Bolsas dos EUA caem mais de 5% mesmo com ação do Fed
da Folha Online
As Bolsas americanas encerraram a terça-feira em mais um dia de forte queda, mesmo com a mobilização de governos europeus para evitar novas quebras de bancos e as ações do Federal Reserve (Fed, o BC americano) para restabelecer o fluxo normal de crédito nos mercados. O presidente americano, George W. Bush, disse hoje que os "tempos são duros", mas que a economia americana conseguirá superar as dificuldades.
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Os mercados, no entanto, não mostraram partilhar totalmente da confiança mostrada por Bush. A Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês) encerrou o dia em baixa de 5,11% (508,39 pontos menos), indo para 9.447,11 pontos no índice Dow Jones Industrial Average, enquanto o S&P 500 caiu 5,74%, para 996,23 pontos. A Bolsa Nasdaq teve baixa de 5,80%, encerrando o dia com 1.754,88 pontos.
| Mike Theiler /Efe |
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| Bush diz estar confiante na eficácia do pacote e que fará o necessário para salvar sistema |
O presidente do Fed, Ben Bernanke, disse nesta terça-feira que o cenário econômico dos Estados Unidos piorou, com o efeito da crise financeira, e que os problemas do país podem se prolongar. "A combinação dos dados econômicos recentes e dos desenvolvimentos financeiros sugerem que a perspectiva para a expansão econômico piorou e os riscos de baixa para o crescimento aumentaram", disse Bernanke.
Ele afirmou que o cenário para a inflação teve alguma melhora, mas ainda é incerto. "À luz desses desenvolvimentos, o Federal reserve terá de considerar se a atual política de juros continua apropriada", afirmou, no que foi visto como sinal de que a pausa na taxa pode terminar. Na reunião de política monetária realizada em 16 de setembro, o Fed manteve sua taxa de juros em 2% ao ano, a terceira manutenção consecutiva. O CPI (Índice de Preços ao Consumidor, na sigla em inglês) teve deflação de 0,1% em agosto.
Mesmo com a sinalização de que, com a inflação um pouco melhor e o crescimento econômico ameaçado, os juros podem vir a cair em breve, o mercado não respondeu de modo favorável. Um indicador econômico divulgado hoje foi visto como a evidência mais recente da desaceleração econômica no país: a tomada de crédito por parte dos consumidores em agosto caiu pela primeira vez em mais de dez anos.
Segundo o Fed, os créditos tomados pelos americanos caíram em US$ 7,9 bilhões em agosto, para US$ 2,577 trilhões, contra US$ 2,585 trilhões em julho (dado revisado). Foi o primeiro recuo desde janeiro de 1998.
| Jonathan Ernst/Reuters |
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| Ben Bernanke, do banco central americano, sugeriu mudanças na política monetária |
Combate à crise
O Fed vem agindo para tentar conter a crise : o banco anunciou hoje que planeja comprar papéis de dívidas de curto prazo, chamados de "commercial papers", a fim de destravar o fluxo de crédito. Para isso, o Fed criou o CPFF (Commercial Paper Funding Facility, ou Instrumento de Financiamento de "Commercial Paper"). O "commercial paper" é uma espécie de nota promissória, um empréstimo de curto prazo que facilita as transações rotineiras das empresas --como reposições de estoque e pagamentos de empregados--, além de fazer circular dinheiro entre os bancos.
A União Européia anunciou hoje também um acordo para apoiar grandes grupos financeiros a fim de evitar uma onda de quebras entre bancos europeus, o que poderia agravar ainda mais a crise. Já haviam recebido ajuda antes do acordo o alemão Hypo Real Estate, o belgo-holandês Fortis e o franco-belga Dexia. Entre as decisões tomadas hoje pelos governos europeus está a de elevar de 20 mil euros para pelo menos 50 mil euros a garantia dos depósitos nos bancos do bloco, para evitar uma corrida para saques.
A situação dos bancos britânicos também preocupou os investidores: rumores no mercado de que o Royal Bank of Scotland, o Barclays e o Lloyds TSB teriam pedido ao ministro da Economia britânico, Alistair Darling, um plano de ajuda ao setor bancário afetou as ações do setor bancário.
Hoje, o governo da Islândia assumiu o controle total sobre o segundo maior banco do país, o Landsbanki, em uma operação equivalente à nacionalização. A notificação sobre a nacionalização do Landsbanki aconteceu pouco depois que a Rússia concedeu à Islândia um crédito de 4 bilhões de euros para ajudar o país a sair da crise financeira que ameaça seu sistema bancário.
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