Governo alemão tenta impedir que crise de banco hipotecário se espalhe
da Efe, em Berlim
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou neste domingo que seu governo está determinado a impedir que a crise do banco hipotecário alemão Hypo Real Estate contagie todo o sistema financeiro.
Merkel disse que seu Executivo está trabalhando a todo vapor em um novo plano de resgate para o banco.
| Tomas Bravo - 18.mai.2008/Reuters |
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| Chanceler alemã, Angela Merkel, diz que não deixará banco Hypo Real Estate quebrar |
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"A mensagem do governo hoje é a de que não permitiremos que a crise de uma instituição financeira coloque em perigo todo o sistema. Por isso, estamos trabalhando a todo vapor para salvar o Hypo Real Estate", disse Merkel.
A chanceler ressaltou que os cidadãos não têm que temer por suas economias e afirmou que será feito todo o possível para responsabilizar pessoalmente os culpados pela má gestão. "Eles devem aos contribuintes", afirmou.
Merkel fez estas declarações à imprensa por ocasião da reunião sobre a crise realizada pelo governo com o Bundesbank (banco central alemão) e a Autoridade de Supervisão Financeira Federal (BaFin, em alemão).
O objetivo do encontro era buscar com urgência uma solução para a citada entidade hipotecária, após a retirada dos bancos privados da operação de resgate anunciada na segunda-feira.
Novo plano
O Hypo Real Estate anunciou sábado à noite o fracasso da operação e destacou que o grupo de bancos privados que tinha se comprometido a participar, juntamente com o Estado, em um empréstimo imediato de 15 bilhões de euros tinha retirado sua oferta.
Fontes do governo disseram que uma das possíveis soluções consistiria em ampliar o raio de entidades a participarem do pacote de resgate às seguradoras, com o que os encargos ficariam divididos entre o Estado, os bancos e as companhias de seguros.
A primeira operação de ajuda previa o mencionado empréstimo imediato, além de um segundo lance de 20 bilhões de euros por parte do Estado até meados de 2009.
Do total de 35 bilhões de euros de crédito, o governo tinha se comprometido a assegurar 26,5 bilhões de euros com o aval do Estado.
No entanto, um relatório do Deutsche Bank tinha chegado à conclusão de que o banco em crise precisa de 50 bilhões de euros até o final do ano, e pelo menos entre 70 bilhões e 100 bilhões de euros até o final de 2009.
Isto, aparentemente, foi o estopim para que os bancos retirassem sua oferta.
Liquidez
Um porta-voz do Hypo Real Estate não quis confirmar estes números, mas reconheceu que os problemas de liquidez de sua filial Depfa Bank, estabelecida na Irlanda, aumentaram desde o anúncio da operação de resgate.
"Não há dúvida que a liquidez do Depfa Bank piorou ao longo da semana desde que se começou a especular com a possibilidade de uma possível liquidação do Hypo Real Estate Group", disse o porta-voz.
O ministro das Finanças alemão, Peer Steinbrück, disse estar "horrorizado" com a má gestão do Hypo Real Estate e a "aparição de um novo buraco de liquidez de dimensões milionárias inimagináveis".
"O governo rejeita que esta instituição tente se fazer co-responsável" de sua situação, disse Steinbrück.
Segundo o porta-voz do Ministério das Finanças da Alemanha, Torsten Albig, também está em andamento uma reunião entre representantes do governo, do Bundesbank, e da Bafin, encontro no qual se somarão à tarde líderes de bancos privados.
O objetivo é encontrar ainda hoje uma solução para evitar um colapso quando o mercado financeiro abrir nesta segunda-feira.
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