BCs mundiais tentam impedir recessão global com corte emergencial de juros
VINICIUS ALBUQUERQUE
da Folha Online
Diante da corrida acelerada para baixo das finanças mundiais, e sob o risco de que essa corrida leve a uma recessão global, seis dos principais bancos centrais do mundo decidiram, em caráter emergencial, reduzir nesta quarta-feira suas taxas de juros. A medida, adotada depois de meses de injeções diárias de dinheiro, mostra que os governos mundiais estão ficando sem munição para combater uma crise que ameaça ser de escala vista apenas em 1929, na Grande Depressão.
Segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional), a expectativa com a crise é de que a economia mundial cresça 3,9% em 2008 e 3% em 2009 --o menor nível em sete anos. A região da América do Sul e México deve crescer 4,6% agora e desacelerar para 3,1% em 2009, estimou o fundo.
Contra a possibilidade de paralisação das economias e a circulação de dinheiro, se mobilizaram hoje o Federal Reserve (Fed, o BC americano), Banco do Canadá, Banco da Inglaterra (BC britânico), BCE (Banco Central Europeu), Sveriges Riksbank (da Suécia) e SNB (Banco Nacional da Suíça, na sigla em inglês).
Em um comunicado, o Fed informou que reduziu sua taxa em 0,5 ponto percentual (p.p.), para 1,5%. "Algum afrouxamento nas condições monetárias globais é, portanto, necessário", informou o Fed, em um comunicado. Ontem, o presidente do banco, Ben Bernanke, disse que o cenário econômico dos EUA piorou e que a política de manutenção da taxa de juros seria avaliada para conferir se "continua apropriada".
| Kirsty Wigglesworth/AP |
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| Royal Bank of Scotland é um dos bancos que será ajudado pelo plano do Reino Unido |
O BCE (Banco Central Europeu) e o Banco da Inglaterra (BC britânico) também reduziram as taxas em 0,5 p.p., para 3,75% e 4,5%, respectivamente. O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, disse que o corte dos juros servirá para garantir aos cidadãos que "estão sendo tomadas todas as ações" para permitir que a atividade econômica "se movimente para frente".
Brown já havia se dirigido aos mercados hoje, ao anunciar um plano de resgate de 50 bilhões de libras (cerca de US$ 87 bilhões) aos moldes do pacote dos EUA, para evitar que os bancos do Reino Unido tenham destino semelhante ao do Lehman Brothers, que quebrou no dia 15 do mês passado e marcou o início do segundo ciclo da crise, iniciado no ano passado.
O Fed e outros bancos têm colocado no sistema financeiro bilhões de dólares nos últimos meses. O BCE tem feito injeções quase diárias de US$ 50 bilhões para garantir as transações entre os bancos. Em ações coordenadas, os bancos também têm feito ofertas bilionárias para o sistema bancário: no dia 29 de setembro, dez BCs anunciaram uma oferta de US$ 620 bilhões em liquidez [oferta de dinheiro]; ontem, em nova ação conjunta, outros seis BCs anunciaram leilões de US$ 450 bilhões até o fim do ano para garantir que não ocorra falta de dinheiro.
Ontem, a UE (União Européia) se comprometeu a socorrer e dar apoio a grandes grupos financeiros para evitar uma crise generalizada, segundo anúncio feito pelo vice-ministro de Finanças da Alemanha, Joerg Asmussen. Instituições européias como o alemão Hypo Real Estate, o belgo-holandês Fortis e o franco-belga Dexia já passaram por problemas e receberam ajuda dos respectivos governos.
| Katsumi/AP |
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| A Bolsa de Tóquio, derrubada pela crise, teve queda de 9,38%, a maior desde 1987 |
A ação governamental de maior vulto, até o momento, é o pacote de US$ 700 bilhões proposto pelo governo americano e aprovado na semana passada pelo Congresso. O objetivo do governo é tentar retirar do mercado títulos "podres" (de baixíssima probabilidade de resgate, ou seja, se alto risco de calote), a fim de tentar restaurar a confiança no mercado financeiro.
As ações até o momento, no entanto, surtiram pouco efeito. A Bolsa de Tóquio caiu hoje a níveis vistos apenas em 1987; a Bolsa de Valores de Nova York caiu ontem abaixo de 5% no índice Dow Jones Industrial Average. Na Europa, as Bolsas caem, com exceção da Bolsa de Londres, devido à ação do governo britânico; Na Rússia, no entanto, depois de cair 14% logo no início do dia, os negócios foram suspensos e só devem ser retomados na sexta-feira.
Bush
Ontem, em um pronunciamento pouco comum --feito durante uma visita a uma empresa de materiais de escritório, no qual respondeu a perguntas de funcionários--, o presidente George W. Bush voltou a afirmar sua confiança na recuperação da economia, com a aprovação do pacote de US$ 700 bilhões, vendido por ele, pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, e por Bernanke, como a solução final para a crise.
| Mike Theiler /Efe |
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| O presidente George W. Bush disse que fará o necessário para conter crise econômica |
"Não há dúvida de que estamos em um tempo difícil", mas "o que for necessário será feito", disse Bush --que reconheceu também que a crise não é apenas dos EUA, mas atinge o mundo todo. "As pessoas precisam se dar conta de que a crise representa um problema sério não só para os EUA, mas para o mundo inteiro", disse.
A aprovação do pacote foi precedida de alertas de recessão e previsões dos piores cenários econômicos possíveis. Bernanke, que foi chefe dos conselheiros econômicos da Casa Branca, disse aos congressistas em um testemunho dias depois da apresentação da primeira versão da medida, que, sem ela, "empregos serão perdidos, nossa taxa de crédito vai aumentar, mais despejos vão ocorrer, o PIB [Produto Interno Bruto] vai contrair e a economia não vai conseguir se recuperar de um modo normal, saudável".
Brasil
No Brasil, a contração do crédito é o principal reflexo da crise financeira. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a situação atual reflete um "momento de irracionalidade" do mercado financeiro.
Como medida preventiva, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na segunda-feira uma medida provisória que concede ao Banco Central poder para adquirir carteiras de empréstimos de bancos no Brasil através do mecanismo conhecido como redesconto.. O mecanismo já existe hoje, mas é utilizado apenas para dar liquidez aos bancos no curto prazo. A decisão ainda depende de autorização do CMN (Conselho Monetário Nacional).
| Jamil Bittar/Reuters |
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| Mantega (Fazenda) diz que momento no mercado financeiro é de "irracionalidade" |
O governo brasileiro também anunciou na segunda que vai utilizar parte do dinheiro das reservas internacionais para garantir crédito em dólares para os exportadores brasileiros e ajudar a diminuir a pressão sobre o câmbio --o dólar hoje registra alta, tendo chegado a R$ 2,45.
Mantega classificou a situação de passageira. "Nós estamos no momento mais agudo dessa crise. Ela tem mais de um ano, mas se aprofundou nesse momento, que é quando se revelam os ativos podres dessas empresas", afirmou.
O ministro afirmou que há uma perda de confiança nas instituições financeiras, mas que não há problemas de solvência no Brasil. "Aqui não há ativos podres, embora estejamos sofrendo um problema de liquidez por causa desse estrangulamento no crédito internacional. E o governo está tomando as medidas adequadas para garantir que essa liquidez continue fluindo."
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O governo brasileiro joga na sorte.
Se a economia vai mal, a culpa é dos estrangeiros, e se vai bem(acompanha o crescimento mundial), é porque somos potência.
Dançamos conforme a música.
[]s
Eduardo.
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O coronel político é extremamente poderoso, manda e desmanda, exerce forte dominação política, econômica e social em todos os setores da comunidade, e qualquer manifestação de oposição, essa atitude é entendida como afronta ao coronel local e a resposta geralmente vem com extremada truculência acompanhada de uma perseguição implacável, tenta até mesmo armar ciladas para desmoralizar publicamente seus oponentes, sua mão tem longo alcance com grande poder de intervenção atinge todos os degraus da pirâmide social, o topo, o meio e a base com a mesma força repressiva. Essas oligarquias comandadas pelos coronéis são truculentas e antidemocráticas, são contra a modernidade nas relações políticas não acompanharam o quadro evolutivo do mundo globalizado, pois a manutenção do atual quadro é fundamental para manterem-se no poder. O que é mais grave, é que essas oligarquias e seus coronéis são os responsáveis diretos pelo baixo nível intelectual e do alto índice de analfabetismo da população, também são responsáveis pela baixa qualidade de vida e péssimas condições sanitárias em que vivem, soma se a isso a ausência de renovação das lideranças políticas.
Os coronéis da política tradicional que são dirigentes das oligarquias locais elevam ao poder somente membros das mesmas famílias ou pessoas que, por algum motivo, dependem desses oligarcas e não podem contrariar seus interesses. Quando penetramos pelo interior do Brasil, podemos constatar a existência das tais famílias tradicionais que geralmente pertencem há uma oligarquia local, é neste cenário que encontramos a figura do velho coronel político que é o oposto da democracia. Nessas regiões, embora o sistema democrático garanta a pluralidade no contexto local, esses preceitos não acontecem teoricamente essas oligarquias respeitam as formalidades democráticas, entretanto nos bastidores a coisa é bem diferente, um lençol oculta uma realidade cruel, eleições são realizadas com voto secreto e tudo, aparentando uma aparente normalidade, mas tudo acontece sob a supervisão, vigilância e controle dos coronéis oligarcas; de tal forma que as manifestações oposicionistas atingem apenas aspectos exteriores e não afetam o poder de comando das oligarquias.
É importante assinalar que, o sistema político atual favorece o predomínio dessas oligarquias. A legislação eleitoral é um recepiciente favorável para que essas diferenças prevaleçam, e quando alguém ligado politicamente ou afetivamente ao coronel político comete alguma ilegalidade é difícil investigá-lo e muito mais ainda efetuar a sua punição nos termos da lei, pois eles pressionam as pessoas, intimidam testemunhas, desqualificam depoentes e o pior de tudo é que persegue implacavelmente seus opositores com a mesma truculência da época da ditadura militar, o que faz muitos da oposição encolher e ficar intimidados pela reação violenta, e o mais grave é que a sociedade sabe de tudo e fica omissa, aceita tudo passivamente.
Neste processo são feitas concessões aparentes naturais do jogo político, aproveita-se a pobreza e a ignorância do povo que é indispensável para preservar o comando político, e os coronéis querem perpetuar no poder, por isso a transferência do mesmo é feita aos seus descendentes diretos, como na monarquia absolutista imperial. Apesar dos métodos sofisticados de domínio, existe o fato inegável de que em grande número dos Estados, podemos assim dizer, que os dirigentes locais dos partidos são os coronéis, e o que resta ao povo é a pratica das formalidades da lei e aceitar o jogo pesado do poder. Além do que, a presença das oligarquias comandada por um coronel político com poderes quase absolutos e que, freqüentemente abusam desses poderes para favorecer a si próprio, seus familiares e seus comparsas parasitas do poder. A única interferência do povo no governo é quando votam, mas quase sempre a opção de escolha é entre membros dos oligarcas locais em disputa pelo comando do governo, raramente surge alternativa que emana do meio das forças populares, e quando surge a estrutura é insuficiente para romper a hegemonia das oligarquias.
Mas temos que entender como funciona a cabeça do coronel político do interior do Brasil, ele é uma figura presente na política tradicional e cientificamente é considerado um psicopata social extremamente rancoroso e vingativo, do tipo ex-Deputado Federal do Acre Hildebrando Pascoal, que mandava serrar vivo ao meio seus desafetos políticos e pessoais com moto-serra, o coronel político não admite ser contestado ou contrariado, acha que é dono da vida e do destino das pessoas da comunidade, quem se opõem a ele é considerado seu inimigo de morte e não apenas seu adversário político. E o pior é que seus comandados são arrogantes, prepotentes e autoritários, adotam o mesmo estilo, circulam pela cidade de carrões e óculos escuros, se sentem acima do poder e das leis, contam sempre com a certeza da impunidade e da força da influencia política para cometer seus desatinos... Nascem os novos coroneizinhos.
Antigamente os métodos de perseguição eram outros, hoje são mais sofisticados, quase ninguém percebe. Se o opositor é dono de jornal ou algum programa de radio, os anunciantes são pressionados a retirar anúncios e os colaboradores são assediados com proposta financeira, se o opositor é comerciante ou profissional liberal seus caminhos são dificultados ao extremo. Aos inimigos os rigores da lei, e aos amigos a brecha e as benesses da lei, é assim que pensa o coronel político, sua cabeça não comporta o debate democrático, não conhece a ética, joga sempre rasteiro e tem sempre ao seu lado indivíduos prontos pra agir, fazer qualquer coisa pra agradar o patrão e quando surge alguma "atividade" não hesitam um instante em executá-la, ou seja, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega, não resta alternativa é ficar e enfrentar a fera.
É essa a leitura que temos. E estou plenamente convencido de que o absolutismo das oligarquias regionais pelo interior brasileiro emperra e muito o progresso de nossa nação, principalmente a alta estima e a elevação intelectual de nosso povo. E esta relação ainda predominante é o que existe de mais reacionário e atrasado nas relações políticas e sociais do mundo moderno. O ponto negativo e grave nisso tudo é que constatamos que um governo nas mãos de um só, sem alternância no poder é o começo da tirania.
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