Líderes da oposição dizem que vão aprovar "Proer dissimulado" de Lula
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
Os líderes dos três maiores partidos de oposição ao governo na Câmara dos Deputados manifestaram apoio à medida provisória que aumenta os poderes do Banco Central para combater os efeitos da crise financeira no Brasil.
Após encontro com o presidente do BC, Henrique Meirelles, o líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), afirmou que a oposição pode fazer apenas algumas modificações na MP.
"Existe a disposição da oposição de uma ação conseqüente e em linha para que o Brasil receba o menor impacto dessa crise e possa ter à disposição os instrumentos necessários à boa ação do BC e do governo", afirmou. "Já nos colocamos de forma favorável a uma boa discussão, eventualmente alguns acréscimos."
Ele disse que a MP é uma espécie de "Proer dissimulado", em referência ao programa de ajuda ao sistema financeiro utilizado no governo FHC. A nova MP tem como ponto principal a autorização para o que o BC compre carteiras de crédito dos bancos brasileiros em dificuldade.
"Essa MP é um Proer dissimulado, um Proer envergonhado, como é próprio desse governo, faz as coisas não reconhece. Até porque não pode reconhecer o quanto errou lá atrás ao fazer uma oposição feroz o Proer, que deu essa estabilidade ao sistema bancário financeiro que o Brasil tem hoje."
Além de Aníbal, participaram do encontro o líder do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), e o líder do PPS, deputado Fernando Coruja (SC).
Os dois primeiros não quiseram comentar a possibilidade de o BC brasileiro seguir a ação dos bancos internacionais e reduzir também os juros por aqui. Já o líder do PPS afirmou que o BC deveria seguir esse caminho.
"Nós ainda não temos uma opinião em comum, mas eu, particularmente, acho que o BC tem de seguir aquilo que está sendo feito pelos outros bancos. Nós temos dito isso sistematicamente. O Brasil precisa entrar na mão da história e diminuir a taxa de juros."
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