Bush sanciona projeto bilionário de resgate financeiro dos EUA
da Folha Online
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, assinou nesta sexta-feira o plano de resgate de US$ 700 bilhões destinado a salvar as instituições financeiras americanas, logo após o projeto ser aprovado na Câmara dos Representantes (deputados).
Bush cumpriu assim a promessa que fez de assinar o projeto o mais rapidamente possível. Com o texto sancionado por ele, o projeto vira lei. Em discurso hoje, o presidente elogiou a aprovação do plano ao considerá-lo vital "para ajudar que a economia americana supere a tempestade financeira".
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Advertindo que levará algum tempo para que a medida tenha um efeito, Bush disse: "Quando o Congresso me enviar a versão final do projeto, eu o converterei em lei", em declarações feita nos jardins da Casa Branca, logo após a aprovação do projeto.
No pronunciamento, Bush afirmou que mesmo representando um alto custo para o contribuinte, o pacote de ajuda ao setor financeiro acabará por trazer um retorno positivo e será utilizado de maneira "extremamente responsável".
A Câmara aprovou nesta sexta-feira o plano de ajuda bilionária ao setor financeiro proposto pelo governo americano, endossando assim a decisão do Senado tomada na quarta-feira (1). A aprovação coloca na mão do secretário do Tesouro, Henry Paulson, US$ 700 bilhões para tentar reverter a crise que começou nos Estados Unidos e abala o mercado financeiro mundial.
O pacote recebeu 263 votos a favor (sendo 91 republicanos e 172 democratas) e 171 votos contra (108 republicanos e 63 democratas).
Aprovação
Os deputados mudaram de opinião --a proposta foi rejeitada na última segunda-feira por 228 votos contra e 205 a favor-- depois de acrescentados itens que "adoçaram" o remédio que parecia apenas destinado a salvar o setor financeiro. Entre os itens incluídos pelo Senado estão US$ 150 bilhões em isenções e benefícios fiscais para a classe média, pequenos empresários e famílias atingidas por acidentes naturais.
| Shawn Thew/Efe |
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| Presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, disse que só colocaria pacote em votação se aprovação fosse certeza |
Paulson agora tem a anuência do Congresso para comprar um artigo conhecido por um nome pouco atraente: títulos "podres", ou papéis cujo resgate é muito improvável --conseqüentemente, cujo risco de calote é alto. A maioria destes ativos são ligados às hipotecas "subprime" (de alto risco), raiz da crise financeira que atinge os EUA.
Ainda que muito aguardado, o pacote aparentemente não bastou para convencer o mercado financeiro. Um dia depois do "sim" do Senado, a maior parte das Bolsas asiáticas fecharam em queda; as européias subiram ao longo do dia, mas fecharam em baixa.
Em Wall Street, a quinta-feira foi de forte retração. No Brasil, a Bovespa fechou ontem em baixa de mais de 7%. Hoje, o cenário também é de queda.
Ontem o FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgou documento no qual considera que o que começou como uma turbulência financeira há pouco mais de um ano, se tornou uma "crise intensa", que deve atingir duramente a economia dos EUA.
"[É] particularmente crucial que os poderes públicos adotem medidas enérgicas para favorecer o restabelecimento dos fundos próprios no sistema financeiro", diz o documento, que teve trechos divulgados ontem. "A reviravolta da conjuntura dos EUA pode ser mais violenta e pode evoluir para uma recessão."
Ciclo
| Arte Folha |
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O ciclo que se fechou hoje foi iniciado pelo próprio secretário do Tesouro no dia 19 do mês passado, ao dizer que seriam precisos "centenas de bilhões de dólares" para impedir que fosse adiante uma seqüência que, até então, incluía a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, a venda do Merrill Lynch a preço de ocasião (US$ 50 bilhões) ao Bank of America e ajudas bilionárias à seguradora AIG (US$ 85 bilhões) e às gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac (US$ 200 bilhões).
O pacote foi apresentado pelo governo, em sua primeira versão, no dia 20 de setembro: um documento vago, de três páginas, em que eram solicitados US$ 700 bilhões sem mencionar o compromisso de prestação de contas.
A idéia não agradou o Congresso, que então colocou em marcha um processo de negociação intenso, ao longo do qual ainda tombaram o Washington Mutual --no que analistas definiram como a maior falência de um banco nos Estados Unidos-- e o Wachovia, quarto maior banco do país, que nesta sexta-feira anunciou a fusão com o Wells Fargo, em uma operação de US$ 15,1 bilhões em troca de ações.
Na segunda-feira passada, dois terços dos republicanos e um terço dos democratas na Câmara rejeitaram a proposta inicial da Casa Branca. Após a rejeição, o Dow Jones, principal índice da Bolsa americana, registrou sua maior queda em pontos da história, e a Bolsa brasileira chegou a ter o pregão suspenso por cair mais de 10%.
Na versão final do Senado, o documento ganhou mais de 450 páginas. Naquela Casa, o texto recebeu 74 votos a favor e 25 contra. Entre os senadores que aprovaram o pacote estão os candidatos à Presidência dos EUA, Barack Obama e John McCain. Apenas o senador Edward Kennedy, que está sob tratamento de um câncer, não votou.
Apelos
| Charles Dharapak/AP |
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| Bush disse que o crédito está congelado e pediu para Câmara aprovar o pacote |
Antes da primeira rejeição ao pacote, o presidente Bush foi à TV três vezes pedir urgência na aprovação da medida.
No dia 24, ele disse que a não-aprovação da ajuda mergulharia o país em "uma longa e dolorosa recessão"; no dia 26, que não havia desacordos sobre a necessidade de se fazer algo para evitar maiores danos à economia; e no dia 29, horas antes da primeira votação na Câmara, que a aprovação do pacote deveria ser difícil.
Já o presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, foi ao Congresso tentar convencer os legisladores da necessidade do pacote.
Bernanke, que foi chefe dos conselheiros econômicos da Casa Branca e é especialista na Grande Depressão de 1929, pintou um cenário preocupante, principalmente em período de campanha para eleições legislativas: "Acredito que se os mercados de crédito não estiverem funcionando, empregos serão perdidos, nossa taxa de crédito vai aumentar, mais despejos vão ocorrer, o PIB [Produto Interno Bruto] vai contrair e a economia não vai conseguir se recuperar de um modo normal, saudável", disse.
Ontem, durante encontro com dirigentes de pequenas e médias empresas, Bush afirmou que o financiamento para os pequenos negócios está praticamente congelado e que era necessário que a Câmara aprovasse o pacote de resgate econômico.
"O crédito está congelado. As pessoas não estão conseguindo empréstimos de bancos e os bancos não estão emprestando para as médias e pequenas empresas. Isso significa que os empregos das pessoas estão em risco", disse.
com France Presse, em Washington
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Bem, essa forma de analise discordo. O que Obama fez em relação à crise foi a única opção e não devido a possíveis competências.
Isso acontece no Brasil tambem. Dizem que foi Lula que salvou o Brasil da crise, mas o que ele fez foi nada além de manter a inércia da política brasileira e com um pouco de sorte, deu certo de a crise não pegar tão forte.
Só que ao contrário do Brasil, o eleitorado Norte Americano exige mais, ainda mais depois do desastre de Bush.
Um presidente so quebra um país de for um ditador, caso contrário, setores da sociedade ajudam na tomada de decisões e o setor privado segura as pontas (que é o que acontece nos Estados Unidos e tambem no Brasil)
Inclusive hoje, um presidente não "pesa" tanto na condução de uma boa política de governo.
[]s
Eduardo.
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Eleitorado Norte-Americano é exigente. Quase 1 ano de Obama e a popularidade esta caindo e nem precisou se envolver em escandalos de corrupção.
Parabéns aos Norte-Americanos.
[]s
Eduardo.
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