Países da Europa buscam ação coordenada contra crise financeira
da Folha Online
com Efe e France Presse
Os líderes de quatro países europeus do G8 (Alemanha, França, Itália e Reino Unido) discutem neste sábado, em Paris, uma maneira de conseguir uma coordenação européia de urgência contra a crise financeira que atinge a economia global e estabelecer uma posição comum às vésperas do debate internacional sobre as reformas do sistema financeiro.
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O presidente francês, Nicolas Sarkozy, recebe no Palácio do Eliseu a partir das 16h30 locais (11h30 de Brasília) os chefes do governo da Alemanha, Angela Merkel, Itália, Silvio Berlusconi, e Reino Unido, Gordon Brown, para uma pequena cúpula européia.
Sarkozy, que neste semestre exerce a presidência da UE (União Européia), assegurou que o encontro é para preparar uma composição européia para a reunião habitual dos ministros de Finanças dos Estados na próxima semana, em Washington.
Também participam do encontro de hoje o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e os presidentes do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, e do Eurogrupo (ministros das Finanças da zona euro), Jean-Claude Juncker.
Os preparativos para a reunião de Paris foram marcados pela divergência entre os participantes, especialmente sobre a idéia de um fundo europeu para salvar o setor bancário de cerca de 300 bilhões de euros, que foi rapidamente desprezada diante da oposição, sobretudo, de Merkel.
Neste sábado, após encontro com Sarkozy, o diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, afirmou que a Europa deve adotar uma postura coordenada sobre a crise financeira e países não deveriam mostrar sinais de ação isoladamente.
Nesta sexta-feira, Jean-Claude Trichet disse que a zona do euro vive um momento de "crescimento desacelerado e corre um sério risco de que a situação seja ainda pior". Sobre o plano conjunto, ele disse que As instituições da UE não são adaptadas para lançar um plano de socorro ao sistema bancário a exemplo dos Estados Unidos.
"Um plano similar ao anunciado pelo governo americano não corresponde à estrutura política da Europa", disse o o francês durante entrevista à imprensa. Segundo ele, a União Européia "não tem orçamento federal".
O presidente da Comissão Européia, o órgão executivo da UE, José Manuel Durão Barroso, afirmou nesta semana que é essencial que o bloco europeu enfrente a crise financeira de maneira coordenada.
Indicadores
O ministro do Orçamento da França, Eric Woerth, admitiu nesta sexta-feira que a economia do país entrou em "recessão técnica" após dois trimestres de crescimento negativo, embora tenha insistido que 2008 terminará com um crescimento econômico de 1%.
Segundo previsões do Insee (Instituto de Estatística Francês) divulgadas ontem, o PIB da França registrará um retrocesso de 0,1% no terceiro e no quarto trimestres, depois de ter retrocedido 0,3% no segundo.
Na semana passada, a Irlanda informou que entrou em recessão no primeiro semestre de 2008, convertendo-se no primeiro país da zona do euro a sofrer as conseqüências da crise financeira que começou há um ano nos EUA.
Ontem, o Banco Central irlandês informou que a primeira recessão que a Irlanda sofre em 25 anos vai durar dois anos. Na esteira da crise, o governo irlandês garantirá durante os próximos dois anos todos os depósitos bancários dos seis grandes bancos nacionais para "salvaguardar o sistema financeiro irlandês", anunciou o ministro da Economia do país, Brian Lenihan.
Fazem parte da zona do euro os países que utilizam a moeda única européia: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslovênia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta e Portugal. Já a União Européia inclui: Bulgária, Dinamarca, Eslováquia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e Suécia.
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