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Dinheiro
07/10/2008 - 17h49

Bovespa fecha em retração de 4,66% e acumula perdas de 37,2% no ano

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) já acumula perdas de quase 40% (37,2%) no ano com os sucessivos tombos dos últimos dias. Nesta terça-feira, nem a ação conjunta dos seis principais bancos centrais do planeta conseguiu segurar a retração das Bolsas americanas, o que fez a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) desabar. O câmbio disparou e bateu a cotação de R$ 2,31, maior cotação desde maio de 2006.

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"O mercado está muito nervoso e trabalhando no escuro. O investidor parece que perdeu até a vontade de ganhar dinheiro", comenta Fábio Prandini, operador da corretora Elite, numa síntese do espírito predominante entre os participantes da Bolsa de Valores.

O "termômetro" desse mercado, o índice Ibovespa, despencou 4,66% e alcançou os 40.139 pontos, o seu nível baixo desde 1 de novembro de 2006. O giro financeiro foi de R$ 5,26 bilhões.

No epicentro da crise, a Bolsa de Nova York teve forte queda de 5,11%. Em geral, a variação do índice Dow Jones costuma ser menos ampla que o Ibovespa. A "inversão" de hoje aponta para investidores sem disposição de correr riscos e voltar às compras.

"Ninguém sabe realmente qual o tamanho das perdas [dos bancos] com os créditos 'subprimes'. Enquanto continuar assim, o mercado continua complicado", diz o operador da Elite. "E muita gente tem comentado que os efeitos das principais atitudes já tomadas pelos governos [dos EUA e da Europa] só começam a fazer efeito a partir da segunda metade de novembro", acrescenta.

Jonathan Ernst/Reuters
Ben Bernanke, do banco central americano, sugeriu mudanças na política monetária
Ben Bernanke, do banco central americano, sugeriu mudanças na política monetária

No câmbio, os dois leilões realizados pelo Banco Central não foram suficientes para conter a disparada das taxas. O dólar comercial foi cotado a R$ 2,311, em forte alta de 5,14%. Analistas afirmam que a cotação está bastante inflada pela especulação predominante na praça financeira e que a cotação a esse nível não é sustentável. No curto prazo, no entanto, operadores já comentam que o preço da moeda americana pode atingir R$ 2,40.

Arte Folha Online

"Não é um problema que está localizado num determinado país ou num determinado continente. É sistêmico e já contaminou todo mundo", avalia Ideaki Iha, profissional da corretora Fair, que evita em falar de preços para a moeda americana.

As "[Bolsas européias]": ainda conseguiram encerrar os negócios de hoje com altas modestas, a exemplo de Londres (0,34%) e Paris (0,54%), mas com exceção de Frankfurt (declínio de 1,12%).

EUA

O presidente dos EUA, George W. Bush, afirmou hoje que está confiante na eficácia do pacote de resgate financeiro de US$ 700 bilhões e prometeu que 'o que for necessário será feito' para deter a crise. 'As pessoas precisam se dar conta de que a crise representa um problema sério não só para os EUA, mas para o mundo inteiro', disse.

Pouco antes, o titular do Federal Reserve, o banco central americano, Ben Bernanke, havia sugerido mudanças na política monetária, o que foi interpretado como uma indicação de que a taxa básica de juros --hoje, em 2% ao ano-- sofrerá cortes, de modo a estimular o consumo e investimentos.

Essa percepção foi reforçada devido com a ata do Federal Reserve divulgada hoje, mas relativa à reunião do dia 16 de setembro. Na ata, os dirigentes do BC americano já consideram o relaxamento da política monetária num cenário de piora das turbulências financeiras.

Mike Theiler /Efe
O presidente George W. Bush disse que fará o necessário para conter crise econômica
O presidente George W. Bush disse que fará o necessário para conter crise econômica

Ação conjunta

Entre as principais notícias do dia, o Federal Reserve (Fed, o BC americano) anunciou hoje uma ação coordenada com outros cinco bancos centrais para oferecer em dezembro US$ 450 bilhões ao sistema bancário a fim de evitar uma escassez de oferta de dinheiro. Além dessa nova injeção bilionária de recursos, o Fed também deve adquirir títulos de renda fixa de curto prazo --'commercial papers'--, de modo a animar a circulação de recursos pela economia.

Anteriormente, os países da União Européia haviam anunciado que devem adotar elevar as garantias de depósitos em bancos de 20 mil euros (US$ 27.300) para 50 mil euros (US$ 68.400), medida semelhante à adotada pelos Estados Unidos no mês passado.

Para se prevenir contra a crise, o governo brasileiro anunciou, na segunda-feira à noite, que vai utilizar parte do dinheiro das reservas internacionais para garantir crédito em dólares para os exportadores brasileiros e ajudar a diminuir a pressão sobre o câmbio. Também foi anunciado o aumento de uma linha de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para financiar as exportações.

A FGV (Fundação Getúlio Vargas) revelou hoje que a inflação em setembro, medida pelo IGP-DI, teve variação de 0,36% ante deflação de 0,38% em agosto. Analistas do mercado financeiro estimavam inflação entre 0,28% e 0,30%.

Comentários dos leitores
Olmir Antonio de Oliveira (79) 03/12/2009 10h56
Olmir Antonio de Oliveira (79) 03/12/2009 10h56
A respeito de atualidades, é importante a inclusão, da ajuda, auxilio. Por tempo é importante , bolsa familia, bolsa.....mas é mais importante criar extrutura, gerar oportunidades, condições para que as pessoas de um modo geral consigam com seus propios meios e esforços, serem produtivas, gerarem seu sustento, terem sua fonte de renda e cada vez mais dependerem menos de ajuda do tipo assistencial, e ou coisa do tipo do campo da caridade. Do histórico, dependerem menos de coisas do tipo sistema de coronelistas, de politiqueiros, de sanguesugas, de pessoas que de boa intenção e ou de boa fé. fizeram e continuam fazendo milhares de pessoas suas refens, suas dependentes, pessoas que passam a viver de promessas de politícos e ou de partidos politícos, que sempre viveram "escravizando", "explorando", que na realidade as aprisionam.....coisas complexas, vindas desde a colonização.....Mesmo no atual cenário e com os meios de comunicação ainda tentão impor tais coisas, o brasileiro sempre foi muito resistente em ter seus propios conceitos, e linhas de pensamento, sendo muito guiado por pessoas do "exterior" que os doutrina, impõem seus interesses..... 4 opiniões
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Henrique Silva (209) 02/12/2009 15h12
Henrique Silva (209) 02/12/2009 15h12
Na eleição o que importa é a economia e também a qualidade de vida dos cidadãos. O governo LULA não tem só o crédito de organizar a situação econômica que foi deixada com sérios débitos pelo governo tucano, mas o governo LULA ter conseguido reduzir as desigualdades sociais pra mim foi o mais importante.
A redução da desigualdade NUNCA havia sido feita por governo nenhum do país! (eu digo isso com muita tristeza).
O documentário feito pela BBC- MUIT ALÉM DO CIDADÃO KANE (disponível no youtube) - feito pela Inglaterra revela esta desigualdade social. O curioso é que ainda revela outras situações importantes que só dá pra discutir quem já assistiu (como o interesse da REDE GLOBO de influenciar nas eleições sempre para o lado que mais interessa à emissora e não a sociedade).
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Eduardo Giorgini (444) 02/12/2009 15h00
Eduardo Giorgini (444) 02/12/2009 15h00
Indices do governo PT é muito bom.
Porém, a quantidade é inversamente proporcional à qualidade.
Foram gerados inumeros empregos, obras do PAC, inclusão social através do bolsa familia, aumento de universitários, porém, tudo de baixa qualidade.
E o que era de qualidade razoável, está ficando ruim tambem.
Do ponto de vista em nivelar "por baixo" , realmente o Brasil esta indo bem.
[]s
Eduardo.
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