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Dinheiro
10/10/2008 - 12h47

Bolsas no mundo registram vários colapsos ao longo da história; confira

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da France Presse, em Paris

O "crack" (colapso) da Bolsa, um conceito que reapareceu nos mercados nas últimas semanas, é uma baixa súbita e precipitada das ações que afeta um mercado financeiro ou vários deles. Uma de suas principais características é o efeito de pânico que faz com que todos os investidores vendam suas ações ao mesmo tempo, gerando assim uma espiral apavorante.

Não há uma definição econômica precisa de "crack", mas, na prática, esta expressão pode ser aplicada a uma baixa das cotações de mais de 20% em poucos dias. As fortes quedas observadas nos mercados nos últimos dias se aproximam deste nível, alimentando as comparações com os precedentes históricos de 1929 e 1987.

Mike Segar/Reuters
Índice Dow Jones, prinicpal da Bolsa de Nova York, caii 40% em um ano e empresas dos Estados Unidos perderam US$ 7 trilhões
Índice Dow Jones, prinicpal da Bolsa de Nova York, caiu 40% em um ano e empresas dos Estados Unidos perderam US$ 7 trilhões

Porém, estes dois eventos foram muitos diferentes. A atividade se recuperou rapidamente após o crack de outubro de 1987, enquanto a grande depressão de 1929 se traduziu em vários anos de recessão econômica, desemprego e miséria, que desembocaram na 2ª Guerra Mundial.

A derrubada das Bolsas em 28 de outubro de 1929 aconteceu após a explosão de uma bolha especulativa que levou milhões de americanos a comprar ações através de fundos de investimentos, os "trust funds", que faliram um atrás do outro.

Foi depois da 2ª Guerra Mundial, em 1945, que a economia internacional voltou a encontrar o caminho de um crescimento sustentável, até os anos 70 e o novo crack de 1987. Foi naquele ano, outra vez em uma segunda-feira de outubro, em 19, que o Dow Jones de Wall Street caiu 23% em uma única sessão, a maior registrada nesta Bolsa em toda sua história. A maioria dos mercados mundiais seguiu seus passos.

Mas este "crack", agravado por problemas técnicos (de informática) nos pedidos, não se reproduziu no tempo. Os índices subiram rapidamente e dois anos mais tarde o Dow Jones recuperou seus níveis anteriores à queda.

Mais recentemente, as Bolsas mundiais atravessaram momentos difíceis, em 1997, durante a crise asiática, em 1998, durante a quebra do fundo especulativo LTCM após a crise russa, em 2000, durante a explosão da bolha da internet e, em 2001, após os ataques terroristas nos Estados Unidos, mas elas não se prolongaram por tanto tempo.

Veja as principais crises das Bolsas no mundo:

1720
Quebra na Grã-Bretanha em dezembro, depois de uma onda de especulação que provoca a queda da companhia marítima do Sul e do banco Law.

1882
"Crack" do banco católico francês Union Générale. Bolsas de Lyon e Paris despencam, França entra em crise econômica.

1929
Quinta-feira negra em Wall Street. No dia 24 de outubro, o índice Dow Jones da bolsa de Nova York perde mais de 22% em suas primeiras horas de sessão, apesar de se recuperar ao longo do dia e fechar em -2,1%. Em 28 de outubro cai novamente em 13% e no dia 29, em 12%. Essa crise obriga o fim da especulação da Bolsa e marca o início da grande depressão dos Estados Unidos e de uma crise mundial que afeta especialmente a Europa.

1987
Wall Street desmorona no dia 19 de outubro depois da divulgação de dados que mostram um importante déficit comercial e um aumento das taxas de juros do Banco Central alemão. Em um dia, a Dow Jones perde 22,6% e outros índices registram importantes perdas, mostrando a interdependência dos mercados mundiais. Trata-se do primeiro "crack" da era da informática.

1998
Agosto negro na Rússia. O rublo (moeda do país) perde cerca de 60% do seu valor em onze dias. A Rússia vive uma crise econômica e monetária vinculada em parte à crise asiática de 1997.

2000
A bolsa eletrônica vive sua primeira grande crise. O índice Nasdaq, que concentra os valores de internet e de tecnologia, cai 27% nas duas primeiras semanas de abril e perde 39,3% em um ano. Essa queda repercute em todos os mercados vinculados à Nova Economia.

2001
Os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, que deixam mais de 3.000 mortos, provocam o fechamento da Bolsa de Nova York durante uma semana. Em sua reabertura, o índice Dow Jones sofreu a maior perda em pontos de sua história, de 684,81 pontos.

2002
A falsificação das contas da empresa americana Enron e a fraude do grupo de telecomunicações Wordcom desestabilizam as Bolsas do mundo. Os mercados registram quedas inéditas: Frankfurt perde -43,9%, Paris -33,7% e Londres -24,8%.

2008
As conseqüências da crise dos "subprime" (créditos hipotecários de alto risco) nos Estados Unidos se propagam aos mercados financeiros americanos e mundiais. Nos nove primeiros meses do ano, os principais índices perdem mais de 25%. A crise se agrava no início de outubro com quedas de quase 10% em vários mercados mundiais na segunda-feira 6 de outubro.

Comentários dos leitores
Fernando Andrade (14) 04/07/2009 13h52
Fernando Andrade (14) 04/07/2009 13h52
Marolinha
O povo brasileiro não sabe o poder que tem. Leio muitos comentários aqui passando a ideia de que nós estamos sofrendo com a crise, que é muito mais do que o presidente Lula falou, que estamos numa pior..enfim. Claro que estamos sendo afetados pela crise, quem não está? Mas essa crise é muito mais psicológica do qualquer outra coisa para nós. Podemos sair dele numa boa e estamos nos virando bem, quer queiram ou não! O povo brasileiro (de verdade) mudou após a era Lula. Esses sim são sinais claros de que devemos acreditar no Brasil. Não um bando de pessimistas que gostam de menosprezar o Brasil.
O que falta realmente é um povo unido para juntos combatermos a desigualdade social, melhoramos a educação e criarmos o alicerce para que este país seja um lugar melhor para se viver. Parem de criticar e apresentem soluções!!!!
sem opinião
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M Mig (1471) 03/07/2009 15h00
M Mig (1471) 03/07/2009 15h00
Ontem ouvi no rádio um jornalista que fala sobre o mundo automotivo dizer que não houve tsunami e nem marola por que o brasileiro continua comprando carros. Ora, um habito comum ao brasileiro é a ostentação, para isso muitos se endivida para adquirir bens que não são compatíveis com seu nível de vida. Esse fenômeno podemos observar principalmente com três bens de consumo:
-Roupas e calçados: O sujeito ganha mil e quinhentos reais, mas ele tem um tênis que custa seiscentos reais.
-Celular: A pessoa economiza até em sua alimentação, mas tem um smartfone.
-Carro: O sujeito se endivida por oito anos para comprar um carro (em 2007 o aumento de financiamentos de veículos aumentou 43,5% e desde então tem crescido a cada ano) e muitas vezes não tem dinheiro para mantê-lo ou para pagar pelo financiamento, o que causa o aumento do número de recuperações de veículos por financeiras (observado desde o ano passado).
Em suma, o jornalista fez uma afirmação ignorando que a compra de carros é impulsionada pela capacidade de endividamento, ignorando as centenas de milhares de demissões (comprovadas pela redução de captação de impostos), o aumento da inadimplência (cheque especial e financiamento de veículos são os lideres). A disseminação desse tipo de convicção cega e impede que a população exija retidão e resultados do governo federal. É lamentável que um jornalista use as atribuições de sua função para disseminar sua opinião ignorando os fatos.
6 opiniões
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Sergio Torres da Silva (104) 02/07/2009 20h27
Sergio Torres da Silva (104) 02/07/2009 20h27
Condenado a 150 anos e cobertura confiscada.
Um belo exemplo de, liberdade enquanto conseguiu esconder e punição quando foi descoberto.
Acho que precisamos, aqui no Brasil, exercitar mais os atos de punição.
3 opiniões
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