Dinheiro
06/10/2008 - 15h18

Crise na Europa deve afetar balança e crédito no Brasil, diz economista

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

O economista do banco Real, Cristiano Souza, vê muitas dificuldades para as economias européias contornarem a crise no sistema financeiro do continente. E os problemas de um dos principais parceiros comerciais do país podem contaminar o Brasil pelo lado da balança comercial e do crédito, avalia o especialista.

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"Já em setembro, nós começamos a ver algumas instituições financeiras européias com problemas, já precisando de ajuda dos governos. O pânico de hoje dos mercados têm um pouco disso, mas também das notícias de sexta-feira", comenta o economista, lembrando que a aprovação do pacote de resgate financeiro trouxe pouco alívio para os mercados na semana passada.

Sebastião Moreira/Efe
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"Há expectativa de que os governos europeus façam uma iniciativa semelhante [o pacote de US$ 700 bilhões], mas há muitos dificuldades. Na Europa, há países com limites fiscais muito estreitos para fazer algo igual ao que ocorreu nos Estados Unidos", afirma. "E há problemas de atuação também. São 15 países que têm de atuar conjuntamente. Todo mundo já viu como foi difícil para fazer um pacote desses nos EUA, imagine para 15 países", acrescenta.

Neste final de semana, os governos da França, da Alemanha, do Reino Unido e da Itália comunicaram que vão agir para evitar falências bancárias. As autoridades européias também definiram as bases para uma coordenação dos governos europeus, que também atuarão separadamente e colocarão em prática seus próprios métodos para impedir essas falências.

Exportações

O Brasil não deve escapar incólume dos problemas das economias centrais. "Acho que o principal meio de contaminação do Brasil vai ser pelo canal de comércio. Se as economias mais avançadas entrarem em recessão, é claro que devem comprar menos de nós", afirma, acrescentando que as exportações podem sentir os efeitos dessa desaceleração no médio prazo.

"No entanto, eu não desprezo a contaminação pelo canal do crédito. Os bancos já vinham numa dinâmica de aperto na concessão de crédito. Com a crise, isso deve continuar", afirma o economista.

Os bancos brasileiros, poupados dos efeitos direto da crise por não carregarem produtos com os problemáticos créditos "subprime", podem sofrer de forma indireta as conseqüências. "Os bancos podem ter alguma restrição para captar 'funding' [recursos para financiamento] no exterior. Lá fora, o mercado para colocação de títulos e debêntures [ativos de renda fixa] praticamente desapareceu", diz ele.

Além do mercado doméstico, os bancos também buscam no exterior recursos para emprestar à empresas e pessoas na praça financeira global. Num ambiente de alta aversão ao risco, no entanto, os grandes investidores globais evitam fazer negócios com empresas de economias emergentes.

O economista do Banco Real, no entanto, vê algumas chances do país sair dessa crise relativamente a salvo das piores conseqüências.

"Tudo o mais constante, isto é, se o pacote [anticrise] realmente ajudar a economia americana, os europeus fazerem um esforço para evitar o pior, enfim, se a situação não piorar muito mais, podemos sair menos machucados do que nas últimas crises financeiras mundiais", diz ele, lembrando que, nesse caso, o fato do país ter uma economia mais fechada pode amenizar a "contaminação".

 

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