BC divulga alteração na nova regra para aumentar crédito a bancos pequenos
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O Banco Central anunciou na noite desta sexta-feira duas alterações na norma que flexibilizou os depósitos compulsórios para dar mais crédito aos bancos pequenos no Brasil.
O BC anunciou ontem que dará um desconto no compulsório recolhido sobre depósitos a prazo (aplicações financeiras, como CDBs). A medida vale apenas para as instituições que comprarem parte das carteiras de crédito de bancos médios e pequenos.
Pela alteração feita hoje, fica vedada a recompra da carteira pelo banco que fez a venda. Além disso, o banco vendedor ficará com a "coobrigação" em relação ao risco dos empréstimos.
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A mudança no compulsório é mais uma medida para amenizar os efeitos da crise internacional de crédito na economia brasileira. O compulsório é o dinheiro que os bancos são obrigados a depositar no BC. Quando o cliente de um banco aplica dinheiro em um CDB, por exemplo, a instituição é obrigada a depositar 15% desse valor em uma conta no BC. Este dinheiro fica fora da economia e ajuda a reduzir o crédito.
Outra redução do compulsório, anunciada há cerca de dez dias, também tinha como objetivo ajudar os bancos pequenos. Com a atual crise de confiança no sistema financeiro, os bancos menores, que dependem mais de captação de dinheiro no exterior, são os que mais sofrem. Além disso, os grandes bancos brasileiros estão reticentes em emprestar recursos para essas instituições menores.
Desconto
O desconto anunciado ontem é temporário. Vale apenas para quem comprar carteiras de crédito até o fim do ano. Também haverá um limite para esse desconto: 40% do dinheiro que seria recolhido. Para incentivar a ajuda a mais de uma instituição, o banco grande só pode usar 20% para cada carteira comprada. Para usar todo o desconto, é preciso comprar a carteira de dois bancos pequenos.
A estimativa do BC é que a mudança injete R$ 23,5 bilhões na economia. A medida anunciada anteriormente no compulsório já significou cerca de R$ 13 bilhões.
Para garantir que a ajuda seja direcionada aos bancos menores, as instituições vendedoras devem ter patrimônio de até R$ 2,5 bilhões. Isso deixa de fora os 17 maiores bancos do país.
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