Dinheiro
05/10/2008 - 23h21

Alemanha anuncia plano para salvar banco hipotecário

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da Efe, em Berlim

A Alemanha conseguiu neste domingo, literalmente no último instante, aprovar uma nova operação de resgate para evitar a quebra do banco hipotecário alemão Hypo Real Estate (HRE) e a inevitável queda das bolsas que teria seguido o fracasso.

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Neste domingo, a menos de duas horas para a abertura das bolsas na Ásia, o governo e os bancos privados acordaram um novo pacote de ajuda ao banco hipotecário alemão no valor de 50 bilhões de euros (cerca de US$ 69 bilhões ou R$ 141,3 bilhões).

Com esta segunda tentativa de resgate em apenas uma semana --o primeiro pacote fracassou após vir a público que as necessidades do HRE eram superiores às anunciadas--, a Alemanha, definitivamente, abandonou sua posição de relativa passividade frente à crise.

Horas antes de pactuar a operação de resgate, a chanceler alemã, Angela Merkel, tinha deixado entrever que o Estado oferecerá uma garantia estatal a todos os depósitos privados, cuja soma alcança cerca de 568 bilhões de euros (cerca de R$ 1,5 trilhão).

Com isso, Merkel não só abandonou a direção que mantinha até agora, mas inclusive seguiu o exemplo da Irlanda, à qual, na minicúpula de Paris, ainda tinha criticado por ter empreendido este caminho sozinha.

Mudança de plano

No entanto, o risco de que a Alemanha sofresse uma fuga de capital em direção à Irlanda, como a que ocorreu no Reino Unido, fez o governo mudar de idéia e abandonar a via da consolidação orçamentária como o máximo preceito a ser seguido.

Merkel e o ministro das Finanças, Peer Steinbrück, antecipavam em conjunto: "Garantiremos que os poupadores e poupadoras na Alemanha não tenham que perder um só euro de seus depósitos".

Tomas Bravo - 18.mai.2008/Reuters
Chanceler alemã, Angela Merkel, diz que não deixará banco Hypo Real Estate falir
Chanceler alemã, Angela Merkel, disse que não deixaria banco Hypo Real Estate quebrar

Já no Ministério das Finanças, representantes do governo, do Bundesbank (Banco Central alemão) e dos bancos privados buscavam com empenho soluções para o HRE.

Finalmente, a solução consistiu em que os bancos, que no sábado ainda anunciaram que se retiravam da operação após saberem que os problemas de liquidez do HRE eram muito maiores do que os revelados, dobrassem seus créditos imediatos.

Segundo o Ministério das Finanças alemão, os bancos se comprometeram a conceder uma garantia de crédito adicional de 15 bilhões de euros, que se soma aos 35 bilhões de euros acordados por Estado e bancos há uma semana.

Com estes 50 bilhões de euros, espera-se devolver ao banco a liquidez necessária e recuperar a estabilidade dos mercados financeiros, informaram as fontes.

Acordo

O acordo contempla que em até um montante total de 14 bilhões de euros, o Estado assuma 40% e os bancos, 60% dos riscos que seriam derivados se o HRE tivesse que usar os créditos.

A instituição financeira alemã comemorou o acordo e, em uma primeira reação, em sua sede em Munique, um porta-voz disse que o banco analisará agora os detalhes do acordo.

Merkel, e o ministro das Finanças tinham rejeitado antes uma nacionalização do banco, como tinham exigido algumas instituições.

Merkel assegurou que, independentemente de o Estado estar disposto a ajudar o banco em crise, seu governo iniciará todos os instrumentos legais necessários para responsabilizar pessoalmente os culpados da má gestão.

"Devemos isso ao contribuinte", disse.

Crise

Um porta-voz do HRE havia admitido antes que os problemas de liquidez de sua filial Depfa Bank, estabelecida na Irlanda, tinham aumentado desde que a operação de resgate foi anunciada.

"Não há dúvida de que a liquidez do Depfa Bank piorou ao longo da semana desde que se começou a especular com a possibilidade de uma possível liquidação do Hypo Real Estate Group", disse o porta-voz.

O HRE tem grandes dificuldades de financiamento porque a filial Depfa Bank não conseguiu liquidez no mercado interbancário, por causa da crise financeira internacional.

Em 2007, o Hypo Real Estate adquiriu, por 5,7 bilhões de euros, o Depfa Bank, uma entidade especializada no financiamento de obras públicas e que depende muito dos mercados de dinheiro para seu refinanciamento.

Desde que se agravou a crise financeira, o mercado interbancário está praticamente paralisado, o que fez com que o Depfa Bank não obtivesse refinanciamento a curto prazo.

 

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