Dinheiro
08/10/2008 - 10h37

Disparada do dólar paralisa negócios entre empresas

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FÁTIMA FERNANDES
AGNALDO BRITO
da Folha de S.Paulo

A abrupta desvalorização do real provocou paralisação nos negócios entre fornecedores de matérias-primas, indústrias e comércio e atingiu as exportações, as importações e as vendas no mercado interno.

Fabricantes de produtos eletroeletrônicos, como TVs, DVDs e computadores, de bens de capital e de alimentos estão com dificuldades para definir preços por conta da forte variação da taxa de câmbio --nas últimas três semanas, a desvalorização do real em relação ao dólar chegou a 21%.

"Ninguém consegue fazer preço neste momento, e o setor vive uma espécie de estagnação. A desvalorização do real foi muito violenta, e fica difícil estabelecer preços de venda", afirma Lourival Kiçula, presidente da Eletros, associação da indústria eletroeletrônica.

A atitude da Semp Toshiba de parar temporariamente de vender seus produtos, segundo Kiçula, foi sensata. "É preciso parar para reavaliar os negócios. Vale ou não a pena importar tal produto ou tal componente? É isso que as empresas avaliam neste momento", diz.

Humberto Barbato, presidente da Abinee, associação da indústria elétrica e eletrônica, diz que, além de ter dificuldade para estabelecer preços de venda para o mercado interno, as empresas não conseguem exportar porque não sabem que taxa de câmbio devem utilizar.

E quem quer exportar tem dificuldade para enviar os produtos para o exterior por conta da restrição de linhas de crédito para realizar os chamados ACCs (Adiantamentos de Contrato de Câmbio).

"As linhas de crédito secaram. Quem tem dinheiro para continuar operando está bem. Quem não tem pode ter de parar a produção", afirma José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil).

Os produtos manufaturados, segundo Castro, são os que mais sofrem neste momento com a variação da taxa de câmbio. "Estamos próximos do Natal, um período em que as exportações de manufaturados se intensificam", afirma.

O presidente da Abinee diz que as empresas só estão vendendo neste momento o que já está produzido. "Os novos negócios estão paralisados. Os empresários não sabem que taxa de câmbio devem utilizar."

A Marcopolo, multinacional fabricante de carrocerias de ônibus, é uma das empresas que enfrentam dificuldades agora para definir preços. "A taxa de câmbio é um problema para a formação de preço de qualquer produto que se compra ou que se vende neste momento", afirma Ruben De la Rosa, diretor-presidente da Marcopolo. Para ele, a desvalorização do real favorece o exportador, mas não quando ocorre de forma tão brusca.

"A primeira preocupação é a de que evidentemente qualquer flutuação do câmbio exagerada, para cima ou para baixo, deixa aquele que lida com câmbio tonto. Tudo fica desmontado com uma oscilação muito forte desse tipo", diz.

Para o empresário Lawrence Pih, presidente do grupo Moinho Pacífico S.A., a súbita alta do dólar pode criar um forte desequilíbrio no setor. Boa parte dos moinhos negociou a produção de farinha no mercado interno com base nos preços de R$ 1,60 por dólar. Em poucos meses, o dólar subiu cerca de 50% ante o real. "Isso é uma maxidesvalorização do real. Provocará um impacto muito forte nos moinhos."

O setor, segundo ele, não consegue importar trigo porque os financiamentos de importação sumiram do mercado.

Preços

O vice-presidente da Abimed (Associação Brasileira de Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares), Abrão Melnik, chega a prever alta nos custos dos procedimentos médicos devido à taxa de câmbio. Isso porque 40% dos materiais médicos são importados.

Para este ano, a Abimed previa importações de US$ 2,5 bilhões, mas, com a desvalorização do real, a estimativa deverá ser revista. Os implantes ortopédicos e os marca-passos, por exemplo, são alguns dos equipamentos médicos mais importados.

Com Paulo Araújo, colaboração para a Folha

Comentários dos leitores
Polycarpo Quaresma (26) 27/11/2009 21h01
Polycarpo Quaresma (26) 27/11/2009 21h01
Quem vende commodities não deve construir prédios com mais de 20 andares. Patético sem opinião
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Langstein Almeida (5) 27/11/2009 20h08
Langstein Almeida (5) 27/11/2009 20h08
O governo Obama passou ao poder dos bancos mais de dois trilhões de dólares, arrecadados com venda dos títulos da dívida pública americana, que já descambou de 14 trilhões de dólares. Só a China é credora de mais de um trihão de dólares. O Brasil deve ser credor de mais de 200 bilhões de dólares. O maior devedor do mundo são os Estados Unidos.
Um credor só está realmente seguro quando seu devedor dispõe de renda anual suficiente para quitar a dívida. Se os EU tivessem superávit primário, isto é, maior arrecadação do que despesa, no valor de um trilhão por ano, passariam 14 anos para pagar a seus credores. Isto, sem falar nos juros! Em vez de superávit, o Império terá este ano um déficit fiscal de mais de um trilhão e meio.
Em respeito à ciência financeira, esses credores nunca mais receberiam seus créditos. Em respeito ao arcenal bélico do devedor, todos os credores estão tranquilos... Seria o chefão do morro devendo a todo morador, mas todos tranquilos e muito confiantes no poder de fogo do valentão!
O perigo é o chefão dizer que não pode pagar agora e que todos esperem mais uns 50 anos. Mesmo com muito dinheiro para receber, quem iria enchocalhar a onça pintada?!
O Lula deveria criar o banco Unasul e nele todos os países latinos depositariam suas reservas em moeda forte.
Os credores dos EU não devem esquecer que esse grande devedor está sustentando várias guerras: no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão e mais de 900 bases militares, e de quebra 7 só na Colômbia.
sem opinião
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Eduardo Giorgini (431) 27/11/2009 20h04
Eduardo Giorgini (431) 27/11/2009 20h04
Caros leitores, digam nomes de empresas de Dubai sem ser ligado ao petróleo.
Obviamente é fácil concluir a podridão de tudo isso.
País sem empresas de tecnologia e educação de qualidade, é país "oco".Sobe e desse rápido.
[]s
Eduardo.
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