Bovespa fecha em queda de 3,53%, apesar de aprovação de pacote nos EUA
EPAMINONDAS NETO
da Folha Online
O fim da "novela" do pacote anticrise nos EUA levou pouco alívio para os mercados nesta sexta-feira. A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) voltou a fechar com forte queda, enquanto o dólar atingiu seu preço mais alto em 13 meses. E no epicentro da crise, a Bolsa de Nova York perdeu 1,50%, em meio ao pessimismo generalizado dos investidores sobre a economia americana.
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E os efeitos da crise americana já se fazem sentir nas empresas. Devido às turbulências recentes no mercado internacional, a Aracruz Celulose admitiu perdas com operações de câmbio e suas ações despencaram.
O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, amargou retração de 3,53% e desceu para os 44.517 pontos, o nível mais baixo desde 28 de março de 2007. O giro financeiro continua reduzido: R$ 5,03 bilhões, abaixo da média diária do mês passado (R$ 5,3 bilhões), que já registrou o volume mais estreito de negócios na comparação com outros meses.
| Mike Theiler/Reuters |
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| Pacote será usado de forma responsável, disse o presidente dos EUA, George W. Bush |
O dólar comercial foi cotado a R$ 2,046 na venda, o que representa um salto de 1,13% sobre a cotação de ontem. Trata-se do maior preço para a moeda americana desde 16 de agosto de 2007. A taxa de risco-país marca 356 pontos, um aumento de 4% sobre a pontuação anterior.
A Bolsa de Nova York concluiu os negócios em queda de 1,50%. As Bolsas européias, que fecharam antes da votação na Câmara, são o retrato mais claro da animação dos investidores antes da votação. Em Londres, o índice FTSE subiu 2,26%, enquanto o índice Dax, do mercado de Frankfurt, avançou 2,41%.
Cumprido o "script" esperado por analistas e investidores, no entanto, as Bolsas de Valores começaram quase que imediatamente a cair. Embora vários economistas admitam que o pacote é fundamental para restabelecer a confiança no sistema bancário, é opinião corrente também que a economia americana mostrou números cada vez piores nos últimos dias.
Ontem, o mercado já reagiu bastante mal a dois dados que mostraram a desaceleração do crescimento econômico dos EUA: as encomendas às indústrias tiveram uma queda de 4% em agosto, a pior em dois anos; a procura pelos benefícios do auxílio-desemprego atingiu seu maior patamar desde 2001.
E nesta sexta-feira, os investidores tiveram ainda mais motivos para temer o pior: a destruição de postos de trabalho em setembro (159 mil vagas) foi muito acima do esperado (95 mil), o que pode ter um efeito cascata sobre o consumo e produção.
"A retomada da confiança, o retorno do crédito e a melhora dos mercados deve ser gradativa e não deve conseguir evitar uma desaceleração mais forte e prolongada das economias desenvolvidas, com impactos para as emergentes", avalia Miriam Tavares, diretora da corretora AGK em comentário divulgado logo após a votação na Câmara.
Para analistas, a reação de hoje somente sinaliza o mau humor reinante nos mercados financeiros: as más notícias geram "pânico" e derrocada das Bolsas; as boas notícias, quase indiferença.
Empresas
As ações da Aracruz lideraram a fila das maiores baixas do dia, no rol dos papéis que compõem o Ibovespa. A ação preferencial dessa companhia despencou 24,80%. Logo abaixo na fila, a ação ordinária da BM&F-Bovespa recuou 13,69%. E na terceira posição, a ação ordinária da JBS sofreu retrocesso de 11,61%.
A Aracruz, que já havia advertido os acionistas sobre perdas em operações de câmbio no mercado futuro, revelou na noite de ontem o tamanho do prejuízo sobre o caixa da empresa. Segundo a empresa, uma auditoria contratada para avaliar as operações constatou um valor justo ("fair value") negativo em R$ 1,95 bilhão (na data do dia 30 de setembro).
O chamado "fair value", no jargão do setor financeiro, representa o valor de mercado de um bem, serviço ou ativo financeiro (no caso, as posições da Aracruz no mercado futuro).
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A Bolsa é para profissionais, qualquer pessoa que entrar sem um bom conhecimento vai perder dinheiro.
Só ganha que sabe aplicar com visão de longo prazo.
Os demais são muito sensiveis ao chamado efeito manada, e, por isso perdem.
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" NAS ÚLTIMAS SEMANAS PARA A BOVESPA NOTICIAS BOAS ERAM BOAS E AS RUINS TAMBEM ERAM BOAS " justificando assim o recente rally de alta na Bovespa.
Até que enfim alguem do ramo reconhece a especulação desenfrada que tomou conta de nossa Bolsa nos últimos meses.
Só que tudo que sobe sem fundamento, cai qdo os fundamentos voltam, e só acreditavam na alta os OTÁRIOS.
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