser a liquidez, tudo bem. Porque não há ativos podres. Mesmo instituições médias e pequenas, que neste momento têm mais dificuldades, têm boas carteiras".
Reservas
Mantega destacou a importância de o Brasil enfrentar a crise financeira dos EUA com reservas internacionais de R$ 200 bilhões "intactas". Ele afirmou, no entanto, que "há maneiras criativas de mexer nas reservas" para dar maior liquidez ao mercado.
"Há maneiras criativas de mexer nas reservas, como os leilões de compromissados do BC, em que o dólar é devolvido em 30 dias e mantém o fluxo de reservas. Há outras maneiras semelhantes a essa que podem ser feitas de moda a manter as reservas em um patamar e dar maior liquidez as linhas de crédito internacional, que é onde está o problema".
Segundo Mantega, a crise financeira não deve ter uma solução imediata, mas que o momento de estresse é passageiro. Para ele, a aprovação do pacote de salvamento dos bancos americanos na Câmara vai trazer alívio.
"O estresse, essa situação aguda é passageira. Devemos sair (dela) tão logo seja aprovado o pacote. A União européia também precisa de um pacote e estão preocupados".
Câmbio
Sobre a desvalorização do real frente ao dólar, Mantega afirmou que a cotação dificilmente voltará aos patamares "do passado". "O câmbio não voltará aos patamares do passado. Ele é flutuante e se situará em um ponto mais realista".
Em referência ao setor de bens de capital, o ministro da Fazenda reconheceu o 'desempenho brilhante', com crescimento de 25% no faturamento e de 15% das exportações neste ano (até agosto), em relação ao mesmo período de 2007, diante de um cenário de "dólar adverso".
"O desempenho é brilhante, dá pra dizer que é um desempenho chinês, com crise internacional correndo desde julho de 2007 (...) e dólar bastante adverso para o setor, e que felizmente, está sendo corrigido [câmbio], tanto para exportação quanto para barrar as importações. Esse câmbio é muito melhor. O real estava excessivamente valorizado", disse Mantega a empresários.
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