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Dinheiro
06/10/2008 - 14h55

Especialistas avaliam que alta do dólar não terá sustentação

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

A disparada do dólar não deverá ter sustentação em um prazo mais alongado, apontam especialistas que participaram de debate sobre a crise na manhã desta segunda-feira, no Rio.

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Para o economista-chefe do banco Santander, Alexandre Schwartsman, está ocorrendo uma mudança de patamar do câmbio real. E ponderou que a alta mais elevada, como a observada hoje, é temporária.

"Acho que é problema mais temporário, está associado em parte às restrições de crédito externos, e por condições técnicas no mercado de câmbio brasileiro que precisarão de ajustes, mas acho que não é duradouro", afirmou, após participar do seminário promovido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

O diretor do Centro de Economia Mundial da FGV, Carlos Langoni, considerou que trata-se de uma situação anormal. Ele explicou que em momentos de crise, é comum haver um "excesso de ajuste" na taxa de câmbio. Em um passo posterior, essa tendência acaba sendo corrigida, salientou.

"Não vejo como esse câmbio muito alto possa se sustentar. Acho que reflete muito mais a situação de pânico, de aversão total a qualquer tipo de risco", observou.

Langoni apontou que, ao mesmo tempo em que a queda das commodities (petróleo, minério, etc.) ajuda a explicar a desvalorização cambial, existe um colchão de liquidez que é praticamente idêntico à dívida de médio e longo prazo

"Portanto, há um amortecedor, há um limite para essa desvalorização", acrescentou.

A utilização de reservas para controlar a alta do câmbio não pode ser descartada, destacou o chefe do departamento de risco de mercados do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Fábio Giambiagi. Ele afirmou que vê a disparada do dólar com preocupação.

"Não há condições de definir até que ponto vai parar o processo de queda das commodities. Vejo o câmbio vinculado às commodities. Em que momento isso pára, não se sabe perfeitamente", afirmou.

Alexandre Schwartsman acrescentou que está ocorrendo um processo inverso ao que foi observado nos últimos anos. "O câmbio esteve muito apreciado com commodities em alta, risco-país em baixa. Há cenário inverso, com câmbio mais apreciado. É um processo absolutamente igual ao que vimos até agora, só que com sinal trocado."

O economista do Santander disse ainda que a redução de preços de commodities acaba, de alguma forma, reduzindo a capacidade de crescimento da demanda doméstica. Ele explicou que essa demanda vinha crescendo acima do PIB (Produto Interno Bruto) e era compensada com as importações. Com o menor faturamento oriundo das exportações acaba reduzindo a capacidade de importação do país.

"Com isso, tem que se reduzir a demanda doméstica. Então, de fato, a perspectiva de crescimento está ficando pior do que há algumas semanas", frisou.

Assim, parte desse ajuste teria que ser feito pelo BC (Banco Central). "O risco é de ter mais aumento de juros do que menos aumento de juros. Acho que há o risco de a Selic ir além dos 14,75% que projetamos para o final do ano", completou.

Langoni avaliou que o governo pode utilizar outros instrumentos, como o aperto da política fiscal, com elevação do superávit primário.

"Acho que a decisão mais difícil que o BC vai ter que tomar é o que fazer com a política monetária. Se o governo está preocupado com desvalorização exagerada da taxa de câmbio, ele pode corrigir isso através de leilões, vendendo dólares no mercado. Ou pode continuar elevando a taxa de juros, é outra forma de conter a alta expressiva da taxa de câmbio", afirmou.

 

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