Dinheiro
06/10/2008 - 08h49

Decisões emocionais prevalecem na Bolsa de Valores, diz analista

Publicidade

DENYSE GODOY
da Folha de S.Paulo

Por trás da forte oscilação que a Bolsa de Valores de São Paulo exibiu nos últimos dias, sem prestar atenção aos fundamentos da economia brasileira e freqüentemente ignorando notícias que pudessem indicar um caminho a seguir, está um único sentimento, dizem analistas: o medo.

Mas não são apenas os estudiosos de finanças comportamentais, os quais se dedicam a explicar as decisões de investimento com base em conceitos da psicologia e da sociologia, que fazem tal diagnóstico. Muitos operadores do mercado financeiro e gestores de recursos admitem que se deixam levar pelas emoções na hora de realizar os seus movimentos, tanto nos tempos de grande incerteza quanto nos de bastante otimismo. A euforia esconde o risco e o pessimismo não deixa ver a luz no fim do túnel.

Os pequenos investidores ficam ainda mais reféns da irracionalidade. Alimentam, dessa maneira, o chamado "efeito manada": sem saber exatamente o que fazer, todo mundo corre junto para o mesmo lado. Não há elementos de pânico no recente sobe-e-desce da Bovespa, porém está claro, na avaliação dos especialistas, que a insensatez tem prevalecido.

"Grande parte dos investidores que aplicam em ações atualmente só viveu o período de alta e somente contava com os lucros. Diante de uma crise, naturalmente acaba se assustando e tem vontade de fugir, sair correndo", explica Jurandir Sell Macedo Junior, professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). "Se fizer isso, vai se machucar."

A melhor maneira de se proteger quando o nervosismo ao redor está exacerbado é se ater aos seus objetivos. "Quem quer mais e mais acaba passando do ponto. Ter uma estratégia clara para o dinheiro e estabelecer, antes de começar a aplicar, as metas de retorno é essencial", frisa Vera Rita de Mello Ferreira, professora da FIA (Fundação Instituto de Administração) e autora de livros sobre psicologia econômica. "Além disso, é preciso fazer uma comparação dos rendimentos com o valor inicial e não com os picos que ocorreram no período, porque aquele dinheiro não representou um ganho efetivo."

A Bolsa é um investimento que oferece maiores riscos porque também apresenta chances de ganhos maiores. Diversificar, escolhendo ações de setores diferentes e colocando ainda algumas parcelas os recursos em aplicações mais conservadoras ajuda a equilibrar os perigos e evita dores de cabeça.

Entretanto, os lucros prometidos pelo longo prazo podem não compensar o sofrimento de ver as economias das famílias se deteriorarem nas épocas de turbulências no mercado acionário. Por isso, caso a angústia seja demasiada, deve-se até considerar vender as ações com prejuízo e buscar uma opção de poupança mais segura. "As reservas servem para proporcionar tranqüilidade e segurança, e não ser fonte de ansiedade", comenta Macedo.

Comentários dos leitores
celso assis (69) 27/11/2009 13h20
celso assis (69) 27/11/2009 13h20
É TUDO BOBAGEM, DUBAI, BOLHAS ESPECULATIVAS, ETC.
AFINAL DE CONTAS ESTÁ TUDO SUPER OK, AS ENXURRADAS DE OTIMISMO APOIADAS POR UMA MIDIA COM INTERESSES, E EMPRESARIOS GANANCIOSOS E FAJUTOS, VARREM O MUNDO COMO TSUNAMIS.
E VIVA TODO MUNDO.
sem opinião
avalie fechar
Olmir Antonio de Oliveira (60) 27/11/2009 12h28
Olmir Antonio de Oliveira (60) 27/11/2009 12h28
A respeito de matriz energética, aquecimento global. Uma diversificação na produção de bioenergias, em especial no brasil seriam bem vindas, consorciação, mesclagem, associação inclusive com atividade coorelacionadas, palmeiras diversas. Reflorestamento para fins industriais, óleos para diversos fins e para madeira, não relegando culturas usuais para alimentos, soja,milho, amendoim, algodão "caroço", assim como itens de ciclo curto, batata, beterraba....e de ciclo médio a exemplo da mandioca, uva,... que podem compor um mix de fontes para produção auxiliar de etanol, biodiesel, bioquerosene. Mas sobremaneira serem grandes produtores de oxigenio e sequestradores carbono, de importancia de grande valia em redução de temperaturas da exposição solar, retentores de água e de recursos naturais diversos, e certamente muito menos utilizadores de produtos quimicos nocivos a vida no planeta de um modo geral. Gerando receitas, empregos, economizando divisas com importações de itens da base brasileira do sistema de transporte sobre pneus. Existindo ampla possibilidade para tais combustiveis de associarem com tecnologias de veiculos hibridos, elétricos...... sem opinião
avalie fechar
marcio B. (47) 26/11/2009 16h52
marcio B. (47) 26/11/2009 16h52
O oriente médio ganha 2x - Rolagem da dívida e aumento dos preços do petróleo, Nós do ocidente perderemos 2x , aumento do preço do petróleo e quedas na bolsa... Vejo o dedo, as mãos e o braço todo de George Soros para novamente lucrar astronomicamente com essa nova bolha especulativa que está se formando novamente na nossa bolsa. 2 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (838)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca