Prejuízos e nacionalizações marcam crise financeira na Europa
da Folha Online
Prejuízos de bilhões de dólares e necessidade de intervenção governamental para evitar quebras em série em instituições financeiras, que poderiam acelerar uma recessão em escala global. Esses são os efeitos da atual crise financeira entre os bancos europeus --crise essa que tem suas raízes no mercado imobiliário dos EUA mas já se espalhou pelo mundo todo.
O mercado imobiliário dos EUA viveu um "boom" logo após a crise das empresas "pontocom", em 2001. A expansão no mercado imobiliário acabou por chegar a um nicho ainda não explorado: o de clientes "subprime", que representava um risco maior de inadimplência e que, por isso mesmo, prometia retornos mais altos.
Esses retornos atraíram instituições americanas e estrangeiras, que compraram esses títulos "subprime" das companhias hipotecárias e permitiram que uma nova quantia em dinheiro fosse emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago. Esse sistema gerou uma cadeia de venda de títulos.
Em um mercado financeiro cada vez mais integrado --efeito da globalização nos últimos anos--, o efeito do não-pagamento de um empréstimo na ponta (quem toma o empréstimo) gera um ciclo de não-recebimento por parte dos compradores dos títulos. Isso cria uma desconfiança generalizada que se espalha por praticamente todas as categorias de crédito. O resultado é uma relutância cada vez maior por parte das instituições financeiras em oferecer crédito, e o reflexo dessa desconfiança é a paralisia em curso nos mercados financeiros.
Muitas das instituições européias hoje beirando a falência acabaram, assim, com papéis "podres" (de resgate muito improvável, ou seja, sob sério risco de calote) em suas reservas, adquiridos de instituições americanas.
| Reuters |
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| Dominique Strauss-Kahn, do FMI, pede coordenação contra crise financeira |
Um dos primeiros passos logo no início da dança da crise foi a decisão do banco francês BNP Paribas, em agosto de 2007, de congelar cerca de 2 bilhões de euros em fundos, citando as preocupações sobre o setor de crédito "subprime" (de maior risco) nos EUA --até então, um termo que não ocupava tanto espaço no vocabulário do mercado financeiro.
A EBF (Federação Européia de Bancos, em inglês) considerou o sistema bancário europeu sólido o bastante para passar pela crise financeira e garantir as economias de seus clientes. O diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, embora não exatamente pessimista, optou pela prudência e recomendou que as instituições bancárias européias se preparassem "para o pior" dentro do contexto de crise financeira.
Ele ainda pediu coordenação para enfrentar a crise --mesmo pedido já feito pelo presidente da Comissão Européia, o órgão executivo da União Européia (UE), José Manuel Durão Barroso. Além deles, França, Alemanha, Reino Unido e Itália já se dispuseram a impedir falências bancárias, além de definirem como será essa coordenação.
Tudo isso, no entanto, ainda é incipiente, preliminar: enquanto toda a ajuda disponível não vem, os bancos continuam a sofrer os efeitos da crise. A vítima mais recente entre as instituições européias atingidas pela crise foi o banco hipotecário alemão Hypo Real Estate (HRE). O governo alemão --um dos mais avessos à idéia de elaborar um pacote, aos moldes do americano, para salvar o sistema bancário europeu--, em parceria com outros bancos privados, fecharam um pacote de 50 bilhões de euros (cerca de US$ 69 bilhões ou R$ 141,3 bilhões) para salvar o Hypo.
Além disso, a chanceler alemã, Angela Merkel, sinalizou com uma garantia do governo a todos os depósitos bancários no país, que chegam a 568 bilhões de euros (cerca de R$ 1,5 trilhão). O governo alemão tenta, assim, se mobilizar para tentar evitar que a crise financeira se transforme em uma crise econômica.
Crise econômica é o que pode já estar às portas da França e da Irlanda. Previsões do Insee (Instituto de Estatística da França) divulgadas na sexta-feira (3) mostraram que o PIB (Produto Interno Bruto) do país terá queda de 0,1% no terceiro e no quarto trimestres, depois de ter retrocedido 0,3% no segundo. Dois trimestres consecutivos de retração do PIB indicam recessão.
| Phil Noble/Reuters |
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| Reino Unido confirmou a estatização do banco britânico Bradford & Bingley |
A Irlanda, por sua vez, já detém o duvidoso título de primeiro país da zona do euro a entrar em recessão : o PIB do país no segundo trimestre teve uma contração de 0,5%, depois de uma contração de 0,3% no primeiro. O banco central irlandês já previu também que a recessão no país, a primeira que a Irlanda sofre em 25 anos, deve durar dois anos. Mesmo assim, ou talvez por causa disso, o governo irá garantir durante os próximos dois anos todos os depósitos bancários dos seis grandes bancos nacionais para "salvaguardar o sistema financeiro irlandês".
O suíço UBS, um dos primeiros e dos mais atingidos pelos efeitos da crise, teve no segundo trimestre deste ano um prejuízo de US$ 328,45 milhões, ligado ao setor de créditos "subprime" e já cortou 6.000 empregos desde o ano passado.
Raiz
A raiz dos problemas europeus tem em comum com a dos americanos as ligações com o mercado imobiliário: o alemão Hypo é um banco de hipotecas. No Reino Unido, o Northern Rock, uma das principais instituições hipotecárias do país, foi nacionalizado neste ano. Na Irlanda, que está em recessão, analistas vinham alertando para o estouro da bolha imobiliária no país, acarretada pela desaceleração no setor de construção civil.
O governo britânico já anunciou um pacote de investimentos e cortes de impostos para estimular o mercado imobiliário. Os preços dos imóveis no Reino Unido caíram cerca de 10,5%, segundo a Nationwide Building Society.
O governo britânico tenta evitar que a previsão da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) se concretize: a organização informou que a economia do Reino Unido deve registrar contrações de 0,3% e 0,4% nos dois últimos trimestres do ano, respectivamente --o que significaria mais uma das grandes economias mundiais no território da recessão.
O britânico Bradford & Bingley (B&B), uma das grandes operadoras de hipotecas do país, também foi nacionalizado, com parte de suas operações vendida ao espanhol Santander.
Bélgica, França e Luxemburgo também se uniram para salvar o banco franco-belga Dexia, com uma injeção de US$ 9,2 bilhões. O grupo bancário e de seguros belgo-holandês Fortis também se viu em meio a problemas causados perla crise. As ações do banco já caíram mais de 70% neste ano. Autoridades financeiras da Holanda, Bélgica e Luxemburgo anunciaram a nacionalização de parte do grupo, colocando cerca de US$ 18 bilhões para evitar o colapso da instituição.
No mercado de trabalho europeu no segundo trimestre, o número de postos de trabalho na zona do euro cresceu apenas 0,2% ritmo mais lento desde 2006. Os dados mais recentes sobre a produção industrial na região, referentes a julho, mostram uma queda de 1,7%; além disso, o dado de junho foi revisado para baixo --queda de 0,2% sobre maio e de 0,8% sobre junho do ano passado (as divulgações anteriores eram de estabilidade e queda de 0,5%, respectivamente).
A OCDE espera um crescimento de 1,3% para a zona do euro neste ano, contra 1,7% na projeção anterior. A economia da região se contraiu em 0,2% no segundo trimestre de 2008, em comparação aos primeiros três meses do ano.
Ação
Os governos dos quatro países europeus do G8 (Alemanha, França, Itália e Reino Unido) chegaram a um acordo para processar os responsáveis de bancos que precisem de ajudas públicas. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e dos primeiros-ministros do Reino Unido, Gordon Brown, e da Itália, Silvio Berlusconi, apelaram para uma "cúpula internacional o mais breve possível com os Estados mais interessados na reforma do sistema financeiro mundial".
A reforma que pretendem ver efetuada envolve a regulamentação de todas as instituições envolvidas com o sistema financeiro, e não só os bancos; uma modificação das normas contábeis para evitar bolhas especulativas; um controle político mais presente das instituições internacionais encarregadas de regular os mercados para garantir a coerência de suas ações; e a criação, em tempos de crise, de um grupo de trabalho entre supervisores do mercado, bancos centrais e Ministérios de Finanças.
Para Merkel, as propostas são "uma contribuição à confiança no sistema financeiro"; Brown, por sua vez, destacou que "a liquidez será assegurada para preservar a estabilidade e a confiança" do sistema bancário.




Os especialistas se baseam em economias de primeiro mundo, onde as pessoas são mais "mimadas" e dependentes das parafernálias de consumo ficando mais vulneráveis à crises.
Nós, brasileiros, estamos acostumados com a crise. Temos uma cultura de recessão ao longo de nossa história, ou seja, não sofremos muito com eventuais problemas economicos.
Para viver no Brasil, tem que ser forte e lutador
[]s
Eduardo.
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Estou indignado com este Sr Krugman, premio Nobel de Economia, com o que ele falou sobre o Brasil. Ele positivamente não sabe nada, e deveria fazer estágio com:
- certos comentaristas de tele jornais que foram outrora famosos, e boa parte de midia - influenciadores que foram influenciados por algum fator motivacional,
- nossos banqueiros e empresários em que só os otários acreditam,
- pessao ligado a Bovespa, Creci, Secovi que só falam o que lhes interessam.
Afinal de contas Sr. Krugman, nós temos a Copa de 2014, e Olimpiadas de 16, tb com apagões energéticos, aéreos, transito caótico, saneamento básico ruim, dengue, meningite, politicos, etc
Olha tb temos o pré-sal, que produzirá no final da década que ainda vais iniciar-se, o óleo mais "salgado" do mundo. Para extrai-lo vão ser necessário muitos dolares por barril, muitas vezes mais que nos outros Paises. Lógico que qto mais se gasta, menso se ganha.
Bem feito sr. Krugman, o Jornal da Band, e o Nacional boicotaram vc, e nada noticiaram sobre seus palpites furados.
E VIVA NÓIS
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