Dinheiro
07/10/2008 - 15h26

Bush diz estar confiante na eficácia do pacote e que fará o necessário

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da Folha Online

Atualizado às 16h27

O presidente dos EUA, George W. Bush, disse nesta terça-feira estar confiante na eficácia do pacote de resgate financeiro de US$ 700 bilhões, aprovado na semana passada no Congresso. Bush disse que "não há dúvida de que estamos em um tempo difícil", mas que "o que for necessário será feito". Ele ainda afirmou que a crise não é apenas dos EUA, mas atinge o mundo todo.

"As pessoas precisam se dar conta de que a crise representa um problema sério não só para os EUA, mas para o mundo inteiro", disse. Ele ressaltou que o núcleo do problema é uma escassez de crédito que afetou famílias e pequenas empresas. Segundo o presidente, se os bancos têm problemas com crédito, as pessoas também passam por problemas, bem como as pequenas empresas.

A crise de crédito é o fator da atual turbulência nos mercados financeiros que tem causado reflexos no Brasil. Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que concede ao Banco Central mais poderes para tentar minimizar os efeitos da crise de crédito internacional no país. Com a MP, o BC poderá adquirir carteiras de empréstimos de bancos no Brasil através do mecanismo conhecido como redesconto, que já existe hoje, mas é utilizado apenas para dar liquidez aos bancos no curto prazo --o BC ainda depende de autorização do CMN (Conselho Monetário Nacional).

Além disso, o BC também poderá fornecer empréstimos em dólares por meio do redesconto aceitando como garantias títulos de propriedade de bancos que pegarem esse crédito.

Bush destacou, em uma visita a uma empresa de materiais de escritório na cidade de Chantilly, no Estado da Virgínia (costa leste), que houve quebras entre os bancos, causadas pelos problemas surgidos no mercado de hipotecas. Após o breve discurso, Bush respondeu perguntas de funcionários e de outros cidadãos na região.

Segundo o presidente, é preciso garantir que o pacote funcione, para impedir que no futuro a economia do país esteja onde está hoje. "Era preciso que o pacote fosse bem feito", afirmou o presidente. Segundo ele, a medida foi um passo "grande e ousado".

Ele disse ainda que não quer ver o dinheiro dos contribuintes premie executivos irresponsáveis, que tiveram "poder demais por tempo demais".

O presidente ainda lembrou dos problemas das pessoas que compraram casas muito acima de suas possibilidades. "As pessoas fizeram essa escolha errada, mas não é por isso que vamos deixá-las para trás", afirmou. Ele disse ainda que quem se comprometeu com uma hipoteca já não mais nem um interlocutor com quem eventualmente renegociar a dívida, uma vez que o contrato dela já foi renegociado diversas vezes por instituições financeiras.

"Passamos por momentos duros antes e vamos passar por mais esse", disse Bush.

Discursos

Antes da primeira rejeição ao pacote, no dia 29 de setembro, o presidente Bush foi à TV três vezes pedir urgência na aprovação da medida.

No dia 24, ele disse que a não-aprovação da ajuda mergulharia o país em "uma longa e dolorosa recessão"; no dia 26, que não havia desacordos sobre a necessidade de se fazer algo para evitar maiores danos à economia; e no dia 29, horas antes da primeira votação na Câmara, que a aprovação do pacote deveria ser difícil.

No dia seguinte ao da rejeição do pacote pelos deputados, Bush voltou à TV para dizer que a demora na aprovação do pacote poderia piorar a cada dia a situação de crise no país. "A realidade é que estamos em uma situação de urgência e as conseqüências serão piores a cada dia se não agirmos", afirmou.

O presidente destacou hoje que o pacote não é a única medida necessária: ele lembrou de outras ações do Federal Reserve (Fed, o BC americano), que ontem decidiu passar a pagar juros sobre depósitos compulsórios -- que são as reservas de dinheiro que as instituições financeiras recolhem junto junto à autoridade monetária, compostas com parte do dinheiro depositado pelos seus clientes.

Hoje, o Fed anunciou que planeja comprar papéis de dívidas de curto prazo, chamados de "commercial papers", a fim de destravar o fluxo de crédito que está entre os principais fatores do atual cenário de crise financeira no mundo todo.

Comentários dos leitores
Guilherme Lemmi (225) 23/11/2009 14h48
Guilherme Lemmi (225) 23/11/2009 14h48
Sobre a reportagem "Livre mercado é melhor modelo econômico apesar da crise, dizem bilionários", interessante, a Folha deveria perguntar para o 1 bilhao de pessoas que passam fome no mundo, se eles concordam com essa opinião.
Ah, esqueci, essas pessoas só passam fome porque nao tiveram a 'tenacidade' para vencer na vida....
sem opinião
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JOSE MOTTA (48) 23/11/2009 13h53
JOSE MOTTA (48) 23/11/2009 13h53
ISSO É PRIMEIRO MUNDO. POVO POLITIZADO,MAS PERIMERISSIMO MUINDO SÃO ALGUS PAISES EUROPEUS E CANADÁ. ESTAMOS LONGE DE CHEGAR LÁ. sem opinião
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Eduardo Giorgini (419) 23/11/2009 10h16
Eduardo Giorgini (419) 23/11/2009 10h16
Bom dia!
Bem, essa forma de analise discordo. O que Obama fez em relação à crise foi a única opção e não devido a possíveis competências.
Isso acontece no Brasil tambem. Dizem que foi Lula que salvou o Brasil da crise, mas o que ele fez foi nada além de manter a inércia da política brasileira e com um pouco de sorte, deu certo de a crise não pegar tão forte.
Só que ao contrário do Brasil, o eleitorado Norte Americano exige mais, ainda mais depois do desastre de Bush.
Um presidente so quebra um país de for um ditador, caso contrário, setores da sociedade ajudam na tomada de decisões e o setor privado segura as pontas (que é o que acontece nos Estados Unidos e tambem no Brasil)
Inclusive hoje, um presidente não "pesa" tanto na condução de uma boa política de governo.
[]s
Eduardo.
13 opiniões
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