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Dinheiro
06/10/2008 - 00h34

BNP Paribas adquire negócio bancário do belgo-holandês Fortis

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da Efe, em Bruxelas

O banco francês BNP Paribas chegou a um acordo para obter o controle das atividades bancárias do banco belgo-holandês Fortis na Bélgica e em Luxemburgo. Apresentado pelo primeiro-ministro belga, Yves Leterme, o negócio dá ao grupo francês 75% do Fortis na Bélgica e 67% em Luxemburgo.

Os Estados manterão as ações restantes do banco em seus países.

Veja os efeitos sobre a Europa da crise financeira nos EUA.

A Bélgica receberá, em troca, novas ações do banco no valor de 8,25 bilhões de euros, o que transformará o Estado no acionista majoritário do grupo francês, com 11,7%, segundo confirmou a entidade francesa. Já Luxemburgo obteria 1,4% do capital da entidade.

A cotação do Fortis --cujos títulos são negociados nas Bolsas de Valores de Bruxelas e Amsterdã-- será suspensa nesta segunda-feira, anunciou a autoridade reguladora belga, para permitir aos mercados avaliar a abrangência do pacto.

Acordo

O acordo fechado neste domingo (5) será materializado em duas fases. Em uma primeira, os Estados, que têm desde o último fim de semana 49% dos títulos dos serviços bancários do Fortis, adquirirão os 51% restantes, o que, no caso da Bélgica, significa 4,7 bilhões de euros.

A seguir, as autoridades venderão ao BNP as partes estipuladas por cada um deles (75% na Bélgica e 67% em Luxemburgo) em troca de ações na entidade francesa (10% do capital para a Bélgica e 1,4% para Luxemburgo).

O BNP Paribas adquirirá a divisão de seguros do Fortis na Bélgica, enquanto a Fortis Holding conservará a divisão de seguros internacional, Fortis Insurance International.

Segundo Leterme, será criada na Bélgica uma nova estrutura financeira para alojar os ativos podres (sem liqüidez) do Fortis, que administrará uma carteira de créditos estruturados no valor de 10,4 bilhões de euros. Esta sociedade será de propriedade do Fortis Holding (66%), do Estado belga (24%) e do BNP Paribas (10%).

O premiê afirmou que o plano é uma solução duradoura para o Fortis e uma proteção para seus clientes, e insistiu em que o Estado garantirá que nenhum poupador tenha dificuldades.

Ele explicou que, com o objetivo de manter os postos de trabalho, o governo escolheu o BNP Paribas, uma entidade com pouca presença no mercado no varejo belga, e ressaltou que a operação de resgate não significará um grande peso aos cofres nacionais.

A direção do BNP Paribas declarou em carta aberta que a compra do Fortis transforma o banco "no número um da zona do euro no valor dos depósitos" e lhe permite seguir "bem preparado para superar a crise atual".

Crise

A divisão do Fortis, uma das entidades européias mais afetadas pelas turbulências financeiras, começou na sexta-feira, quando o governo holandês decidiu a nacionalização total de suas atividades na Holanda (bancos e seguros, incluindo os ativos do ABN Amro).

Exatamente há uma semana, os três países do Benelux tinham pactuado injetar 11,2 bilhões de euros no Fortis em troca de 49% de seus ativos bancários em cada um dos Estados.

Com essa medida, os três governos buscavam resolver seus problemas de liquidez, frear sua queda em bolsa --neste ano, a entidade perdeu quase 70% de seu valor-- e recuperar a confiança dos investidores.

Os problemas do Fortis começaram no ano passado, com o início da crise das hipotecas de "alto risco", pouco após terminar a operação de compra do ABN junto ao RBS e Santander.

A necessidade de liquidez para pagar sua parte, em um contexto de desconfiança crescente nos mercados, levou o banco a fazer, em junho, uma ampliação de capital, uma decisão que foi mal recebida pelos mercados e que custou o cargo do então executivo-chefe, Jean-Paul Votron.

Seu sucessor, Herman Verwilst, ficou menos de três meses no posto, pois foi afastado na sexta-feira passada, em meio a rumores sobre a solidez financeira do Fortis e com os títulos da entidade em queda livre.

 

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