Presidente do BNDES não espera desaceleração mais forte da economia brasileira
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, disse nesta terça-feira que não vislumbra uma desaceleração forte da economia brasileira em meio ao cenário turbulento econômico mundial. Para Coutinho, há plenas condições para que haja uma trajetória "satisfatória" de crescimento.
"Não há nenhuma razão para a economia brasileira se deixar contaminar e desacelerar substancialmente seu crescimento. A economia tem condições plenas de manter uma trajetória satisfatória de crescimento mesmo em cenário conturbado nos países desenvolvidos. Para quanto a taxa de crescimento vai cair, é cedo para dizer, mas não há razão para jogarmos a toalha mais uma vez', afirmou.
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Coutinho anunciou hoje a criação da diretoria de Gestão Corporativa, que será comandada pelo funcionário de carreira do banco, Luiz Fernando Dorneles.
O executivo evitou fazer previsões sobre a variação da necessidade de recursos do banco para 2009. Ao mesmo tempo em que as linhas de crédito estão mais "ariscas" e fechadas, o que aumentaria a demanda sobre o banco, Coutinho disse não saber se a demanda vai realmente crescer com tanta firmeza.
Ele acrescentou que uma avaliação mais aprofundada sobre os efeitos da crise só poderá ser feita dentro de 3 a 4 meses.
"O que parece realista, é que dada a gravidade da crise nos países desenvolvidos, a recuperação do sistema bancário financeiro nessas economias tenderá a ser um processo lento", observou.
Coutinho comentou ainda que o BNDES ainda não identificou retração nos pedidos ao banco em função da crise, mas ressaltou que ainda é muito cedo para se fazer avaliação a partir desse dado. Segundo ele, até o final de setembro, a economia brasileira "rodou com firmeza".
A recente disparada do dólar não será duradouro, salientou. Para Coutinho, a recente desvalorização cambial reflete a grande tensão do mercado em meio à crise mundial.
O executivo detalhou as condições para a liberação de R$ 5 bilhões adicionais em linhas de crédito para exportadores. Ele lembrou que as linhas externas ficaram "desidratadas" nas últimas duas semanas pela paralisação do sistema de crédito global. De janeiro a agosto, o BNDES havia liberado US$ 3,5 bilhões para linhas de exportação, 30% acima do verificado em igual período no ano passado.
"O objetivo é ampliar esse crescimento no momento em que os exportadores estão mais necessitados de financiamento".
Com isso, a expectativa para 2008, que era de US$ 6,5 bilhões, pode chegar a US$ 8 bilhões. As novas condições prevêem taxas mais altas para liberação de crédito, o que o superintendente de Comércio Exterior do banco, Luiz Antônio Dantas, considerou normal em meio às atuais condições do mercado.
Anteriormente, eram cobradas taxas que variavam de 8% a 12% ao ano para projetos de bens de capital automotivos, de infra-estrutura e da indústria aeronáutica. As novas condições prevêem 15% mais o spread do agente financiador ou a opção por uma cesta de moeda estrangeira, em torno de 7,5%, além do spread do agente financiador.
Para projetos ligados à indústria de bens de consumo, o limite será triplicado, indo a US$ 150 milhões por empresa. O financiamento será nas mesmas bases.
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